PANTANAL MATO-GROSSENSE (1)

O Pantanal, considerado Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera, é um ecossistema com 230 mil km² de extensão estimada. Essa estimativa é conseqüência da dificuldade enfrentada pelos técnicos para calcular sua dimensão exata, já que é praticamente impossível definir onde começa e termina o Pantanal: ao final de cada um dos ciclos das estações de seca e águas, ele se modifica, tornando inúteis os registros anteriores.

 

Situado no sul do estado de Mato Grosso e a noroeste do estado de Mato Grosso do Sul, no Brasil, o Pantanal também se estende pelo norte do Paraguai e leste da Bolívia (o chaco boliviano), constituindo uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. Incluído entre as mais belas reservas ecológicas existentes no mundo, ele é formado por uma imensa planície sedimentar limitada por áreas mais altas como os planaltos de Maracaju e Taquiti/Itaquira, serra do Tapirapuã e Chapada dos Parecis, relevos onde nascem os cursos d’água que cortam suas terras e desembocam em um leito principal, o rio Paraguai.

 

Entre esses afluentes estão o Jauru, Cabaçal, Cuiabá, São Lourenço, Miranda, Aquidauana e Taquiri, que marcam o ciclo das águas da região porque, nesse período, transformam drasticamente a paisagem do lugar ao longo do curso de cada um deles.

 

Com a chegada do chamado tempo das chuvas, que ocorre de dezembro a março, formam-se nesse território imensas lagoas que cobrem os pastos, obrigando os fazendeiros a transferir o gado para áreas secas situadas, muitas vezes, em lugares distantes. Durante o período seco, de julho a novembro, a pastagem natural brota com vigor, e dela se aproveitam os fazendeiros locais para transformar o criatório de bovinos na maior atividade econômica da região. Apesar dos períodos em que o excesso de chuva ou estiagem prejudica os criadores, porque interfere diretamente na qualidade e quantidade da pastagem aproveitada para alimentar os rebanhos, a área pantaneira é considerada ideal para esse tipo de exploração, tanto que se tornou comum dizer que “no Pantanal, não é o fazendeiro quem cria o gado, mas sim o gado que cria o fazendeiro”.

 

Na época de cheias, quando os rios transbordam em conseqüência do grande volume de água despejada pelas chuvas, e os animais buscam as áreas mais elevadas para sobreviver, o Pantanal apresenta seus vastos campos totalmente alagados, mas exibindo a plenitude de sua flora. Na época da seca, período em que as águas retornam ao leito natural dos rios e córregos e deixam os campos secos, o único vestígio das enchentes são as pequenas lagoas formadas em depressões do terreno, nas quais uma grande concentração de animais (répteis, aves e mamíferos) se alimenta e reproduz, transformando-se, também, em verdadeiro paraíso para observadores, biólogos, fotógrafos, turistas e outros tantos interessados na apreciação da natureza. Devido à pequena declividade desta planície, a água que cai nas cabeceiras do rio Paraguai demora quatro meses, ou até mais, para atravessar todo o Pantanal.


Os ecossistemas são caracterizados por cerrados e cerradões sem alagamento periódico, campos inundáveis e ambientes aquáticos, como lagoas de água doce ou salobra, rios, vazantes e sangradouros por onde se esgotam para os rios as águas que se acumulam nos brejos ou nos campos, ou que transbordam das lagoas. O clima é quente e úmido, no verão, e frio e seco, no inverno. Os solo do Pantanal, na sua maior parte, é arenoso, suportando pastagens naturais da região que servem de alimento aos herbívoros nativos e ao gado bovino ali introduzido pelos criadores locais.

 

Localizado no centro da América do Sul, bacia hidrográfica do Alto Paraguai, o Pantanal, na parte brasileira, tem uma área de 138.183 km² (65% situados no Mato Grosso do Sul e 35% no Mato Grosso). O rio Paraguai e seus afluentes correm através dele formando extensas áreas inundadas que servem de abrigo a grande variedade de peixes e inúmeros animais, como os jacarés, as capivaras e ariranhas, entre outras espécies. Muitos delas correm o risco de extinção em outras partes do Brasil, mas na região pantaneira elas ainda possuem populações vigorosas, sendo exemplos maiores o cervo-do-pantanal, a capivara, o tuiuiú e o jacaré.

 

Nos rios da região são encontradas cerca de 230 espécies de peixes, dentre as quais se destacam a piranha, o pintado, o pacu, o curimbatá e o dourado. Hoje em dia a proteção a esses peixes constitui um grande desafio para as autoridades, especialmente na época da desova, época em que as fêmeas de muitas espécies avançam contra a correnteza em direção às cabeceiras. É o chamado espetáculo da piracema, que impressiona a qualquer um que o assista pela beleza com que a natureza atua para garantir a reprodução das espécies: os peixes que sobem os afluentes do rio Paraguai em cardumes enormes, com seus dorsos dourados ou prateados sulcando a superfície das águas, compõem um cenário de tanta beleza, que se torna inesquecível.

 

A colonização chegou ao Pantanal no século 18, através dos rios Tietê, Paraná e Paraguai. Esse foi o caminho usado pelos aventureiros em busca de ouro, mas com o declínio desse tipo de exploração o homem pantaneiro acabou consolidando suas fazendas de pecuária extensiva, atividade perfeitamente adaptada a uma região coberta por extensas pastagens naturais.

 

Preocupada com a conservação do Pantanal, a Embrapa instalou em 1975, em Corumbá, uma unidade de pesquisa para a região, com o objetivo de adaptar, desenvolver e transferir tecnologias visando o uso sustentado dos seus recursos naturais. Os trabalhos iniciais abrangeram a bovinocultura, por ser ela a principal atividade econômica dos pantaneiros, mas hoje também se volta para outras áreas de exploração, como a dos recursos vegetais, pesqueiros, faunísticos e hídricos, climatológicos, de solos e da avaliação dos impactos causados pelas atividades humanas e sócio-econômicas.