PÉ-GRANDE

O Pé Grande é uma criatura misteriosa cuja presença vem sendo relatada há muitos anos na região denominada Cascade Mountain, no noroeste norte-americano, uma cadeia vulcânica que se estende do Canadá ao estado da Califórnia, paralelamente ao oceano Pacífico. Na verdade, porém, o Pé Grande já fazia parte do folclore indígena daquela região antes mesmo dos conquistadores europeus chegarem ao continente, sendo chamado pelas tribos americanas de windego, omah, yeahoh e outros nomes, e bigfoot ou sasquatch, pelos nativos do sudoeste da Columbia Britânica, no Canadá.

 

Os pesquisadores têm dedicado atenção especial ao Pé Grande norte-americano, cujas características, segundo descrição dos que afirmam já tê-lo visto, em muito se assemelha ao Abominável Homem das Neves, ou Yeti, outro ser misterioso que dizem viver na região do Himalaia, no Nepal, Ásia. A explicação dos estudiosos para essa semelhança física é de que as duas criaturas, caso existam realmente, descendem provavelmente de um animal pré-histórico, o gigantophitecus, que viveu na Àsia Central e sudeste asiático há mais de um milhão de anos. Um dos maiores primatas de que se tem conhecimento, essa criatura era aparentada com os orangotangos dos nossos dias, mas como possuía corpo grande e pesado, não poderia ser arborícola como estes, e por isso os seus hábitos se assemelhavam muito mais aos dos gorilas. O encontro de restos fósseis do Homo erectus nos mesmos locais onde foram achados os do gigantopithecus, todos datando do mesmo período histórico, permitem supor que os antepassados dos homens modernos podem ter contribuído para a extinção desta gigantesca espécie.

 

Das teorias sobre a presença de descendentes dos gigantophitecus em terras americanas, a mais aceita é a de que os seus ancestrais chegaram até elas da mesma forma como seres humanos e outras espécies animais também fizeram: valendo-se de uma porção de terra firma com aproximadamente 1.600 quilômetros de extensão, que juntou o Alasca e a Sibéria durante as glaciações. Sabe-se que as flutuações do nível do mar expuseram a Ponte Terrestre de Bering em vários períodos durante o Pleistoceno, uma etapa da evolução acontecida na Terra e ocorrida há um milhão de anos, da mesma forma como na glaciação de 35 mil anos atrás, ou, ainda, durante a mais recente, entre 22.000 e 7.000 anos.

 

Analisando os fósseis encontrados na Ásia, alguns antropólogos concluíram que os gigantophitecus eram de tamanho maior que os gorilas atuais, possuíam dentes muito parecidos com os dos humanos, e, sobretudo, que eles adquiriram a capacidade de suportar o frio e caminhar na neve sem dificuldade, ao longo dos milhares de anos de adaptação em regiões montanhosas de baixa temperatura.  Somente isso. Daí que não só a aparência, mas também as características físicas dos seus hipotéticos descendentes, foram imaginadas tomando como base as descrições feitas pelas muitas pessoas que afirmam tê-lo avistado algum dia, sempre nas proximidades da região fronteiriça entre Canadá e Estados Unidos, e que o dão como sendo uma criatura que usa suas duas pernas para caminhar em postura ereta, tendo em torno de 3 metros de altura, geralmente coberto de pêlos com coloração entre marrom e vermelho, e com feições que dão a impressão de serem uma mistura grosseira das de um ser humano e de um gorila.

 

A afirmativa de parte dessas testemunhas é a de que ele exala um forte cheiro desagradável, enquanto outras não fazem qualquer referência a esse pormenor. Da mesma forma como em alguns depoimentos se diz que o Pé Grande emite sons estranhos, parecidos com uivos, mugidos ou rosnados. Para confundir ainda mais as coisas, certas pessoas que juram por todos os santos ter vivido situação mais ou menos assemelhada, garantem que embora não tenham visto nada de anormal ao seu redor, ouviram, vindos da floresta, barulhos que em nada se pareciam com os produzidos por animais conhecidos, ao mesmo tempo em que tiveram a incômoda sensação de que estavam sendo observados.

 

A informação comum a todos os depoentes é a de que o Pé Quente é uma criatura pacífica e aparentemente solitária, isso porque não só estava desacompanhado nas vezes em que foi avistado, mas também porque os poucos rastros deixados por ele indicavam uma caminhada solitária, mas, ao que parece, com rumo certo, porque sempre apareciam em linha reta. Se por um lado sua desconfiança quanto aos homens pode ser considerada como extremada, de outro, a curiosidade sobre os mesmos não é menor, e por isso ele vive escondido em regiões de floresta, mas sem abandonar o hábito de observar o ser humano sempre que tem oportunidade para isso,  mantendo-se, porém, a uma distância que lhe permita retirar-se tão logo perceba ter sido avistado, embrenhando-se na mata e desaparecendo sem deixar sinal de para onde foi.

 

Para os incrédulos do mundo inteiro, a explicação mais adequada para as histórias que se contam sobre o Pé Grande, ou outros seres semelhantes, é a de que tudo não passa de alucinação - ou falsa identificação - de quem informa ter encontrado algum deles, principalmente porque nenhuma evidência concreta da sua existência jamais foi apresentada por técnicos ou curiosos. A não ser, é claro, o que restou dos gigantophitecus, que seriam, na opinião dos crédulos, os pais de todas as estranhas e misteriosas criaturas que nos mantém em estado permanente de dúvida. Será verdade o que se fala a seu respeito? Ou será mentira?