No início da década de 1930, surgiram em diversos países frentes populares compostas por diferentes correntes políticas que sentiam a necessidade de uma atuação unificada para deter o avanço do nazi-fascismo. Também no Brasil, em reação ao crescimento da Ação Integralista Brasileira, formaram-se pequenas frentes antifascistas que reuniam comunistas, socialistas e antigos “tenentes” insatisfeitos com a aproximação entre o governo de Getúlio Vargas e os grupos oligárquicos afastados do poder em 1930.
No segundo semestre de 1934, um pequeno número de intelectuais e militares - entre os quais Francisco Mangabeira, Manuel Venâncio Campos da Paz, Moésia Rolim, Carlos da Costa Leite e Aparício Torelly – começou a promover reuniões no Rio de Janeiro com o propósito de criar uma organização política capaz de dar suporte nacional às lutas populares que então se travavam. Dessas reuniões surgiu o embrião da ANL, cujo primeiro manifesto público foi lido na Câmara Federal em janeiro de 1935. Poucas semanas depois, no dia 30 de março, em um grande comício realizado no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, celebrou-se, perante grande público, a sua criação oficial como organização política de âmbito nacional, cujo objetivo seria o de combater o fascismo e o imperialismo.
Constituiu-se nesse dia, em caráter provisório, o primeiro diretório nacional da ANL, que reunia, entre outros nomes, o de Herculino Cascardo (presidente), Amoreti Osório (vice-presidente), Francisco Mangabeira, Roberto Sisson, Benjamim Soares Cabello e Manuel Venâncio Campos da Paz. Na oportunidade, por sugestão de Carlos Lacerda, então estudante de Direito, Luiz Carlos Prestes, que se encontrava na União Soviética, foi aclamado presidente de honra da organização. Nessa época Prestes já aderira ao comunismo, e desfrutava de grande prestígio no país devido ao seu papel de líder da coluna que na década anterior havia tentado derrubar o governo federal pelas armas.
A adesão dos brasileiros à nova sociedade política foi bem grande, e muito embora o número exato dessas filiações jamais tenha sido divulgado, sabe-se que nos meses seguintes milhares de cidadãos associaram-se formalmente à ANL, entre eles pessoas que na época desfrutavam de prestígio e importância, como Miguel Costa, Maurício de Lacerda e Abguar Bastos, ao mesmo tempo em que outras personalidades declaravam seu apoio e simpatia ao movimento, tais como os ex-interventores Filipe Moreira Lima, do Ceará, e Magalhães Barata, do Pará, além do deputado federal Domingos Velasco, e o prefeito do Distrito Federal (então a cidade do Rio de Janeiro), Pedro Ernesto. Paralelamente, a entidade promoveu comícios e manifestações públicas em diversas cidades, tendo sua atividade divulgada por dois jornais diários, um do Rio, e outro de São Paulo, ligados diretamente a ela.
Em abril de 1935 aconteceu a volta clandestina de Luis Carlos Prestes ao Brasil, incumbido que fora pela direção da Internacional Comunista de promover no país uma revolução armada que possibilitasse a instalação de um governo revolucionário. Assessorava-o nessa tarefa um pequeno grupo de militantes estrangeiros, entre eles a alemã Olga Benário. O crescimento vertiginoso da ANL provocou a ocorrência de seguidos conflitos de rua entre comunistas e integralistas, o que aumentou a tensão no país. Até que no dia 5 de julho do mesmo ano, durante manifestações públicas promovidas pela organização esquerdista em comemoração ao aniversário dos levantes tenentistas de 1922 e 1924, foi lido um manifesto de Prestes propondo a derrubada do governo e exigindo ”todo poder à ANL’.
Alguns dirigentes da Aliança haviam se manifestado contrariamente a essa leitura, por considerar que a declaração continha uma confissão aberta e comprometedora sobre os verdadeiros objetivos da agremiação - a tomada do poder -, e que diante disso, a resposta de um governo autoritário como o de Getúlio Vargas, poderia ser bem mais violenta do que a princípio se poderia supor. E foi o que realmente aconteceu.
Preocupado com a grande repercussão provocada pelo manifesto lido em praça pública, o presidente da República recorreu à Lei de Segurança Nacional, promulgada em abril, para ordenar o fechamento da organização comunista, alegando que ela, por pregar a luta entre irmãos, representava uma séria ameaça à tranqüilidade vigente no país. E isso precisava ser evitado a qualquer custo. Dessa forma, colocada na ilegalidade, a Aliança Nacional Libertadora já não podia mais realizar grandes manifestações públicas, e com isso distanciou-se da massa popular que a apoiava e que com ela se entusiasmava.
Diante dessa situação, tornaram-se mais fortes e incisivas, dentro da organização, as pretensões dos membros do Partido Comunista e dos “tenentes” dispostos a deflagrar uma revolta armada para derrubar o governo (veja Intentona Comunista). Em 23 de novembro de 1935, estourou em Natal (RN) um levante militar que contou com o apoio da população, o que permitiu aos rebelados assumir o controle da cidade por quatro dias. Fora de Natal, onde chegou a ser instalado um governo revolucionário provisório, o levante seguiu o padrão de um golpe militar clássico, limitando-se a ataques de militares rebeldes a quartéis.
Outros movimentos similares ocorreram em Recife e no Rio de Janeiro. Nesta cidade, a insurreição se deu na Escola da Praia Vermelha, na Vila Militar e no campo dos Afonsos, mas foi considerado pelos analistas como um simples ato de lealdade dos conspiradores sediados na capital federal, já que eles tinham conhecimento de que lhe seria impossível revolucionar o país. Tanto que, agindo prontamente, o governo federal não teve qualquer dificuldade para dominar a situação de forma rápida e completa, iniciando, em seguida, intensa repressão contra os diferentes grupos de oposição existentes no país, estivessem eles vinculados ou não ao levante.
O resultado da reação governamental foi que a Aliança Nacional Libertadora, alvo principal dessa onda repressiva, foi inteiramente desarticulada.
Fonte: Fundação Getúlio Vargas - CPDOC