A saliva é um suco digestivo produzido sobretudo por três pares de glândulas salivares (as parótidas, submaxilares e sublinguais), cujos canais por onde ela é expelida se abrem na face lateral da boca (para as primeiras) e sob a língua (para as segundas e terceiras). No homem, as glândulas salivares funcionam continuamente no estado de vigília, avaliando-se a saliva de repouso, ou de abstinência, em cerca de 15 cm3 por hora. Todavia, a secreção torna-se muito maior sob a influência de certos estímulos, o que redundou no surgimento da expressão “de dar água na boca”. É o que sucede, por exemplo, ao se ver um prato apetitoso, ou mesmo ao se sentir o seu aroma, embora exista muita gente que também empregue essa frase-feita quando acompanha com o olhar a passagem de alguma mulher bonita e bem feita de corpo, porque aí é um outro tipo de apetite que está sendo aguçado. Via de regra, em ocasiões de estímulo a quantidade de saliva segregada alcança de 600 a 1.500 cm3 por hora, mas durante o sono sua produção é quase nula.
A saliva não é indispensável à vida do ser humano, embora exerça diversas funções orgânicas importantes: dilui e lubrifica os alimentos ingeridos, favorecendo não só sua mastigação como sua deglutição; umedece a mucosa bucal e protege os dentes; dissolve substâncias alimentícias, permitindo a gustação; favorece a fonação; inicia a digestão dos hidratos de carbono; elimina alguns produtos do metabolismo e certos medicamentos. Embora os alimentos demorem pouco tempo na boca, a ação da saliva é importante, pois continua no estômago, onde o suco gástrico acidifica lentamente o bolo alimentar. Líquido incolor e mais ou menos viscoso, essa secreção tem sua produção diminuída em diversos estados patológicos: como, por exemplo, nas febres, em geral, nas inflamações agudas da boca, nas diversas doenças que determinam grandes perdas aquosas, em certos estados nervosos, etc., associando-se à sede intensa e aos excessos de falar ou cantar. Em contrapartida, outros problemas de saúde, como doença de Parkinson, meningite do bulbo e raiva, por exemplo, determinam um excesso de salivação.
A expressão "de dar água na boca" é de uso corrente em quase todos os povos do mundo, e pode ser aplicada naturalmente sempre que o apetite de qualquer indivíduo é estimulado pela visão de um prato de comida bem preparado, ou até mesmo pelo cheiro convidativo que dele exala. Assim sendo, o apetite designa uma vontade de comer que pode ser completamente independente da fome, essa uma sensação dolorosa provocada pela necessidade imperiosa de ingerir alimentos, manifestada através do mal-estar geral e de uma espécie de câimbra na parte superior do abdome. Em outras palavras, a fome, em seu início, pode ser explicada como a disposição favorável do aparelho digestivo em receber alimentos, traduzida por uma sensação branda e agradável a que se dá o nome de apetite, mas este não deve ser confundido com a fome porquanto pode persistir quando esta já está aplacada.
Além disso, mesmo que o apetite desapareça durante a refeição, em relação a determinado alimento, pode despertar novamente em relação a outro, já que não está ligado apenas ao que é chamado popularmente de “barriga vazia”, mas também à natureza do estímulo, sobretudo às qualidades de sabor, cheiro e aspecto dos alimentos. Quando ele não é satisfeito e decorre um período de tempo suficiente para que se faça sentir a necessidade de alimentos, então aparece a fome, que o homem adulto se faz sentir normalmente cerca de três vezes por dia. Foi isso o que determinou a distribuição diurna das refeições em horários que variam de país para país.
Na mitologia greco-romana a Fome era uma divindade alegórica da qual não existem quaisquer representações plásticas, embora ela apareça com freqüência em textos dos grandes filósofos gregos da antiguidade. Hesíodo, por exemplo, a apresenta como filha da Noite; Ovídio, por sua vez, a descreve de modo pitoresco, localizando sua residência nos desertos da Cídia; enquanto Virgílio a mostra às portas do Inferno, em companhia de outras divindades maléficas.