CRUZ VERMELHA INTERNACIONAL - Sua criação

Em junho de 1859 o suíço Jean Henry Dunant (1828-1910) estava em Solferino, norte da Itália, no dia em que franceses e italianos da Sardenha, comandados por Napoleão III, lutavam com os austríacos, chefiados pelo imperador Francisco José, numa batalha de resultado indeciso. O número de mortos foi grande, e Henry constatou que muitos deles poderiam ter sobrevivido caso tivessem recebido tratamento adequado logo após terem sido feridos, o que teria evitado as complicações e o óbito.

 

Em conseqüência do que havia presenciado, Dunant reuniu moradores da região e durante três dias organizou um grupo de voluntários dispostos a socorrer os que necessitavam de atendimento médico. Depois retornou à sua cidade e escreveu o livro Memórias de Solferino, onde relatava a experiência vivida no campo de batalha e propunha a criação de “um princípio internacional convencional e sagrado, o qual, uma vez acordado e ratificado pelas nações, serviria de base às sociedades de socorro para feridos nos diversos países...”.

 

O empenho de Jean Henry Durant, ou simplesmente Henry Durant (na ilustração acima), motivou a elaboração das primeiras Convenções de Genebra, mas antes, em 17 de fevereiro de 1863, ele já participara da fundação da Aliança Universal Cristã de Moços, e talvez por isso lhe foi fácil receber o apoio da Sociedade Genebrina de Utilidade Pública e fundar um Comitê Internacional de Socorro aos Feridos, cuja comissão era composta por ele, pelo advogado Gustave Moynier, pelo general Guillaume Henry Dufour, e pelos médicos Louis Appia e Theodore Maunior, todos cidadão suíços. Essa comissão organizou uma conferência internacional em Genebra, à qual compareceram representantes de dezesseis países, e nela foram adotadas dez resoluções e três moções que deram origem à Cruz Vermelha.

 

As mais importantes previam a criação, em cada país, de um Comitê de Socorro que ajudaria, em tempos de guerra, os serviços de saúde dos exércitos; a formação, em tempos de paz, de enfermeiras voluntárias; a neutralidade das ambulâncias, dos hospitais militares e do pessoal de saúde; e a adoção de um símbolo no uniforme, uma braçadeira branca com uma cruz vermelha em fundo branco, inspirada na bandeira suíça.  O comitê passou a ser denominado Comitê Internacional da Cruz Vermelha (C.I.C.V.), mas em razão de um possível relacionamento da cruz com o símbolo cristão, os países islâmicos adotaram o símbolo de um crescente vermelho sobre fundo branco.

 

A Cruz Vermelha Brasileira foi fundada em 5 de dezembro de 1908 na forma prevista nas Convenções de Genebra. Seu primeiro presidente foi o Dr. Oswaldo Cruz, médico, patrono da Saúde Pública no Brasil, responsável pelas principais campanhas sanitaristas do início do século XX no Rio de Janeiro. Atua com base nos princípios fundamentais da Cruz Vermelha e sua missão compreende:


- agir, em caso de guerra, e preparar-se, na paz, para atuar em todos os setores abrangidos pelas Convenções de Genebra e em favor de todas as vítimas de guerra, tanto civis como militares;

 

- contribuir para melhoria de saúde, a prevenção de doenças e o alívio do sofrimento, através de programas e de serviços que beneficiem à comunidade, adaptados às necessidades de peculiaridades nacionais e regionais, podendo também, para isso, criar e manter cursos regulares, profissionalizantes e de nível superior;

 

- organizar, dentro do plano nacional, serviços de socorro de emergência às vítimas de calamidade, seja qual for sua causa; recrutar, treinar e aplicar o pessoal necessário às finalidades da instituição; incentivar a participação de crianças e jovens nos trabalhos da Cruz Vermelha;

 

- divulgar os princípios humanitários da Cruz Vermelha a fim de desenvolver na população, e particularmente nas crianças e nos jovens, os ideais de paz, respeito mútuo e compreensão entre todos os homens e todos os povos.

 

A Cruz Vermelha Brasileira mantém filiais nas capitais dos estados de Alagoas, Amapá,  Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais (também em Coronel Fabriciano, Divinópolis, Itabira, João Monlevade, Lavras e Montes Claro), Pará, Paraná, Rio de Janeiro (também em Barra do Piraí, Barra Mansa, Nova Iguaçu, Petrópolis e Volta Redonda), Rio Grande do Norte (Mossoró),  Rio Grande do Sul (Bagé, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Santa Maria, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Tramandaí), Santa Catarina (Araranguá, Braço do Norte, Campos Novos, Chapecó, Criciúma, Joinville, Luzerna, Navegantes, Santa Cecília, São Bento do Sul, São Joaquim, Xanxerê, Xaxim) e São Paulo (Jacareí, Santos, São José dos Campos, São Vicente).