A BBC Brasil informou em 22 de março de 2001 que a Tearfund, organização não-governamental da Grã-Bretanha, editora das revistas Passo a Passo e Viver Sustentável, advertira nesta última publicação que duas em cada três pessoas em todo o mundo correm o risco de ficar sem água até 2025. Segundo o texto da entidade britânica, o consumo de água cresceu duas vezes mais rápido do que a população mundial no último século, o que acabará forçando a maioria das pessoas sem água nos países mais pobres, a deixar seus lares, provocando com isso novas ondas de imigração.
Assevera a ONG que um dos piores efeitos da falta de água será o aumento do preço dos alimentos. Ela acredita que em 2025 o volume de água necessário para produzir comida deve aumentar em 50% (devido ao crescimento populacional e à demanda por melhor qualidade de vida), e como resultado da sua escassez a produção mundial de alimentos ameaça diminuir em 10%. Em média, 70% da água mundial é usada na agricultura, mas na Ásia essa proporção cresce para mais de 90%. Num mundo com cada vez menos água disponível, os países mais pobres vão ter que escolher se a destinam à irrigação ou ao uso doméstico e industrial. “Para o 1,3 bilhão de pessoas que vivem com um dólar por dia, o aumento do preço dos alimentos resultado da falta de água pode ser fatal”, diz o relatório da organização.
A Tearfun sustenta, ainda, que diversos fatores colaboram com a crise que se avizinha, entre eles o fracasso dos países em desenvolvimento quanto a regular, gerenciar e investir em seus recursos hídricos. Quando esses problemas se juntam ao crescimento da população, o quadro fica ainda mais grave. A população da China, por exemplo, deve crescer de 1,2 bilhão, hoje, para 1,5 bilhão em 2030, enquanto a demanda por água deve aumentar 66% no mesmo período. Na Índia, para resolver o problema da água em curto prazo, a entidade identifica o uso não-sustentável da água de lençóis freáticos, o que fará com que Nova Delhi, por exemplo, deva esgotar suas reservas dentro de 15 anos. Outro fator que aumenta a preocupação com a falta de água nos próximos anos é o aquecimento global - alguns cientistas prevêem um aumento na ocorrência de secas e o surgimento de mais desertos.
Anteriormente, em 22 de março de 1992, a ONU - Organização das Nações Unidas, havia destinado aquele dia, de cada ano futuro, para discussão dos temas relativos a este importante bem natural. Sabe-se que apenas 0,008% de toda a água existente no planeta é potável, e grande parte dela (a dos rios, lagos e represas) vem sendo cada vez mais poluída e degradada pela ação irresponsável do homem. Essa situação preocupante conduz à quase certeza de que num futuro próximo faltará água para o consumo de grande parte da população mundial, o que motivou a criação do Dia Mundial da Água, com o objetivo de que se possa construir, com ele, um momento de reflexão, conscientização e elaboração de medidas práticas capazes de resolver o sério problema que ameaça a humanidade.
No mesmo dia 22 de março de 1992 a ONU também apresentou a Declaração Universal dos Direitos da Água, documento que serve, sobretudo, para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes quanto a esse bem natural. A recomendação mais importante que dele se depreende é a de que a comemoração não se resuma à data determinada, mas se estenda por todos os dias do ano, colaborando, dessa forma, para a preservação e economia do que nos é imprescindível. Sugestões não faltam, entre elas a de não jogar lixo nos rios e lagos; a de economizar água nas atividades cotidianas (banho, escovação de dentes, lavagem de louças, etc.); a de reutilizar a água em diversas situações; a de respeitar as regiões de mananciais e divulgar idéias ecológicas para amigos, parentes e outras pessoas.
Declaração Universal dos Direitos da Água
1. A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.
2. A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida e de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceder como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Art. 3º de Declaração Universal dos Direitos Humanos.
3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo a água deve ser manipulada com racionalidade, preocupação e parcimônia.
4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e dos seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente, para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos por onde os ciclos começam.
5. A água não é somente uma herança dos nossos predecessores, ela é sobretudo um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do Homem para as gerações presentes e futuras.
6. A água não é uma doação gratuita da natureza, ela tem um valor econômico: é preciso saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.
7. A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento, para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração de qualidade das reservas atualmente disponíveis.
8. A utilização da água implica o respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo o homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo Homem nem pelo Estado.
9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.
10. O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.