O lago Ness (Loch Ness), localizado nas montanhas do norte da Escócia, é um lago de água doce, de formato estreito e alongado, com cerca de 37 quilômetros de comprimento e área de 56,4km2. Com profundidade máxima de 226 metros, a visibilidade da água que contém é muito reduzida devido ao teor de turfa dos solos circundantes, levada até ele através das redes de drenagem.
Embora tenha se tornado conhecido no mundo inteiro graças às propaladas aparições de um animal fantástico batizado com o nome de monstro do Lago Ness - ou simplesmente Nessie, para os habitantes locais - são praticamente nulas as evidências científicas sobre a existência dessa criatura descrita por muitos como uma espécie de dragão marinho, o que não impede, porém, que seja uma atração turística.
Os rumores acerca de uma criatura estranha em Loch Ness datam de pelo menos 1500 anos, pois o primeiro registro sobre ela aparece no livro Vida de São Columbano, escrito no século 6 pelo próprio missionário irlandês, que viveu entre 543 e 615. Na obra em que fala de sua existência dedicada à divulgação da palavra divina, o monge afirma ter salvado, certa feita, um picto (primitivo habitante da Escócia) das garras do monstro, mas como mais adiante o religioso afirma ter matado um javali usando apenas o poder de sua voz, muita gente questiona, com ou sem razão, a credibilidade dos relatos que faz.
Em época mais recente (02 de maio de 1933), um cidadão chamado Alfred Cruickshank anunciou ter avistado no lago uma criatura estranha e assustadora, de dorso arqueado e com cerca de 3 metros de comprimento, aproximadamente. O inusitado acontecimento, que provocou a popularidade atualmente desfrutada por Nessie, foi divulgado pelo jornal Inverness Courir, de circulação local, através de uma reportagem sensacionalista onde o redator contava aos leitores que o casal Cruickshank afirmava ter visto nas águas do lago um monstro aterrorizante erguendo seguidamente o corpo acima da superfície e afundando-o novamente, assim como fazem os golfinhos, tendo esse procedimento durando alguns minutos. A notícia, como é natural, provocou tanta sensação que um circo anunciou estar disposto a premiar com 20 mil libras a quem capturasse a criatura.
Este oferecimento iniciou longa série de informações dadas por pessoas que afirmavam ter visto “o monstro”, e a mais famosa de todas foi apresentada em 19 de abril de 1934 pelo cirurgião R.K. Wilson, que comprovou a afirmativa feita mostrando uma fotografia (conhecida como Surgeon’s photo) tirada na ocasião. Durante muito tempo essa foto de Nessie foi considerada como a melhor das feitas até então, tendo circulado pela imprensa mundial como prova definitiva da existência real da estranha criatura. Só que décadas depois, em 1994, um cidadão chamado Marmaduke Wetherell confessou ter falsificado a fotografia para um repórter do Daily Mail (na verdade, o monstro era uma bóia), afirmando, também, que decidira usar o nome do doutor Wilson como sendo o autor para dar maior credibilidade ao embuste que engendrara.
Para muitos, o lago Ness (Loch Ness) é um lugar de inegável beleza, mas impregnado de mistério. Para essas pessoas, continua prevalecendo a certeza de que abaixo de sua superfície varrida pelo vento existe uma das mais profundas porções de água do mundo, um ambiente frio e amedrontador que esconde um grande mistério. Várias testemunhas afirmam já ter visto a criatura fantástica que supostamente lá existe, ao mesmo tempo em que fotos e vídeos produzidos em algumas oportunidades, mostram objetos estranhos na superfície da água.
A existência desse “monstro” aquático permanece sendo uma incógnita, provocando dúvidas e debates entre os crédulos e os incrédulos. Ele já foi descrito como um réptil marinho de grande corpulência, um exemplar dos plesiossáurios que habitaram a Terra no período mesozóico (de 286 a 65 milhões de anos), e que de alguma forma sobreviveu à extinção da sua espécie, mas sem que ninguém consiga explicar como chegou ao lago.
Esses répteis aquáticos tinham grandes dimensões, possuíam um pescoço grande em relação à cabeça, e se deslocavam com a ajuda de enormes membros em forma de barbatana. Por outro lado, os incrédulos argumentam que como seria impossível um único indivíduo sobreviver 65 milhões de anos, esta hipótese implicaria na aceitação da existência não de um monstro, mas de uma pequena comunidade, mas é sabido que as características do Loch Ness não parecem suportar a vida nem de um pequeno número destes enormes animais.
Outras explicações sobre a presença do monstro do lago Ness sugerem que as testemunhas provavelmente o teriam confundido com os esturjões, grandes peixes de aparência estranha que abundam no lago, tendo daí se originado a confusão. Há ainda quem relacione essas ocorrências aos gases liberados pela falha tectônica responsável pelo surgimento do lago, que podem chegar à superfície na forma de bolhas.
Em Julho de 2003, a BBC de Londres, pretendendo comprovar definitivamente a existência ou não do monstro, mandou realizar exaustiva investigação no lago. Este foi então percorrido de uma ponta à outra por mergulhadores e cerca de 600 sonares, mas sem resultado. Ao final, a emissora londrina concluiu que nada de anormal ali existe, mas nem isto desalentou os defensores de Nessie, que continua sendo um dos motores da indústria de turismo da região, atraindo ao Loch Ness um bom número de curiosos trazendo consigo a esperança de uma fotografia histórica.