No início do século 19, Portugal recusou-se a aplicar o bloqueio continental ordenado por Napoleão contra os navios ingleses, e por isso sofreu em 1807 a primeira invasão francesa. Esse ataque motivou o embarque apressado da família real para o Brasil, que o príncipe regente D. João (sua mãe, Dona Maria I, enlouquecera em 1792) elevaria em 1815 à categoria de reino unido ao de Portugal e Algarves. Em 1811 os franceses já haviam sido expulsos de Portugal, mas a permanência de D. João no Brasil permitiu que a administração do território metropolitano português sofresse forte influência do embaixador inglês em Lisboa. Essa intromissão provocou grande desagrado popular e fez eclodir, em agosto de 1820, a revolução do Porto, que repeliria os ingleses de forma definitiva.
Após o sucesso do seu movimento a assembléia revolucionária em Lisboa passou a exigir o regresso do soberano, ao mesmo tempo em que ensaiava medidas para recolonizar o Brasil como forma de superar as dificuldades econômicas que enfrentava. Cedendo a essas pressões Dom João retornou a Portugal em 1821, deixando em seu lugar, como regente, seu filho, o príncipe-herdeiro D. Pedro (ou Pedro de Alcântara Francisco Antonio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon). Mas pouco tempo depois a corte portuguesa também insistiu para que ele voltasse a Lisboa, porque assim o Brasil retomaria a sua antiga condição de colônia. Em razão disso, os novos decretos aprovados em Portugal ordenavam não só a saída de D. Pedro do Brasil, mas também a exclusão de brasileiros dos governos provinciais, do comando das armas e de qualquer cargo de autoridade política ou militar, além de determinar a obediência das províncias a Lisboa e não mais ao Rio de Janeiro e a extinção dos tribunais do Rio. Em 1821, o governo português aumentou as taxas alfandegárias sobre as mercadorias importadas da Inglaterra, pretendendo com isso recuperar o monopólio comercial sobre o Brasil. No mesmo ano, as Cortes enviaram tropas ao Rio de Janeiro e Pernambuco, para reforçar a vigilância na Colônia.
Para convencer D. Pedro a permanecer, o presidente do Senado, José Clemente Pereira, acompanhado de uma numerosa delegação organizada pela Câmara do Rio de Janeiro, entregou ao príncipe-regente, no dia 09 de janeiro de 1822, o manifesto do povo contendo cerca de oito mil assinaturas, no qual era solicitada a sua permanência em terras brasileiras. Acatando o desejo popular D. Pedro decidiu permanecer no Brasil, e em razão disso declarou na oportunidade, ao grupo de pessoas que lhe foi entregar o abaixo-assinado, a frase que se tornou famosa: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico". Por isso aquela data ficou conhecida como sendo o Dia do Fico.
A atitude de Dom Pedro motivou manifestações de regozijo popular (na ilustração, a aquarela Aclamação de D. Pedro) que aconteceram durante vários dias, até que as tropas portuguesas, sob a chefia do general Jorge Avilez, se rebelaram. Isso porque após ter decidido permanecer no país, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram à metrópole, já que preparavam caminho para a independência. Entre elas, o príncipe regente convocou uma Assembléia Constituinte (que só foi se reunir um ano depois), formou um novo ministério que agrupava brasileiros e portugueses, mas sob a chefia do brasileiro José Bonifácio de Andrada e Silva, organizou a Marinha de Guerra e obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino. Além disso, também determinou que nenhuma lei vinda de além-mar seria colocada em vigor sem o " cumpra-se ", ou seja, sem a sua aprovação.
A decisão de dom Pedro de desobedecer as Cortes Portuguesas foi o início do rompimento das relações do governo brasileiro com o governo português. A partir daí os acontecimentos se precipitaram e o Brasil caminhou rapidamente para sua independência.