Nazca é uma povoação situada na província de Ica, região sul do Peru, onde nos tempos pré-incaicos existiu uma cidade florescente, como atestam diversas ruínas de palácios e aquedutos. O antigo e característico material cerâmico encontrado nos seus arredores demonstra ter sido ela o centro de uma notável civilização que ali prosperou por volta dos séculos 5 a 8. Nessas cerâmicas sobressai o colorido com uma riqueza incomum de tonalidades, uma arte simbólica cujo temas referem-se não só aos deuses daquele povo, mas também a personagens e animais fabulosos cuja identidade não se conseguiu estabelecer.
Nessa região situada a 300km abaixo de Lima, capital peruana, em árida planície conhecida como os pampas de Jurama, com área de 450km2, encontram-se os geóglifos de Nazca, ou seja, figuras de enormes dimensões feitas em morros ou trechos planos do lugar, e por isso melhor visualizadas do alto, de um avião, helicóptero ou balão. Essas linhas, traçadas sobre o solo do deserto e representando figuras diversas, estão incluídas entre os grandes enigmas da humanidade em virtude de sua quantidade, natureza, dimensão e continuidade. Elas mostram animais conhecidos, plantas estilizadas e seres imaginários, bem como desenhos geométricos de vários quilômetros, sem que se tenha descoberto, até agora, a razão pela qual foram feitas.
Tentando explicar sua existência os pesquisadores sugerem que seus autores foram seres extraterrestres; ou, então, de que são calendários de finalidade desconhecida pelos humanos; de que as figuras demonstram a arte e sabedoria de um povo capaz de construir complexos sistemas de aquedutos; ou, também, a de que simbolizam um culto aos deuses. Além dessas, existem outras versões, como a do escritor Erich Von Daniken, autor do livro ”Eram os Deuses Astronautas”, que afirma em sua obra serem tais linhas simples sinais e pistas de aterragem para naves vindas de algum outro lugar do Universo.
As figuras foram descobertas em 1926, quando pilotos peruanos sobrevoavam os pampas de Jurema, a 3 mil metros de altitude. Eles ficaram espantados com o que viram, mas logo depois da notícia dessa descoberta ter sido tornada pública, divulgou-se também a informação de que no século 16, o espanhol Luís de Monzón, que exercia as funções de cronista e magistrado, relatara em documento escrito que dos depoimentos fornecidos a ele pelos anciãos indígenas, constava a declaração de que seriam os viracochas os mentores desses trabalhos. Explicava Monzón em seus registros que as criaturas mencionadas por tais senhores seriam descendentes de um “homem-deus”, ou divinizado, conhecido por aquele nome, e de que teriam sido estes os autores dos trabalhos, feitos com a intenção de homenagear os que “enxergavam do alto”.
No ano seguinte, Paul Kosok, pesquisador americano, chegou ao Peru, e viajando pelo sul do país ficou extasiado diante das linhas multiformes que observou de um lado e outro da estrada. E sua surpresa tornou-se maior quando constatou que aquelas misteriosas linhas estendiam-se ao longo de um trecho com 50km de comprimento, e largura que chegava aos 15km, e por isso, ao voltar para casa, em 1946, sugeriu que sua assistente, a alemã Maria Reiche, analisasse melhor os intrigantes sinais que ele tinha começado a decifrar. E foi o que ela fez ao longo de 47 anos dedicados ao estudo, clareza e conservação das linhas, acabando por morrer cega no ano de 1998, devido à alta luminosidade do deserto.
Segunda a pesquisadora, são mais de trinta os geóglifos existentes na planície de Nazca, representando desde animais marinhos e terrestres, a figuras geométricas e humanas formadas com sulcos de até 30cm de profundidade, em linhas retas de grande tamanho, algumas paralelas, outras se cruzando, fazendo com que pareçam, para quem olha de cima, pistas de pouso de antigos aeroportos. Essas linhas representam diversos animais em surpreendente e espetacular dimensão, como, por exemplo, um pássaro de quase 300m, um lagarto de 180m, um pelicano, um condor e um macaco com 135m (em cada uma dessas formações), além de uma aranha de 42m, que só podem ser percebidas a olho nu, e devidamente apreciadas em conjunto, caso o observador esteja sobrevoando a área em determinada altura. Mas além desses, outros desenhos que também podem ser vistos na região surpreendem os que tenham essa oportunidade: uma baleia, um cachorro com patas e cauda longas, duas lhamas, diversas aves, como uma garça, uma gaivota, um colibri e um papagaio, um iguana, uma serpente e um caracol.
Ao definir essas linhas como testemunho e legado das antigas culturas peruanas que dominaram a região, a pesquisadora alemã conclui que elas foram feitas há mais de dois anos, e que compõem um gigantesco calendário com signos astronômicos, afirmando, ainda, que:
“As linhas da planície de Nazca são nada menos que um documentário da ciência e dos homens de ciência do Peru pré-hispânico. Nela encontra-se registrada uma tradição científica de onde os antigos peruanos desenvolveram um abecedário para anotar os mais importantes acontecimentos astronômicos dos seus dias, e as planícies de Nazca são as páginas de um livro escrito com este estranho alfabeto. Elas são o depoimento gráfico da forma como aqueles seres superiores dominaram a relação enter os fenômenos celestes e nosso planeta”.
Apesar do que já foi dito sobre as figuras de Nazcar, uma indagação permanece sem resposta definitiva: como foram feitos os contornos das figuras que aparecem no solo? Maria Reiche sugere que a utilização de estacas e cordas foi suficiente para a elaboração desse trabalho magnífico, mas de que forma poder-se-ia explicar que recursos tão simples e elementares como esses tenham permitido a exata simetria entre desenhos que se encontram a mais de 18 quilômetros um do outro, distância que torna impossível a verificação visual da correspondência entre tamanhos, formas ou arranjos do que foi feito em um e outro lado?