MONTE RORAIMA - Roraima

Considerado um dos lugares mais antigos do planeta, o Monte Roraima, situado ao norte do estado de Roraima, marca a divisa de três países da América do Sul: Brasil, Venezuela e República Cooperativa da Guiana, antiga Guiana Inglesa. Com 2.734,06 metros de altura, conforme medição feita em 2005 pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), em parceria científica com o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e parte integrante do maciço Paracaíma, ele é descrito como uma formação geológica peculiar à qual se dá o nome de meseta - ou tepuis para os venezuelanos -, cujo topo aplainado forma um planalto com 17 quilômetros de extensão por 6 de largura, precipitando-se nas beiradas em paredões verticais com mais de 500 metros de altura.

 

O Monte Roraima foi descoberto em 1595 pelo inglês Walter Raleigh, que havia se embrenhado nas matas do que viria ser a Guiana, em busca dos tesouros supostamente existentes naquela região.. Ele chegou à base da montanha, não conseguiu subir, e por isso limitou-se a descrevê-la como coberta de cristais, porém inacessível. Quando tal informação se tornou pública, excitou a imaginação e o interesse dos europeus que naquela época acalentavam com carinho e ambição o sonho de tornar realidade a lenda que falava de um Eldorado no Novo Mundo. Mas apesar das expedições que ao longo dos anos passaram a percorrer aquela região, somente em 1884 o monte foi conquistado pelo botânico inglês Everard Im Thurn, que encontrou uma rota de acesso pelo lado venezuelano (até hoje a única que dispensa equipamentos de alpinismo). Seus relatos foram tão impressionantes que o escritor Arthur Conan Doyle se inspirou neles para escrever “O Mundo Perdido”, livro em que se basearia um filme lançado em 1925, com o mesmo nome (The Lost World).

 

O portal Amazônia.com, vinculado ao projeto de divulgação da Amazônia, via internet, esclarece que  “Repleto de cachoeiras e tomado pela Floresta Amazônica, o lugar atrai turistas, aventureiros, cientistas, biólogos, antropólogos, esotéricos e místicos que buscam conhecer pessoalmente a beleza local. Lendas mantidas vivas pelos índios fazem com que os visitantes e estudiosos digam ter visto criaturas pré-históricas, ou ouvido urros estranhos e horrendos quando alojados na área do Monte Roraima. Mas os únicos seres vivos registrados no topo do Monte são alguns insetos, entre eles a peculiar borboleta-tigre e o sapo de nome científico Oreonphynellia Queichil ( um sapinho preto da barriga vermelha, do tamanho da unha do dedão). Estima-se que pelo menos 400 tipos de bromélias e mais de 2.000 tipos de flores e samambaias compõem a diversidade da flora. Isoladas ao longo de milhões de anos, forçadas a adaptar-se por causa da falta de nutrientes do solo, elas evoluíram em novas espécies - as bromélias, por exemplo, criaram surpreendentes hábitos carnívoros, alimentando-se de insetos”.

 

As lendas antigas sobre o Roraima são muitas, e entre elas a de Macunaíma. Segundo a dos índios macuxi, hoje distribuídos por várias comunidades há muito sedentárias e familiarizadas nos contactos com os brancos que se dedicam à agricultura e à criação de gado, Sol e Lua, eternos enamorados, nunca se encontravam, até que um dia ele se atrasou um pouco (eclipse) e o encontro finalmente aconteceu. Quando os raios dourados de ambos se encontraram no lago misterioso existente no alto da montanha, Macunaíma, uma entidade divina, foi fecundado.

 

Uma outra - dos índios ingarikó, que vivem semi-isolados nas fronteiras com a Venezuela e Guiana e dão a si mesmos o nome de Kapon "Gente do céu" -. revela que lá em cima existia uma árvore gigantesca em cujos galhos podiam ser colhidos todos os frutos. Um dia Macunaíma a teria cortado para pegar as frutas com mais facilidade, deixando no lugar apenas o toco (o monte Roraima). Depois disso Macunaíma teria desaparecido, mas as cachoeiras e lagos que ali surgiram representam o choro da natureza diante da violência de que fora vítima.

 

Uma terceira narrativa diz que antigamente existiam apenas terras baixas e alagadiças no lugar do monte, mas que um dia uma bananeira nasceu ali. Como ninguém a conhecia, os pajés a consideraram sagrada, avisando que ninguém poderia comer dos seus frutos sob pena de acontecerem grandes desgraças. Mas alguém não ouviu a recomendação e cortou um cacho, o que desencadeou uma série de tormentas, como raios incendiando a Terra, trovões sacudindo o céu, chuva grossa caindo sem cessar, fuga de todos os animais, e o que é pior, o chão começando a tremer e dele nascendo um monte que cresceu, cresceu, até se transformar no Roraima. E outras mais...

 

Estima-se que o Roraima tenha se erguido há mais de dois bilhões de anos, quando os continentes ainda não tinham se separado e adquirido a forma que possuem atualmente. Suas rochas foram esculpidas pela ação do vento e da chuva e ganharam múltiplos contornos, cada pedra podendo apresentar a formação de uma figura humana, de um animal, ou muitas vezes de algum objeto. Na planície da montanha a água, além de esculpir rochas, ajuda a moldar a paisagem. Lagos de diversos tamanhos se espalham pelo platô. Um deles, coberto pela vegetação rasteira abrange uma extensa área. O quartzo aflora do chão. O mineral não tem valor de pedra preciosa, mas é utilizado, principalmente, nas indústrias ótica e eletrônica. Da montanha é proibido levar qualquer coisa.

 

O Monte Roraima recebe turistas do mundo inteiro, atraídos pelas características geológicas Como o fosso, por exemplo, uma cavidade na rocha com dez metros de profundidade e quinze de diâmetro, tendo no fundo uma grande piscina natural. A água da chuva penetra por fendas entre as rochas e se espalha pela montanha à dentro, circulando por uma rede de canais subterrâneos. Avistá-lo nem sempre é possível, já que uma névoa grossa o encobre na maior parte do tempo. As nuvens dão um ar de mistério à montanha, tornando o tempo imprevisível.

 

Para protegê-lo, criou-se em 28 de junho de 1989, através do decreto n° 97.887, o Parque Nacional do Monte Roraima, sancionado por José Sarney, então presidente da República do Brasil. Essa reserva ocupa uma área total de 116.000 hectares.