Também conhecido como Despertador de Judas, esse aparelho de tortura era composto por uma peça metálica em forma de pirâmide, colocada sobre um tripé reforçado.
Ele foi muito usado durante a Idade Média pelos justiceiros da Inquisição, e dava-se ao luxo de apresentar algumas variações que pretendiam torná-lo mais “eficiente” durante o uso. Dentre elas, a preferida consistia em suspender a vítima com correntes e colocá-la sobre a ponta pontiaguda do instrumento.
O castigo aplicado aos que atraíam a atenção dos inquisidores em virtude de suas palavras, comportamento ou distanciamento dos fundamentos religiosos prevalecentes na época, incluía o suplício nessa degradante e dolorosa forma de se conseguir informações. Os condenados ao Despertador de Judas – assim denominado em virtude de sua aplicação geralmente buscar a delação do torturado - eram despidos e pendurados por um cinto de ferro à volta da cintura, com as mãos e pés bem presos. As suas pernas eram mantidas levemente abertas por um pau. de tal forma que eles só poderiam movê-las ao mesmo tempo.
Em alguns casos o carrasco, seguindo instruções dos interrogadores, podia baixá-los com maior ou menor velocidade, e dessa forma o bico da pirâmide atingia o ânus, o saco escrotal, a vagina ou o cóccix dos prisioneiros; em outros casos, as pobres vítimas eram sacudidas ou deixadas cair repetidas vezes sobre a ponta.
Uma outra forma de aplicação dessa tortura consistia em içar o infeliz e colocá-lo de tal forma que o peso do seu corpo fizesse com que a ponta pontiaguda da pirâmide lhe pressionasse o ânus, a vagina ou o escroto. Em seguida o torturado, ou torturada, era deixado nessa posição por horas e horas, sem poder dormir ou até mesmo relaxar o corpo, porque se isso viesse a acontecer ele cairia com todo o peso sobre a ponta ameaçadora.
Esse procedimento apresentava variações que eram usadas simultaneamente em toda a Idade Média. Entre as formas de emprego preferidas estava a de suspender a vítima e colocá-la pouco acima da pirâmide metálica, sobre cuja ponta a pobre coitada era baixada com maior ou menor velocidade. Desta forma, o bico afiado do aparelho atingia o ânus, a vagina, a base do saco escrotal ou as últimas vértebras do cóccix de quem estivesse sendo submetido ao suplício. O carrasco, segundo as indicações dos interrogadores, podia variar a velocidade e a pressão, desde o nada até a totalidade do peso do corpo. Podia ainda sacudir a vítima, ou fazê-la cair, repetidas vezes sobre a ponta.
Existem informações não confirmadas de que ainda hoje, em alguns países latinos-americanos e asiáticos, esses terríveis instrumentos de tortura permanecem sendo utilizados por guerrilheiros, ou contra eles.
O Berço de Judas, em italiano Culla di Giuda, em alemão Judaswiege e em inglês Judas Cradle (ou simplesmente Cradle) era conhecido em francês como La Veille (A Vigília).