A criação de uma Academia de Letras foi imaginada no final do século 19, quando o conde Afonso Celso, escritor e poeta, e o escritor Medeiros e Albuquerque (o primeiro no império e o segundo já na república), pensaram em reunir um grupo de escritores para concretizar a idéia. Posteriormente, o prosador e poeta Lucio de Mendonça acreditou que poderia dar continuidade a esse projeto, porém desistiu à última hora, o que não diminuiu o interesse que outros literatos tinham pelo assunto.
Como esses outros continuaram alimentando tal intenção, as primeiras notícias sobre a fundação de uma Academia Brasileira de Letras foram publicadas na Gazeta de Notícias em 10 de novembro de 1896, e no dia imediato no Jornal do Comércio, revelando que a primeira sessão preparatória seria realizada em 15 de dezembro, na sala de redação da Revista Brasileira. Isso aconteceu, e nela o escritor Machado de Assis foi eleito para presidir a nova entidade. Em 28 de janeiro, compareceram à sétima e última sessão os escritores Araripe Júnior, Artur Azevedo, Coelho Neto, Filinto de Almeida, Graça Aranha, Guimarães Passos, Inglês de Sousa, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, José Veríssimo, Lúcio de Mendonça, Luiz Murat, Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Olavo Bilac, Pedro Rabelo, Rodrigo Otávio, Silva Ramos, Teixeira de Melo, Valentim Magalhães e Visconde de Taunay, além de Afonso Celso Júnior, Alberto de Oliveira, Alcindo Guanabara, Carlos de Laet, Garcia Redondo, conselheiro Pereira da Silva, Rui Barbosa, Sílvio Romero e Urbano Duarte, convidados que atenderam à convocação.
Eram trinta membros, mas para chegar aos quarenta, como acontecia na Academia Francesa, foram escolhidos Aluísio Azevedo, Barão de Loreto, Clóvis Beviláqua, Domício da Gama, Eduardo Prado, Luís Guimarães Júnior, Magalhães de Azeredo, Oliveira Lima, Raimundo Correia e Salvador de Mendonça. A 20 de julho de 1897, no Pedagogium (museu pedagógico criado em 1890 e transformado em 1897 num centro de cultura superior), localizado na Rua do Passeio, realizou-se a sessão inaugural com a presença de dezesseis acadêmicos. Daí em diante, as reuniões aconteceram nas instalações do Real Gabinete Português de Leitura, até que em 1923 a entidade recebeu seu abrigo permanente doado pelo governo francês, o belo palácio mostrado na ilustração acima. Para cada uma das quarenta cadeiras os fundadores escolheram os respectivos patronos, homenageando personalidades que marcaram as letras e a cultura brasileira, antes da fundação da Academia. São eles:
Adelino Fontoura, patrono da cadeira nº 1
Álvares de Azevedo, patrono da cadeira nº 2
Artur de Oliveira, patrono da cadeira nº 3
Basílio da Gama, patrono da cadeira nº 4
Bernardo Guimarães, patrono da cadeira nº 5
Casimiro de Abreu, patrono da cadeira nº 6
Castro Alves, patrono da cadeira nº 7
Cláudio Manoel da Costa, patrono da cadeira nº 8
Gonçalves de Magalhães, patrono da cadeira nº 9
Evaristo da Veiga, patrono da cadeira nº 10
Fagundes Varela, patrono da cadeira nº 11
França Júnior, patrono da cadeira nº 12
Francisco Otaviano, patrono da cadeira nº 13
Franklin Távora, patrono da cadeira nº 14
Gonçalves Dias, patrono da cadeira nº 15
Gregório de Matos, patrono da cadeira nº 16
Hipólito da Costa, patrono da cadeira nº 17
João Francisco Lisboa, patrono da cadeira nº 18
Joaquim Caetano da Silva, patrono da cadeira nº 19
Joaquim Manuel de Macedo, patrono da cadeira nº 20
Joaquim Serra, patrono da cadeira nº 21
José Bonifácio, patrono da cadeira nº 22
José de Alencar, patrono da cadeira nº 23
Júlio Ribeiro, patrono da cadeira nº 24
Junqueira Freire, patrono da cadeira nº 25
Laurindo Rabelo, patrono da cadeira nº 26
Maciel Monteiro, patrono da cadeira nº 27
Manuel Antônio de Almeida, patrono da cadeira nº 28
Martins Pena, patrono da cadeira nº 29
Pardal Mallet, patrono da cadeira nº 30
Pedro Luís, patrono da cadeira nº 31
Araújo Porto Alegre, patrono da cadeira nº 32
Raul Pompéia, patrono da cadeira nº 33
Sousa Caldas, patrono da cadeira nº 34
Tavares Bastos, patrono da cadeira nº 35
Teófilo Dias, patrono da cadeira nº 36
Tomás Antônio Gonzaga, patrono da cadeira nº 37
Tobias Barreto, patrono da cadeira nº 38
Francisco Adolfo de Varnhagen, patrono da cadeira nº 39
Visconde do Rio Branco, patrono da cadeira nº 40
Os membros da Academia Brasileira são eleitos por maioria absoluta e voto secreto. A sucessão se dá com a morte de um acadêmico, e o novo representante toma posse em sessão solene, na qual todos vestem o fardão verde com galões dourado. A eleição para a presidência ocorre anualmente, no mês de dezembro, com qualquer membro tendo direito a concorrer, inclusive o ocupante da presidência, que só pode ser reeleito uma vez. A candidatura de mulheres foi aprovada em 1976, com Rachel de Queiroz sendo a primeira eleita. Só podem candidatar-se a uma vaga na Academia os brasileiros natos que tenham publicado obras de reconhecido valor cultural, mas na prática, parte dos membros tem atuação política ou destaque social tão ou mais relevante que sua produção literária.
A Academia dedica-se a elaborar vocabulários e dicionários da língua portuguesa, a analisar e a referendar mudanças gramaticais ou ortográficas e a publicar obras inéditas ou antologias de escritores nacionais. Desde 1909, a instituição distribui prêmios para as categorias poesia, ficção, ensaio, crítica e história literária; além do Prêmio de Literatura Infantil e Machado de Assis (pelo conjunto da obra). A sede da ABL fica no Rio de Janeiro, em um edifício no centro da cidade, doado pelo governo francês em 1923.