SÃO PEDRO - 29 DE JUNHO

Um pescador chamado Simão morava em Betsaída, na Galiléia, e mantinha com o irmão André, além de Tiago e João, uma pequena frota de barcos pesqueiros. Casado, trabalhador e impulsivo, Simão ouviu de André o relato de seu encontro com um homem do qual diziam ser o Messias, e impressionado com o que ouviu, resolveu encontrá-lo para confirmar pessoalmente as informações recebidas. Como a pesca, naqueles dias, estava sendo pouco proveitosa, o pescador não hesitou em se afastar por alguns dias da sua atividade, a fim de saciar a curiosidade que sentia, sem imaginar, contudo, que esse afastamento seria definitivo, porque a partir do momento em que o aluno se viu frente a frente com o Mestre, seu destino mudou completamente, e ele se transformou em pescador de homens.

 

Jesus o nomeou Pedro, que significa pedra, e o colocou em evidência quando o marcou como futuro chefe da Igreja. De acordo com os Evangelhos, Simão foi o primeiro dos discípulos a professar a fé de que Jesus era o filho de Deus. É esse acontecimento que leva Jesus a chamá-lo de Pedro - a pedra basilar da nova crença. Encontramos o relato do evento no Evangelho de São Mateus (16:13/23): Jesus terá perguntado aos seus discípulos (depois de se informar do que sobre ele se falava entre o povo): "E vós, quem pensais que sou eu?"; ao que Pedro respondeu "És o Cristo, Filho de Deus vivo". Jesus ter-lhe-á dito, então: "Simão, filho de Jonas, és um homem abençoado! Pois isso não te foi revelado por nenhum homem, mas pelo meu Pai, que está no céu. Por isso te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e o poder da morte não poderá mais vencê-la. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu, e o que ligares na terra será ligado no céu, e o que desligares na terra será desligado no céu". É por esta razão que São Pedro é, geralmente representado com chaves na mão e a tradição apresenta-o como porteiro do Paraíso.

 

Ao aparecer pela terceira vez a seus discípulos, após a ressurreição, Jesus dirigiu-se a Pedro e perguntou: “Simão, filho de João, amas-me mais do que a estes outros?”. Pedro respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”, e Jesus recomendou: “Apascenta os meus cordeiros”. Por três vezes o mestre faz ao apóstolo a mesma pergunta, e em todas elas ordena que ele pastoreie seu rebanho, oficializando, dessa forma, sua investidura como pastor supremo.

 

Após a morte de Jesus, Pedro se tornou o grande líder dos seus seguidores, dirigindo-se inicialmente para a Antioquia, onde pela primeira vez se deu o nome de cristãos aos discípulos de Cristo, e partindo de lá para as suas viagens missionárias. Decorridos sete anos ele retornou a Roma, onde ao ser crucificado no dia 28 de junho do ano 67, pediu aos carrascos que o colocassem de cabeça para baixo, pois não se sentia digno de ser tratado da mesma forma como acontecera com o seu mestre. Não existe nenhuma dúvida quanto ao fato de Pedro ter sido sepultado onde hoje está a Basílica do Vaticano, a maior igreja do mundo. A data de sua comemoração é a mesma de sua morte.


Clemente I, conhecido como Clemente Romano, foi papa da Igreja Cristã Romana entre 88 e 97. Nascido em Roma, foi discípulo de São Pedro, e após ser eleito papa restabeleceu o uso da Crisma seguindo o rito de seu mestre, e iniciou o uso da palavra Amém nas cerimônias religiosas. Em um de seus escritos, de 95 depois de Cristo, ele se refere às atribulações de Pedro, que lhe teriam sido relatadas pelo próprio. Uma dessas passagens revela que sendo São Pedro o primeiro bispo de Roma, foi aconselhado pela comunidade romana a fugir da cidade onde os cristãos eram perseguidos e executados no Circo de Nero. Foi o que ele fez, mas no caminho encontra Jesus Cristo (na forma de um homem transportado na irradiação solar, segundo o romance de Henryk Sienkiewicz, Quo Vadis?). Ao perguntar a Jesus “aonde vais, Senhor?” (Quo Vadis, Domine?), este lhe responde que vai a Roma, para ser martirizado juntamente com as suas ovelhas que foram abandonadas. Pedro, arrependido, retorna então à cidade que abandonara e se entrega às autoridades, sendo crucificado por elas.

 

A partir dos anos 50 intensificaram-se as escavações no subsolo da Basílica de São Pedro, lugar tradicionalmente reconhecido como provável túmulo do apóstolo e próximo ao local do seu martírio, no muro central do Circo de Nero. Após cuidadosos trabalhos, inclusive com remoção de toneladas de terra remanescentes do corte da Colina Vaticana para a terraplanagem da área de construção da primeira basílica, na época de Constantino, a equipe chefiada pela arqueóloga italiana Marguerita Guarducci encontrou o que seria uma necrópole atribuída a São Pedro, inclusive uma parede repleta de grafitos com a expressão hic est Petrus, que em português significa aqui está Pedro.

 

Também foram encontrados em um nicho fragmentos de ossos de um homem robusto e idoso, entre 60 e 70 anos, envoltos em restos de tecido púrpura com fios de ouro, que se acredita, com muita probabilidade, serem de São Pedro. A data real do martírio, de acordo com um cruzamento de datas feito pela arqueóloga, seria 13 de outubro de 64 depois de Cristo, e não 29 de junho, data em que se comemorava o traslado dos restos mortais de São Pedro e São Paulo para as catacumbas de São Sebastião, durante a perseguição do imperador romano Valeriano, em 257 d.C.