Chama-se “palavra” a combinação de sons pela qual podemos designar alguém ou alguma coisa. O balbucio inicial de uma criança que ainda não fala, não constitui palavra, mas se, por exemplo, ela diz “áua” quando quer beber, isso é uma palavra, embora não corresponda exatamente ao modelo (água) da fala adulta. Assim sendo, a palavra - ou vocábulo - é uma unidade da linguagem falada ou escrita que pode ser combinada com outras para formar frases. O termo palavra deriva originalmente do grego parabolé, tomada emprestada pelo latim, que gerou parábola.
As palavras são símbolos que expressam idéias, embora estas possam ser representadas de outras formas, como figuras, notas musicais, etc. Gramaticalmente, as palavras são classificadas conforme a espécie, flexão, forma, origem, acentuação e número de sílabas:
- Quanto à espécie, dividem-se em substantivo, adjetivo, pronome, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição.
- Quanto à flexão, em variáveis, cuja terminação se modifica a fim de exprimir os acidentes de gênero, número, grau ou pessoa, e invariáveis, cuja terminação não se modifica por não exprimirem aqueles acidentes, como o advérbio, a preposição, a conjunção e a interjeição.
- Quanto à forma, as palavras podem ser simples ou compostas, sendo as primeiras formadas de um só elemento vocabular (casa, rua, menino), enquanto as segundas têm a inclusão de dois ou mais elementos em sua constituição (beija-flor, contraveneno).
- Quanto à origem, dizem-se primitivas quando não provém de outra já existente na língua (casa, asa, rua), e derivadas, quando se formam de outras da mesma língua (policial, papelaria, literário).
- Quanto à acentuação, podem ser oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, conforme recebam acento tônico na última, penúltima ou antepenúltima silaba.
- Quanto ao número de sílabas, são consideradas monossílabas, dissílabas, trissílabas e polissílabas, caso sejam constituídas uma, duas, três ou mais sílabas, respectivamente.
A gramática - arte que ensina a falar e escrever corretamente – chama substantivos as palavras que indicam coisas, pessoas ou conceitos, existindo, em todos os idiomas, um grande número deles, sendo os mais imediatos aqueles que procuramos memorizar quando começamos a aprender uma língua. Um dicionário geralmente não inclui as derivações mais comuns das palavras – como as de gênero, número e grau -, a não ser que as diferenças entre masculino e feminino, singular e plural, aumentativo e diminutivo, impliquem em mudanças de significado.
Eles, os dicionários, registram, por exemplo, a palavra ”autor”, mas raramente incluem em sua relação de verbetes as variações “autorzinho”, ou “autora”. No caso, a palavra principal - autor - é chamada ”lexema”, cuja identificação é tarefa da “lingüística” descritiva. Em português, lexema é um conjunto de palavras de mesma classe que se distribuem de forma complementar e diferem entre si unicamente por sufixos flexivos, como cantar, cantei, cantamos, cantarias e cante, que compõem um lexema verbal.
“Palavra” é também um conceito intermediário entre ”morfema” e “sintagma”. Um morfema é a menor unidade gramatical que se pode identificar, o que não acontece com as palavras: em “infelicidade”, por exemplo, encontramos a combinação de três elementos menores: o prefixo “in”, o radical “felic” e o sufixo “idade”. Cada um deles é um morfema, e como não podem ser fragmentados, todos são unidades mínimas, sendo usados para construir outras palavras: no tocante ao prefixo “in”, também ocorre em "infeliz", "indistinto", "involuntário" e "insatisfeito"; o tema “feliz” aparece em "felicidade", "felizmente", "infelicitar" e "felizardo"; e o sufixo “idade” está presente em "velocidade", "castidade", "maioridade" e "habilidade".
Já o sintagma é uma unidade formada por uma ou várias palavras que, juntas, desempenham uma função na frase. A unidade sintagmática é considerada um agrupamento intermediário entre o nível do vocábulo, ou palavra, e o da oração. Desta maneira, um ou mais vocábulos se unem (em sintagmas) para formar uma unidade maior que é a oração (como em “o turista viajou” e “o turista viajou de trem para São Paulo”). Dessa forma, temos que a estrutura gramatical do português comporta vários níveis. O morfema é a menor unidade dessa estrutura; e o período, a maior. Acima do nível dos morfemas acha-se o dos vocábulos; acima deste, o dos sintagmas, a que se superpõe o das orações. Esquematicamente, temos, então: PERÍODO, ORAÇÃO, SINTAGMA, VOCÁBULO, MORFEMA".
Na linguagem oral, distinguir palavras individuais é ainda mais complexo. Palavras curtas são pronunciadas de uma só vez, enquanto que palavras mais longas requerem vários ciclos de respiração. O português falado em diferentes regiões do país, possui algumas das características de uma língua aglutinante. Em Minas Gerais, por exemplo, é muito comum a pergunta “aonde você vai?” se transformar em “oncevai”, da mesma forma como “dentro da pia” pode acabar virando “dendapia”.