TRABALHO, DIA DO - 1º DE MAIO

A Associação Internacional dos Trabalhadores, também conhecida como Primeira Internacional, foi fundada em 1864, em Londres, e alcançou notoriedade graças ao sucesso dos congressos que promoveu e dos bons resultados obtidos nos movimentos reivindicatórios que organizou.

 

Mas apesar da fama, ou por causa dela, as dissidências e disputas internas foram surgindo e se tornando tão fortes que acabaram provocando o rompimento entre os socialistas do grupo de Marx (1818-1883), filósofo e economista alemão e Engels (1820-1895), socialista também alemão, ambos divulgadores da idéia de um regime social baseado na comunhão de bens e supressão da propriedade privada, e os anarquistas do russo Mikhail A. Bakunin (1814-1876), defensores da doutrina político-social segundo a qual o direito do indivíduo dispor de si próprio está acima de todos os outros direitos, donde, portanto, ele dever permanecer livre da coação representada pelo governo, ou seja, das instituições como polícia, justiça, forças armadas, etc. Esse desencontro de opiniões redundou na extinção gradual da associação a partir de 1876, e deu ensejo à formação da Segunda Internacional, em 1889.

 

Segundo o Ministério do Trabalho, “o Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia. Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho”.

 

Dessa data em diante a lembrança lutuosa passou a simbolizar, na maior parte do mundo, a luta dos assalariados pela conquista do que eles entendiam como legítimos direitos trabalhistas, e embora ela não tivesse sido reconhecida por países como Estados Unidos e Canadá, em virtude da associação que neles se fazia entre a representatividade da comemoração com movimentos esquerdistas, os desfiles e passeatas festivas realizadas na União Soviética e outros países socialistas, em todos os 1º de maio posteriores ao encerramento da Segunda Grande Guerra Mundial, tornaram-se importantes eventos políticos.

 

No Brasil, a primeira tentativa de comemoração da data aconteceu em 1894, mas o grupo de anarquistas e socialistas que tentava organizar a manifestação acabou sendo preso pela polícia. No ano seguinte (1895) o Centro Socialista de Santos, associação de trabalhadores daquela cidade paulista, conseguiu festejar o dia consagrado aos assalariados, o que serviu como ponto de partida para celebrações posteriores, marcadas todas elas por comícios e passeatas que serviam não só para a apresentação de protestos e reivindicações diversas, mas também para relembrar os mortos cerca de dez anos antes, nos Estados Unidos.

 

Muito já se escreveu sobre a importância dessa data. Desses textos sem conta, o de Cláudia Stocker, publicado no site Pesquisando (www.infonet.com.br) diz simplesmente que “Só o trabalho constrói. Todo o conforto de que a humanidade goza hoje em dia é fruto do trabalho de muitas pessoas, através de várias gerações. Todo trabalho honesto dignifica, por mais humilde que seja. Quem faz do trabalho o seu maior prazer da vida, vê que só tem a lucrar, pois além de manter-se com orgulho e honestidade, não tem vontade nem tempo para a ociosidade, que quase sempre leva a maus hábitos. O Dia do Trabalho é essencialmente importante, porque é nessa data que lembramos o esforço humano para modificar a natureza e explorá-la para o progresso da humanidade. Todas as pessoas, cada uma na sua profissão, são igualmente necessárias. A comunidade depende tanto de engenheiros e médicos quanto de pedreiros, padeiros e agricultores”.