No livro do Gênesis, na Bíblia (40:15 a 36), é relatada a história de como José, filho predileto do patriarca Jacó e de Raquel, e prisioneiro de Putifar, favorito do faraó e general dos exércitos, interpretou um sonho que inquietava o soberano egípcio.
Disse-lhe este: “Em meu sonho eu estava à margem do Nilo e eis que de lá saíram sete vacas gordas e belas, que se puseram a pastar a verdura. E saíram em seguida sete outras vacas magras, feias e disformes, como jamais vi em todo o Egito. As vacas magras e feias devoraram as sete primeiras, as gordas, que entraram em seu ventre como se nada fossem, pois ficaram tão macilentas e feias como antes. Nesta altura eu despertei. E tive outro sonho: vi elevar-se duma mesma haste sete espigas cheias e belas. Mas eis que sete outras espigas medíocres, finas e queimadas pelo vento do oriente, germinaram em seguida, e as espigas magras engoliram as sete belas espigas. Em vão contei tudo isto aos mágicos; nenhum deles pôde dar-me explicação”.
Explicou-lhe José:
“As sete belas vacas são sete anos, e as sete belas espigas, igualmente sete anos; o sonho é um só. As sete magras e feias que saíram em seguida são também sete anos, e as sete espigas vazias e queimadas pelo vento do oriente, serão sete anos de miséria. Deus lhe revela o que Ele vai fazer: haverá sete anos de grande abundância para o Egito, mas virão em seguida sete anos de miséria que farão esquecer toda a abundância, porque a fome devastará o país. E a abundância do país não será mais notada por causa da fome que se seguirá, porque será violenta. Se o sonho se repetiu duas vezes, é que a coisa está bem decretada da parte de Deus, que vai apressar-se em executá-la”.
E concluiu:
“Agora, pois, escolha o rei um homem sábio e prudente e o coloque à testa do país. E também nomeie administradores que recolham a quinta parte das colheitas do Egito durante os sete anos de abundância. Estes mantimentos formarão uma reserva para o país, em previsão dos sete anos de fome que assolarão o Egito. Dessa forma, o país não será arruinado pela fome”.
A previsão de José foi confirmada, porque o Egito viveu sete anos de tamanha produção nos campos que seus administradores conseguiram estocar alimentos suficientes para que o país atravessasse, sem fome generalizada, os sete anos difíceis que se seguiram a eles.
Esta passagem bíblica deu origem à expressão “tempo das vacas gordas”, assim como também à que lhe é oposta, “tempo das vacas magras”, a primeira com o sentido de fartura e abundância, e a segunda, a de escassez ou miséria, e é empregada para determinar períodos em que a prosperidade tem curta duração. Mais do que um sonho, as imagens e idéias que surgiram durante o sono do soberano egípcio transmitem um ensinamento sábio e prudente aos que desfrutam de resultados prósperos e compensadores em suas atividades costumeiras, quaisquer que sejam elas: a de que todos devem estar preparados para o momento em que a vida porventura se resolva a lhes mostrar sua outra fisionomia, que é a da falta e da penúria, deixando o esbanjamento de lado e guardando sempre um pouco do que produzem como garantia de que possíveis tempos difíceis poderão ser ultrapassados sem maiores sofrimentos. Da mesma forma como José recomendou ao faraó do Egito.