O empalamento, um dos mais revoltantes castigos jamais idealizados pelo ser humano, era uma forma particularmente cruel de execução, visto que a vítima agonizava por vários dias antes de morrer, demorando muito a ficar inconsciente. Era, ao que se tem notícia, praticada pelo homem desde a antiguidade; tendo sido amplamente empregada pelos exércitos turcos que invadiram o leste da Europa no século 16.
O método não tinha nenhuma complicação: deitava-se a vítima de bruços e enfiava-se em seu ânus, no umbigo, ou na vagina da mulher condenada a tal martírio, uma estaca suficientemente longa para lhe transfixar corpo no sentido do comprimento.
Para que a peça de madeira ficasse firme era introduzida no corpo do condenado a golpes de marreta, e em seguida plantada no chão; a partir daí a força da gravidade se encarregava do resto, pois o corpo simplesmente era empurrado por ela em direção ao solo, enquanto a estaca ia rasgando lentamente as entranhas do infeliz, num processo que podia durar várias horas ou até dias, dependendo da espessura da estaca e da capacidade de resistência do supliciado.
Ainda mais terrível era o "empalamento ao contrário". Segundo este método, a vítima era suspensa pelos pés, o que impedia a hemorragia e facilitava a oxigenação do cérebro; assim sendo, o condenado demorava a perder os sentidos, permanecendo consciente durante a maior parte da operação. Este tipo de tortura foi amplamente utilizado por diversas civilizações antigas, sobretudo árabes e européias. Os assírios, conhecidos por inventarem métodos de tortura dos mais cruéis, séculos antes de Cristo empalavam os inimigos derrotados em guerras, e também civis que cometiam certos crimes. Segundo contsa, Assurbanípal, um de seus monarcas mais conhecidos, gostava de assistir a sessões de empalamento enquanto fazia as refeições.
Diz a lenda que o romeno Vlad Tepes III (1431-1476), soberano do principado de Valáquia, foi um homem cruel ao extremo. Ele era filho de Vlad II, guerreiro da Ordem do Dragão, símbolo de seu principado e destinada a defender o cristianismo e o Império da ameaça dos Otomanos. Em romeno "drac" significa dragão e "ulea", filho de; assim, Vlad II foi chamado de Vlad Drácula, ou seja "o filho do Dragão". A palavra "drac" também pode significar demônio. Durante o domínio do rei Hunvadi, da Hungria, Vlad Tepes III morou no castelo de Brad, na Transilvânia (na ilustração), onde cometeu tantas atrocidades que mais tarde, em 1877, serviu de inspiração para que Abraham “Bram” Stoker (1847-1912) escrevesse Drácula, a principal obra no desenvolvimento do mito literário moderno do vampiro.
Conta-se que em 1461, Mohammed II, da Constantinopla, homem reputado por sua coragem, desistiu de invadir a Transilvânia diante da horrenda visão e fétido odor da floresta de 20.000 prisioneiros turcos empalados na entrada da cidade de Torgoviste. Mas este não foi seu recorde: no dia de São Bartolomeu de 1459, Vlad ordenara o empalamento de trinta mil pessoas.
Para efetuar o processo de empalamento, Vlad prendia as pernas da vítima em um cavalo enquanto uma estaca afiada era introduzida lentamente no corpo do torturado. A ponta da estaca era mergulhada em óleo, mas mantinha-se o cuidado especial de não deixá-la excessivamente afiada para não causar a morte imediata da vítima. Normalmente a estaca era inserida no ânus até sair pela boca, entretanto, muitas vezes, as vítimas eram empaladas através de outros orifícios corporais, ou abdômen e peito; mãe e filhos eram empalados em uma mesma estaca atravessada inicialmente pelo peito da mãe. Todos os corpos eram deixados no local para apodrecer diante de quantos passassem pelo local da execução.
Mas o empalamento não era seu único método de tortura física. Despela, mutilação de membros e órgãos genitais tanto masculinos quanto femininos; estrangulamento, cortes, queimaduras, decepamento de narizes, orelhas e olhos, também faziam parte de seu baú de horrores.