DAR UMA COLHER DE CHÁ

A colher, é um utensílio doméstico usado para diversos fins culinários, e pode ser encontrada nos supermercados e lojas especializadas do ramo, em seus três tamanhos diferentes: a de café, a de chá e a de sopa. Isso todo mundo sabe. O que muita gente desconhece é que esses objetos, quando empregados para medir alguma coisa, deveriam ter normalmente uma determinada capacidade para comportar sólidos e líquidos. No caso destes últimos, a colher de café corresponde a 2ml (dois mililitros); a de chá, a 5ml (cinco mililitros); e a de sopa, a 15ml (quinze mililitros).

 

Mas a literatura farmacêutica recomenda que essas medidas não devem ser confundidas com as das colheres de uso doméstico, porque como estas não têm uniformidade de tamanho, as dosagens dos remédios, geralmente recomendadas de acordo com o peso corporal, ou particularizadas para cada indicação, podem levar ao insucesso da medicação, ou até mesmo provocar intoxicações. O recomendável é a utilização das colheres de doses que acompanham a maioria dos medicamentos líquidos orais, porque, como diz o ditado, seguro morreu de velho.

 

Antigamente dava-se chá de colher aos acamados porque a bebida considerada refrescante e estimulante, era bem apropriada a quem se encontrava em tal situação. Hoje em dia, a colherada do remédio engolido por alguém em tratamento representa, para o paciente, a esperança de que ele venha a ser curado em pouco tempo, e certamente por isso o povo adotou essa recomendação médica em sua linguagem corrente, usando-a como frase-feita nos casos em que se pretenda dar uma oportunidade a quem se envolveu em algum problema. Seria, por assim dizer, uma espécie de remédio, de tônico, de estimulante, ao necessitado de ajuda, compreensão ou nova oportunidade, para que este possa deixar para trás a dificuldade que complicou sua vida e reinicie sua caminhada em busca de melhores dias. No caso desta locução, a preferência popular provavelmente recaiu sobre a colher de chá porque ela é intermediária entre a pequena, de café, e a grande, de sopa, ou seja, a ajuda dada a quem dela precisa não será nem pouca, ou reduzida, nem muita, ou excessiva, mas na medida conveniente à situação.

 

Curiosa é a constatação de que os utensílios, gêneros e ingredientes ligados à cozinha estão presentes em grande número de expressões comumente usadas pela população, comprovando, assim, que o estômago, ou tudo aquilo que a ele se relacione, tem importância bem maior do que a imaginada por qualquer um. Entre as mais usadas, podem ser citadas as seguintes:

 

É um filme muito água com açúcar.

Ela é um doce de pessoa.

Ele comeu o pão que o diabo amassou.

Ele é um pamonha.

Ele está cozinhando o galo.

Ele vai ter que descascar um abacaxi.

Entornou o caldo.

Esse cara é meio sem sal.

Esse cara é um osso duro de roer.

Fulano mudou da água para o vinho.

Isso é firme que nem geléia.

Isso já passou do ponto.

Não queira inventar, é melhor ficar no arroz com feijão.

No fim, o pepino sobrou pra ele.

No fim, o pepino sobrou pra ele.

Panela velha é que faz comida boa.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

Todos eles são farinha do mesmo saco.

Vamos levar em banho-maria.

 

Foi assim que a expressão “dar uma colher de chá” migrou dos receituários médicos para a boca do povo, passando a definir a ajuda dada por alguém àquele que está precisando de uma “mãozinha” para superar qualquer adversidade.