ESTRESSE

Quando falamos em estresse (ou stress) geralmente nos referimos à tensão ou angústia emocional que sentimos em situações de dificuldade, pressão e desgaste, embora ele represente, na verdade, um conjunto de reações fisiológicas causadas por diferentes motivos, como a doença física e ferimento, ou fatores psicológicos que incluem o medo, a irritação, a frustração, a inveja, ódio e até mesmo a euforia desmedida.

 

Em 1936, o endocrinologista canadense Hans Selye (1907-1982) observou que organismos diferentes apresentam um mesmo padrão de resposta fisiológica para estímulos sensoriais ou psicológicos. Em seu trabalho de pesquisa ele submeteu cobaias a situações estressantes, e registrou a ocorrência de um padrão na resposta comportamental e física dos animais, com sintomas específicos desenvolvidos em três fases sucessivas (alarme, resistência e esgotamento), às quais deu o nome de Síndrome Geral de Adaptação.

 

Na primeira delas, resultante de situações enfrentadas no dia-a-dia da população humana (como o trânsito caótico; a ameaça à segurança ou desequilíbrio na vida afetiva; a ocorrência de acidente, assalto, seqüestro, catástrofes; frio intenso; cirurgia e outras), o corpo do indivíduo afetado reage através da dilatação de pupilas; da aceleração dos batimentos cardíacos; elevação da pressão arterial; respiração ofegante; frieza nas mãos e pés: tensão nos músculos, má digestão e boca seca, além de outras manifestações como a redistribuição da reserva sangüínea da pele e das vísceras para os músculos e cérebro, por exemplo. Se o indivíduo elimina o estímulo estressante, ou aprende a conviver com ele, seu organismo volta à normalidade, mas em caso contrário o processo evolui para as outras duas fases.

 

Na segunda, a de resistência, persiste o estado de alerta e o desgaste provocado por ele, uma vez que o organismo continua sendo abastecido com energia rapidamente mobilizada. Essa mobilização acarreta não só a redução da capacidade de resistência orgânica às infecções, mas também provoca a sensação de cansaço, lapsos de memória e inibição do comportamento sexual, prejudicando a produção de espermatozóides, a redução de testosterona; a diminuição do apetite sexual; impotência; desequilíbrio ou supressão do ciclo menstrual; falha na ovulação; aumento dos abortos espontâneos e dificuldades na amamentação.

 

O prolongamento dessa situação leva à fase de esgotamento, quando então surgem problemas de saúde como dores no corpo; taquicardia; doença de pele; hipertensão; diabete; problemas respiratórios; intoxicações; alteração de peso; depressão; ansiedade; insônia, pesadelos ou sono em excesso; dificuldade de aprendizagem, lapsos de memória; distúrbios no comportamento sexual, e outros mais. Com esse agravamento a pessoa atinge a fase aguda do problema, passando a ter reações que podem durar horas ou dias, caracterizadas por atordoamento inicial, diminuição da atenção; sinais de ansiedade ou pânico; desorientação; estupor; agitação; amnésia parcial ou completa, e outras manifestações que geralmente a afastam da realidade.

 

O estresse físico é muitas vezes esporádico, mas o emocional faz parte do nosso cotidiano, do nosso dia-a-dia, não podendo ser considerado um fenômeno moderno porque nossos antepassados mais distantes também experimentaram essa situação e com muito mais intensidade, seja na busca continuada de comida, seja cercando-se de cuidados contra vizinhos hostis e animais selvagens. Hoje, apesar dos tantos e tantos milênios que nos separam dos tempos pré-históricos, continuamos respondendo ao estresse do mesmo modo como teríamos feito no passado, ou seja, nosso mecanismo orgânico, em resposta ao estímulo estressante, inundaria o corpo com adrenalina ou outros hormônios que aumentam a pressão sangüínea, aceleram as batidas cardíacas, contraem os músculos e deixam outros sistemas em estado de alerta.

 

A alimentação exerce papel importante no combate ao estresse, já que este esgota rapidamente o suprimento de glicose, principal combustível do corpo. Quando isso ocorre, o organismo começa a decompor as proteínas existentes nos músculos, fonte de energia mais rápida do que a gordura do corpo, requisitando carboidratos adicionais para gerar energia rápida. Cada um de nós tem um alimento favorito capaz de gerar bem-estar nos momentos de estresse, e por isso as opções variam de uma pessoa para outra. Algumas preferem os alimentos da infância, como o leite, enquanto em outras surge o desejo por chocolates ou doces, que aumentam a produção de substâncias químicas de efeito calmante no cérebro. Mas como o estresse pode atrapalhar o funcionamento do sistema digestivo, ocasionando azia e má digestão, desses alimentos bem tolerados devem ser evitados os que tenham alto teor de gordura, fazendo-se o mesmo em relação ao álcool, bebidas com cafeína e cigarros, que por serem estimulantes podem aumentar a sensação de nervosismo.

 

As manifestações físicas mais comuns nos casos de estresse incluem as palpitações, falta de ar, dor no peito, pressão alta, respiração acelerada incomum, vertigem e tontura, formigamento nas mãos e nos pés, dores crônicas ou recorrentes nas costas e na nuca, dores de cabeça freqüentes, diarréia ou prisão de ventre, azia ou outros problemas digestivos, aumento da suscetibilidade a resfriados e outras doenças. Já entre os sintomas psicológicos podem ser citadas a irritabilidade inexplicável ou sensação de tristeza; a dificuldade para se concentrar e tomar decisões; distúrbios do sono; fadiga crônica, mesmo após descanso adequado; ansiedade prolongada; alterações de apetite; aumento do consumo de álcool, nicotina ou outras drogas; dificuldade em lidar com os pequenos contratempos do dia-a-dia; preocupação desnecessária com problemas triviais; diminuição do entusiasmo na execução de atividades prazerosas; redução do interesse sexual; maior facilidade para sofrer acidentes. Existem várias recomendações visando o relaxamento do estresse, como, por exemplo:

 

- Fazer refeições saudáveis e regulares, desde o café da manhã.

- Diariamente, por alguns minutos, ficar quieto, sentado, com os olhos fechados.

- Praticar exercícios físicos regularmente para aumentar a produção de endorfinas, substâncias químicas do cérebro que agem sobre o humor.

- Ouvir a música favorita, pois ela é capaz de aumentar os níveis da endorfina.

- Aprender técnicas de relaxamento, como ioga, meditação ou exercícios de respiração profunda.

- Compartilhar os problemas com um membro da família, um amigo ou um terapeuta.