ORQUÍDEAS - Beleza encantadora

As orquídeas muitas vezes crescem em troncos de árvores, e por isso são erroneamente consideradas parasitas. Na verdade, são plantas que fabricam seu próprio alimento aproveitando apenas o espaço e a luz disponível no alto das árvores. Em geral, vivem em ambientes úmidos e quentes, pois são particularmente típicas das regiões tropicais, e estão distribuídas por cerca de 1.800 gêneros, com aproximadamente 30.000 espécies.

 

Graças à beleza das suas flores o cultivo das orquídeas para fins ornamentais acontece no mundo inteiro, mas sua época de floração varia de tipo para tipo, podendo ocorrer em novembro, nas Laelias, ou fevereiro e março, nas Cattleyas, ambas nativas do Brasil. Em quase todos os países existem orquidófilos que cuidam do aperfeiçoamento e obtenção de novos híbridos da planta cujo valor ornamental já lhe atribui boa importância econômica, embora de um dos seus gêneros, a Vanilla, também seja extraída a baunilha, condimento alimentar.

 

A cultura das orquídeas começou provavelmente em países do extremo oriente, sobretudo no Japão e na China, de onde provêm as primeiras referências sobre elas. Sabe-se que a palavra chinesa “lan” que identifica a orquídea, já era conhecida há mais de 3000 anos, e que Confúcio (551-478 a.C.) também se referiu ao perfume delas. De lá para cá, através dos anos, inúmeros autores registraram em livros o resultado de suas pesquisas sobre a planta: como Teofrasto (371-287 a.C.), autor de Investigação sobre as Plantas, em nove livros, e As Causas das Plantas, em seis livros, e criador da palavra “orchis” (que em grego significa testículos), para denominar certas espécies, ou Pedânio Dioscóriles (século 2 ou 1 a.C.), médico militar dos exércitos romanos, que escreveu Sobre a Matéria Médica, um tratado reunindo informações a respeito de plantas medicinais e da cura de doenças, e que foi muito usado até o século 17, além de outros mais.

 

Em 1735 o botânico sueco Carl Von Linnaeus estabeleceu a primeira classificação coerente das orquídeas (nome genérico seguido do nome específico), aperfeiçoada em 1830 pelo botânico inglês John Lindley. No Brasil, o botânico Augusto Ruschi (1915-1986), que passou a maior parte de sua vida pesquisando nas florestas brasileiras, publicou uma monografia intitulada “Orquídeas do Estado do Espírito Santo”.

 

A respeito da enorme variedade de espécies existentes, pouquíssimos são os casos em que se encontrou utilidade comercial para as orquídeas além do uso ornamental. Entre seus poucos usos, o único amplamente difundido é a produção de baunilha a partir dos frutos de algumas espécies do gênero Vanilla, mas mesmo este limitado pela produção de um composto artificial similar de custo muito inferior. Mesmo para ornamentação, apenas uma pequena parcela das espécies é utilizada, pois a grande maioria apresenta flores pequenas e folhagens pouco atrativas. Por outro lado, das espécies vistosas, os orquidicultores vêm obtendo milhares de diferentes híbridos de grande efeito e apelo comercial.


Apesar da grande maioria das espécies não serem vistosas, o formato intrigante de suas flores é muito atrativo aos aficionados que prestam atenção às espécies pequenas. Como nenhuma outra família de plantas, as orquídeas despertam interesse em colecionadores que se organizam em associações orquidófilas, presentes em grande parte das cidades por todo o mundo. Estas sociedades geralmente apresentam palestras freqüentes e exposições de orquídeas periódicas, contribuindo muito para a difusão do interesse por estas plantas e induzindo os cultivadores profissionais a reproduzir artificialmente até espécies que poucos julgariam ter algum valor ornamental, contribuindo para diminuir a pressão sobre a coleta das plantas ainda presentes na natureza.

 

Embora sua distribuição seja bastante irregular, as orquídeas são encontradas praticamente em todas as regiões do planeta, com exceção da Antártida. Devido a grande distribuição geográfica, é natural que um grupo tão diverso também apresente adaptações aos mais diferentes climas, bem como a multiplicidade dos agentes polinizadores presentes em cada região. Trata-se de uma família em ativo ciclo evolutivo e seus gêneros mais próximos cruzam-se com certa facilidade na natureza, desafiando o antigo conceito botânico em que uma espécie é formada por todos os indivíduos capazes de cruzar com a produção de descendentes férteis.

 

A predominância das espécies ocorre nas regiões tropicais, notavelmente nas áreas montanhosas, que representam barreiras naturais e isolam as diversas populações de plantas. Algumas áreas principais são as ilhas e a área continental do sudeste asiático e a região das montanhas da Colômbia e Equador.. O terceiro local em diversidade possivelmente é a mata Atlântica brasileira com mais de mil e quinhentas espécies. Outras áreas importantes são as montanhas ao sul do Himalaia na Índia e China, as montanhas da América Central e o sudeste africano, notadamente a ilha de Madagascar.

 

O Equador é o país com o maior número de espécies registradas (3 549), seguido pela Colômbia (2 723). Nova Guiné (2 717) e Brasil, que totaliza 2 590. Além destes, Borneu, Sumatra, Madagascar, Venezuela e Costa Rica também contam com elevado número de espécies.