ECLIPSE

Entre os povos da antiguidade, o fenômeno do eclipse era acompanhado de grandes temores. Para os chineses, por exemplo, ele seria causado por um dragão que tentava engolir o Sol. Já para os antigos noruegueses, ele ocorria quando dois lobos gigantes perseguiam o Sol e a Lua, quase conseguindo devorá-los. Em muitos casos o fenômeno chegava a influenciar o desenrolar dos acontecimentos: o historiador grego Heródoto (485-420 a.C.), por exemplo, relata o papel político de destaque desempenhado pelo eclipse de 28 de maio de 585 antes de Cristo (data calculada modernamente), quando combatentes medas e lídios, dirigindo-se para o campo de batalha após cinco anos de lutas, presenciaram o eclipse solar ocorrido naquela data. Alarmados com o fenômeno, os dois lados resolveram depor as armas e esquecer as rixas.

 

A palavra eclipse vem do grego e significa deixando de aparecer. De fato, ele ocorre quando a visibilidade de um corpo celeste é diminuída ou eliminada, tanto em função de sua penetração na zona de sombra de outro corpo celeste, como pela interposição de um destes corpos entre o observador e o corpo eclipsado. Como exemplo do primeiro caso, no qual o corpo eclipsado é sempre não luminoso, pode-se citar o da Lua, bem como o dos satélites de Júpiter. Os eclipses solares se devem à interposição de um corpo celeste, o mesmo ocorrendo em relação às estrelas ocultas pela Lua, às passagens de Vênus e Mercúrio em frente do disco solar, à ocultação de uma estrela por outra nas binárias (sistema composto por duas estrelas muito próximas uma da outra, e que aparentam ser apenas uma). Os tipos mais conhecidos de eclipse, porque de efeito mais marcante, são os do Sol (que chega a atemorizar até mesmo os animais) e da Lua.

 

Quando a Lua, em seu movimento ao redor da Terra, fica entre esta e o Sol (como na ilustração acima), de forma a projetar sua sombra sobre o planeta terrestre, ocorre o eclipse solar. Essa sombra é formada por duas partes: a primeira, denominada umbra, é uma região de sombra total que apresenta a forma de um cone não atingido pelos raios solares. A região terrestre abrangida por ela assiste a um eclipse total do Sol que não dura mais do que sete minutos e meio. A segunda, chamada penumbra (ou meia sombra), é atingida apenas por uma parte da luz solar, já que a outra fica bloqueada pela Lua. Alguém colocado na zona de penumbra verá apenas um eclipse parcial do Sol. Como a umbra cobre uma área menor da Terra, o eclipse total é observado por número limitado de pessoas. Além disso, este tipo de eclipse é mais raro, pois a Terra pode mesmo ser atingida por uma zona de penumbra sem que a umbra a cubra.

 

Num eclipse parcial do Sol, os centros dos dois discos nunca chegam a coincidir aparentemente, nem atingem uma distância suficientemente pequena entre si para que possa ocorrer um eclipse total. Mesmo no ponto de máxima ocultação do disco solar, ainda resta um setor luminoso (semelhante à Lua nas fases crescente e decrescente). Além disso, durante um eclipse parcial comum, o obscurecimento do Sol não é particularmente notável, tanto que para observá-lo é necessário munir-se de vidros bem esfumaçados, ou de chapas fotográficas escurecidas pela excessiva exposição à luz.


Outro tipo de eclipse solar é o chamado eclipse anular (ilustração ao lado), que ocorre quando a Lua, em relação à Terra, está em seu ponto mais afastado, e o Sol no mais próximo, de forma que o disco lunar aparente seja menor que o solar. Neste caso, quando a Lua passa pelo Sol, cobrindo-o, o que fica visível é apenas um anel luminoso compreendido entre as circunferências dos dois discos.

 

O eclipse lunar ocorre quando a Lua se move na sombra da Terra. Neste caso, é o planeta terrestre que se interpõe entre seu satélite e o Sol. Para que o eclipse ocorra a Lua deve ser cheia e estar colocada, com relação à Terra, em posição oposta à do Sol. Nessas circunstâncias, é a Terra que projeta as regiões de umbra e penumbra. Quando a Lua penetra nesta última, ocorre o chamado eclipse de penumbra, durante o qual a luminosidade do satélite diminui tão pouco que o fenômeno pode passar despercebido. Do momento em que a Lua começa a penetrar na umbra, até quando esta a cobre inteiramente, ocorre o chamado eclipse parcial, que dura cerca de uma hora. O eclipse total se desenrola enquanto a Lua está inteiramente mergulhada na umbra (aproximadamente uma hora e 45 minutos). A partir do momento em que o satélite emerge da umbra, ocorre um novo eclipse parcial que se transformará, em seguida, em outro eclipse de penumbra.

 

Mesmo durante o eclipse total, a Lua nunca fica completamente escura, embora a luminosidade que apresenta nestas ocasiões seja quase imperceptível. Ao contrário do eclipe solar, que só pode ser observado nas regiões em que a umbra e a penumbra encontram a Terra, os eclipses lunares podem ser vistos de qualquer região do globo em que a Lua esteja acima do horizonte.

 

Os eclipses dos quatro maiores satélites de Júpiter ocorrem quando eles se ocultam atrás do planeta; ou quando desaparecem ao entrar na sua sombra. Esses eclipses tiveram papel importante na elaboração de um método de determinação da velocidade da luz.  

 

O eclipse total do Sol apresenta grande interesse científico, já que possibilita o estudo das camadas mais externas da atmosfera solar, facultando, entre outras coisas, a comprovação da teoria da relatividade de Albert Einstein quanto à deflexão provocada na luz das estrelas próximas ao disco solar quando passam pelo campo gravitacional do Sol. Dados astronômicos sobre eclipses antigos e recentes permitiram também determinar variações muito pequenas nos movimentos da Terra e da Lua.

 

Para os historiadores, o cálculo astronômico das datas de ocorrência de eclipses na antiguidade tem sido um importante instrumento de trabalho, principalmente para a obtenção de datas cronológicas precisas, Da mesma forma, um dos primeiros passos importantes na história da ciência foi a previsão de futuros eclipses do Sol e da Lua.

 

Fonte: Enciclopédia Abril