O coelho é um pequeno mamífero roedor dotado de olfato apurado, ótima audição, vista boa, grande capacidade de atenção e extrema vivacidade a estímulos exteriores. A fêmea começa a reproduzir-se entre os cinco e oito meses, suas gestações duram em média trinta dias (num total de quatro a oito por ano), com um número de crias variando de dois a vinte filhotes por parto. Pelas devastações que pratica ele é prejudicial aos bosques e plantações, e por isso, apesar dos inimigos naturais que possui, principalmente cães, gatos selvagens e as grandes aves de rapina, são também caçados pelos homens de todas as maneiras possíveis e imagináveis. Isso porque sua fertilidade pode torná-lo uma praga difícil de ser eliminada, como aconteceu em Vitória, na Austrália, em meados do século 19, apesar de naquela época terem sido abatidos anualmente mais de vinte milhões de cabeças.
Os coelhos, assim como as lebres, foram feitos para correr. Suas patas traseiras, longas e potentes, lhe dão velocidade, e os tufos de pelo entre os dedos fortes, garantem-lhes a estabilidade de que precisam. Para que possam manter-se sempre na dianteira de quem os persegue, a natureza lhes forneceu orelhas grandes e olhos aguçados, que os ajudam a distinguir um predador com facilidade e necessária antecedência. Assim, se um destes caçadores é avistado ainda ao longe, o coelho se previne de imediato, e se porventura a perseguição começa, o coelho corre em ziguezague para desequilibrar o perseguidor e impedir que ele ganhe velocidade. O coelho é roedor por natureza, o que importa em dizer que se porventura lhe arrancarem os dentes, em pouco tempo ele morrerá de fome. Sendo um instrumento indispensável para garantir a subsistência do dono, o dente de coelho é o símbolo legítimo do próprio animal, tendo sido associado na imaginação popular ao seu espírito extremamente arguto e sagaz, às suas artes infalíveis e sabedorias imprevistas. Por esse motivo surgiram alguns personagens de desenhos animados que ao longo dos anos encantam multidões de crianças, jovens e adultos em todo o mundo, tornando suas façanhas inesquecíveis na memória popular.
Diante disso, a expressão “ter dente de coelho” acabou traduzindo a idéia da existência de algum problema confuso criado pela intenção humana, e que vai exigir certa habilidade para ser resolvido. Dessa forma, em todos os casos onde existem armadilhas, dificuldades ou artimanhas ocultas, mas que podem ser percebidas com o uso de um pouco de atenção, a frase é cabível e perfeitamente aplicável.
Os coelhos foram domesticados ha mais de dois mil anos para produção de carne e peles, tendo sido os romanos os primeiros a mantê-los em gaiolas. Somente no inicio do século 20 eles foram transformados em animais de estimação, porque sendo quietos e silenciosos, eram ideais para serem mantidos dentro de residências. Atualmente existem nos Estados Unidos cerca de 200.000 criadores de coelhos, que produzem anualmente em torno de 4.000 toneladas de carne, mas são os laboratórios que compram a cada ano perto de 600.000 desses roedores vivos, destinados a experiências medicas e testes de novos produtos.
Existem algumas diferenças entre coelhos e lebres: os primeiros fazem suas tocas em buracos no chão, enquanto as segundas aninham na superfície; embora as lebres sejam mais rápidas que os coelhos, estes podem mudar de bruscamente de direção. deixando o perseguidor desorientado; os coelhos têm dois dentes incisivos desenvolvidos que não param de crescer, e por isso precisam roer constantemente para controlar esse crescimento.