Na Antigüidade, a Medicina era praticada pelos que se diziam escolhidos pelos deuses, e Hipócrates (460-357 a.C.), médico grego (ilustração) nascido na ilha de Cós, da família Esculápio por descendência masculina, foi o primeiro a separar a atividade médica das tradições de religião, mágicas, superstições e poderes sobrenaturais, e a baseá-la no estudo meticuloso da natureza. Entre outras coisas, ele defendia a observação pelos sentidos (tato, olfato, gosto e audição), acreditava que os elementos calor, frio, presença e ausência de umidade fossem representados por fluidos corpóreos como sangue, fleuma, bílis amarela e bílis vermelha, confiava no grande poder de recuperação do corpo e acreditava que o repouso e o ar fresco exerciam grande influência sobre o estado de saúde do indivíduo.
Na sua época, Asclépio, filho de Apolo e Corônis, era o deus grego da Medicina (Esculápio, para os romanos, mais tarde confundido com Serápis, divindade egípcia), tendo por atributos a serpente, o galo, o bastão, e a taça. Tendo aprendido com o centauro Quiron os segredos dessa arte, acabou morrendo fulminado por Zeus porque o deus maior se mostrava inquieto com as curas que ele praticava. Seu culto se iniciou primeiramente na região da Tessália, de onde se espalhou por todo o mundo grego. Até hoje os recém-formados fazem o juramento de Hipócrates no dia da colação de grau, no qual prometem exercer a Medicina com ética, seriedade e respeito aos pacientes.
A palavra medicina deriva do verbo latino mederi, que significa curar e tratar, e identifica a ciência que investiga a natureza e a origem das doenças do homem de modo a poder preveni-las, controlá-las e curá-las, preservando assim a saúde das pessoas. Ela surgiu de forma experimental, como resultado de experiências com técnicas ainda rudimentares (como tomar banho frio para baixar a febre, por exemplo). Desenhos rupestres mostram que na pré-história o homem já reconhecia algumas doenças e o efeito terapêutico de plantas curativas, além do calor, frio e luz solar. Somente no final do século é que se inicia a medicina moderna com o estudo da anatomia humana. Em 1543, o médico André Vesálio publica A organização do corpo humano com descrições e detalhes do corpo humano, representando um grande avanço na medicina ainda incipiente. Para conceber a obra, André usou a técnica de dissecação de cadáveres, tendo sido, por isso, condenado à morte pela Inquisição.
A data de 18 de outubro, reservada para comemorar o Dia do Médico, é uma homenagem a São Lucas, padroeiro desses profissionais. Segundo a tradição, São Lucas, natural de Antioquia, atual Turquia, autor do Terceiro Evangelho da Bíblia e também dos Atos dos Apóstolos, tem sido identificado com o personagem do mesmo nome que varias vezes é mencionado no Novo Testamento como o companheiro de São Paulo. Na verdade, pouco se sabe sobre sua vida, mas a lenda o aponta como pintor e médico, e o único entre os Apóstolos que não era de origem judaica. Não existem provas sobre se foi ou não martirizado pelos romanos, mas desde o final do século 2 as igrejas cristãs reconhecem o Terceiro Evangelho como sendo de sua autoria. Os estudiosos têm confirmado esta suposição, indicando que o autor deveria ser uma pessoa culta, com conhecimento de medicina, companheiro e discípulo de São Paulo, e que redigiu o texto por volta do ano 60 baseado nas boas informações de que dispunha, embora não tivesse sido testemunha ocular dos fatos narrados. O evangelho em questão foi escrito em grego, embora mesclado de inúmeros hebraísmos, e sua redação é mais correta e elegante que os demais.
Entre os médicos brasileiros que ganharam projeção internacional no decorrer do século 20, estão os cientistas Carlos Chagas, Vital Brazil, Oswaldo Cruz e Gaspar Viana.
- Carlos Chagas descobriu a doença de chagas em 1909 numa criança em Minas Gerais, além de ter revelado todos os seus aspectos, incluindo a cura. Transmitida pelas fezes do inseto barbeiro ou chupão, contaminadas pelo micróbio trypanossoma cruzi, a doença de chagas ainda não foi erradicada do Brasil, onde cerca de 5 milhões de pessoas encontram-se infectadas.
- Vital Brazil, nascido em Campanha, Minas Gerais, combateu epidemias de varíola, febre amarela e cólera no interior paulista, sendo responsável pela criação dos soros contra picada das cobras jararaca e cascavel. Em 1899, assumiu a direção do Instituto Butantã, especializado na produção de soros antiofídicos, e anos mais tarde fundou o Instituto Vital Brazil, voltado para elaboração de soros e vacinas.
- Oswaldo Cruz, especialista em bacteriologia pelo Instituto Pasteur de Paris, se engajou no combate à peste bubônica que se disseminava no porto de Santos, em São Paulo. Também combateu a febre amarela no Rio Janeiro quando ocupou o cargo de Diretor-Geral de Saúde Pública, que corresponde hoje ao Ministro da Saúde.
- Gaspar Viana, nascido em Belém, Pará, foi bacteriologista e ficou famoso pela cura da leishmaniose. A doença é provocada por um protozoário microscópico que se hospeda no mosquito transmissor conhecido como mosquito-palha ou cangalhinha, menor que um pernilongo comum. A transmissão se dá pela picada.