1922 - DEZOITO DO FORTE, OS

O levante de parte da guarnição militar do Rio de Janeiro, e de quase toda do estado de Mato Grosso, foi provocado pelo descontentamento popular diante dos governos federais que vinham se sucedendo, todos eles apoiados por latifundiários, sem que os eleitores tivessem condições de alterar essa situação através da manifestação de sua vontade soberana. Por isso reclamava-se, na época, tanto a adoção de um sistema eleitoral em que o voto se tornasse secreto, como também a aplicação imediata de outras providências que pudessem tornar o regime mais liberal, e como tal não acontecia, a insatisfação do povo transmitia uma efervescente inquietação ao meio militar. Em 1922, quando o presidente Epitácio Pessoa mandou fechar o Clube Militar e prender o seu presidente, Marechal Hermes da Fonseca, por este ter enviado em 22 de junho de 1922 um telegrama ao comandante  da Região Militar de Pernambuco, o que foi considerado como um ato de indisciplina, os acontecimentos se precipitaram.

 

Em 5 de julho do mesmo ano o Forte de Copacabana, o Forte do Vigia e a Escola Militar se sublevaram, tendo os alunos desta unidade de ensino marchado sobre a Vila Militar  esperando contar com a adesão das tropas ali sediadas. Mas como o levante ocorrido naquela unidade reuniu um número pequeno de militares, o restante da tropa dominou a situação com facilidade. A mesma coisa também aconteceu no Forte de Copacabana, e os revoltosos que lá restaram - cerca de dezoito - decidiram atacar as forças legais na praia, quando então morreram alguns componentes do grupo. Esse episódio dramático da história brasileira ficou sendo conhecido como o dos Dezoito do Forte (ilustração). O movimento rebelde na então capital federal durou apenas um dia. Enquanto isso, as forças aquarteladas no Mato Grosso, sob o comando do general Clodoaldo da Fonseca, que haviam apoiado os seus companheiros de farda do Rio de Janeiro, também não lograram êxito, o que provocou o completo fracasso do movimento de insubordinação deflagrado.

 

Sobre este episódio,  o site www.exercito.gov.br  publica o seguinte texto:

 

“O aprimoramento profissional da oficialidade do Exército, decorrente do surto de modernização que empolgou a Força Terrestre pós-Império, gerou, como subproduto, a politização das classes armadas, em especial a dos jovens oficiais. Começou a se corporificar no seio dos tenentes e capitães consciência revolucionária resistente à utilização do Exército como massa de manobra dos velhos políticos da “República do Café com Leite”. A vitória contumaz do candidato situacionista, fruto da "eleição a bico de pena" e dos "currais eleitorais" - o voto não era secreto - envolvia os pleitos em aura de suspeição, abalando, em muito, a credibilidade e a representatividade dos eleitos.

 

A oposição ao Presidente Epitácio Pessoa recrudescera em virtude da punição aplicada ao Marechal Hermes da Fonseca: ex-presidente da República, ex-Ministro da Guerra e presidente do Clube Militar. O fechamento deste pelo Governo, aliado ao célebre episódio das “Cartas Falsas” - que teriam sido escritas pelo candidato à presidência Arthur Bernardes e endereçadas ao político mineiro e Ministro da Marinha, Dr. Raul Soares - publicadas na imprensa, desgastou a classe política perante o Exército e fez transbordar o copo da paciência tenentista. Em 5 de julho de 1922, irrompe a Revolução. Não obstante a intensa articulação, o levante restringe-se às guarnições do Rio de Janeiro e de Mato Grosso.

 

No então Distrito Federal, os alunos da Escola Militar do Realengo seriam fácil e rapidamente derrotados pelas tropas aquarteladas na Vila Militar. Mas foi no Forte de Copacabana que a Revolução expôs sua natureza mística. Instados à rendição, militares e um civil, cada um com um pedaço da Bandeira Nacional junto ao coração, marcharam de peito aberto para enfrentar as forças legalistas. Esse gesto representou o supremo sacrifício de um punhado de jovens pelo mais puro ideal de regeneração da Pátria. Entre os “Dezoito do Forte” estavam os Tenentes Antônio de Siqueira Campos e Eduardo Gomes que sobreviveram à imolação de seus companheiros. Do ideário tenentista constavam, além da instituição do voto secreto, a obrigatoriedade do ensino primário e profissional, justiça gratuita e principalmente o saneamento político do País, considerando a “decadência moral, a desordem administrativa e as perturbações econômicas que ameaçavam devorar o futuro, depois de haverem arruinado o presente” (trecho do manifesto revolucionário).  

 

Seguiu-se violenta repressão: os alunos da Escola Militar foram expulsos e os tenentes revolucionários, presos e processados”.

 

Na ilustração acima, estátua na Praia de Copacabana (RJ), esquina da rua Siqueiea Campos,relembra o episódio dos Dezoito do Forte.