Em 11 de agosto de 1710, o corsário Jean-François Duclerc, comandando uma esquadra enviada pelo rei da França contra o Brasil, em conseqüência do auxílio prestado por Portugal à casa da Áustria, na questão da sucessão ao trono espanhol, apresentou-se na barra do Rio de Janeiro com cinco navios e mil homens de desembarque, mas tendo sido repelido pelos canhões da fortaleza de Santa Cruz, que o impediram de entrar na baía, foi desembarcar os seus soldados na praia de Guaratiba, poucos quilômetros ao sul. O governador da província, Francisco de Castro Morais, organizou a resistência, e os invasores foram derrotados dentro do Rio de Janeiro por tropas improvisadas compostas de estudantes comandados por Bento de Amaral Coutinho, e outros paisanos chefiados por frei Francisco de Meneses, que obrigaram Duclerc a capitular em 19 de setembro de1710, depois de ter tido a maioria dos seus homens massacrada pelos defensores. Uma vez preso, Duclerc comprometeu-se a não sair da cidade, mas acabou sendo assassinado por dois homens embuçados.
Em virtude desse ataque a coroa portuguesa decidiu que, dali em diante, o melhor a fazer seria fortalecer o sistema defensivo da colônia aumentando o patrulhamento naval em suas águas territoriais, mas como essa providência acarretaria um aumento de despesas que Lisboa não estava disposta a pagar, o problema foi resolvido da forma mais simples, ou seja, com a decretação de uma taxa de 10% ad valorem sobre as mercadorias que o reino exportava para o Brasil, exigência essa que se juntou a outra cobrança imposta pouco tempo antes: a do pagamento de um tributo que variava de três a seis cruzados, por cada escravo adquirido na África. Nessa mesma época, a taxa exigida sobre o alqueire de sal (cerca de 14 quilos) também foi elevada, passando de 480 para 720 réis.
Em outubro de 1711, época em que Salvador ainda era a capital brasileira, o novo governador-geral do Brasil, Pedro de Vasconcelos de Souza, chegou à Bahia para anunciar as novas taxas criadas pela metrópole. Ao fazê-lo, indignou de tal forma os populares reunidos em praça pública, que daí surgiu um movimento de rebeldia liderado por João de Figueiredo da Costa, vulgo Maneta, comerciante local, e o juiz do povo, D. Lourenço de Almeida. Essa manifestação começou com a distribuição e afixação de cartazes por toda a cidade, nos quais se lia que a população baiana prestaria homenagem a um outro rei, caso os tributos fossem realmente cobrados. Em seguida, na medida em que o número de reclamantes aumentava, maior também se tornava a agitação, e a conseqüência imediata foi que o povo invadiu o estabelecimento comercial de Manuel Dias Figueiras e seus sócios, detentores do monopólio da importação de sal em Salvador, quebrando os móveis lá encontrados e distribuindo a quem quisesse toda a mercadoria estocada nos armazéns.
Em seguida, e então já contando com a adesão da guarnição militar, a turba avançou contra o palácio do governador-geral com a intenção de depredá-lo. Foi quando surgiram os religiosos irmãos do Sacramento da Fé, tendo à frente o arcebispo D. Sebastião Monteiro de Vide, em procissão levando o Santíssimo pelas ruas da cidade. Com os isso os ânimos se acalmaram, e em pouco tempo os tumultos cessaram por completo.
A revolta alcançou em parte o seu objetivo, porque além do governador prometer que nem as taxas seriam cobradas, nem o sal majorado, os principais líderes do movimento foram todos perdoados. Apesar da promessa, três anos depois, quando D. Pedro Antônio de Noronha, marquês de Angeja, assumiu o cargo do governador-geral, os tributos voltaram a ser cobrados, e dessa vez sem qualquer reação popular.
Sobre esse episódio histórico, o site www.almacarioca.com.br apresenta o seguinte registro:
Este fato, apesar de pouco divulgado, não é segredo e consta de diversos livros de história. Foi incluído por ser interessante e talvez desconhecido por muita gente. Em 1710 o Rio de Janeiro foi invadido pelos franceses liderados por Jean François Duclerc. E a batalha foi inevitável. Foi aí que Santo Antônio de Pádua apareceu, lutando ao lado dos nossos soldados. Estes, com tão importante reforço, foram levados à vitória. Os frades franciscanos construíram um oratório em homenagem ao santo no Convento de Santo Antônio (ilustração). O Exército Brasileiro, como forma de agradecer tão valiosa ajuda, fez dele um soldado, com direito a soldo e promoções periódicas. Isso durou 200 anos. Somente em 1910 o pagamento foi suspenso.