A abrilada foi um movimento revoltoso pernambucano que teve como objetivo a recondução de D. Pedro I ao trono do Brasil. Os relatos mais conhecidos sobre esse episódio dizem que seu início ocorreu na capital daquela província em 14 de abril de 1832, sob a liderança do tenente-coronel Francisco José Martins. Já no interior do mesmo estado a agitação foi levada avante por Domingos Lourenço Torres Galindo, Vicente Ferreira de Paula (que chefiava os rebeldes vindos de Alagoas como fugitivos da perseguição provocada por outra insurreição conhecida como Cabanada), Caetano Alves e mais alguns. Estes rebeldes do interior eram chamados simplesmente de cabanos, porque moravam em cabanas, e por isso, quando a revolução se tornou conhecida em outras regiões do país, ela também ficou sendo chamada de Guerra dos Cabanos.
Como os cabanos adotavam a tática das guerrilhas, surgindo inesperadamente em pequenos grupos e desaparecendo logo em seguida, sem nunca enfrentarem as tropas legalistas em combate aberto e direto, as forças do governo comandadas pelo coronel Joaquim José Luis de Souza, mesmo sendo em número superior a 6 mil homens, não conseguiram dominar a revolução pela força. Diante desse impasse o coronel achou por bem recorrer ao bispo de Pernambuco, D. João da Purificação Marques Perdigão, pedindo-lhe que interviesse na questão, e este então se dirigiu ao interior para encontrar-se com Vicente de Paula, chefe dos revoltosos, persuadindo-o a fazer a paz, a qual foi finalmente assinada em novembro de 1835.
No site memorialpernambuco.com.br, que trata da história daquele estado nordestino, lê-se que “Em 14 de abril de 1832 começa nova insurreição nos sertões de Pernambuco e Alagoas, a Abrilada, que exige a restauração de dom Pedro I. Os sediciosos ocuparam o bairro do Recife no dia 14 e no dia 15 começaram os confrontos que se estenderam por quase uma semana. Estudantes do curso jurídico de Olinda atenderam a uma convocação e reforçaram as forças do governo. Os rebeldes usam táticas de guerrilha e, apoiados por escravos fugidos, camponeses e por índios da região resistem aos contingentes enviados pelo governo. A luta prossegue mesmo depois da morte de dom Pedro I, em 24 de setembro de 1834.. É controlada apenas em 1835, com a mediação do bispo João da Purificação Marques Perdigão”.
Já o da Secretaria Municipal de Maragogi, cidade alagoana onde se desenrolou parte desse episódio histórico, aproveita informações do historiador Dirceu Lindolfo para revelar que “A Guerra dos Cabanos começou como um movimento restaurador armado, que tinha por objetivo trazer de volta ao trono do Brasil, o Imperador D. Pedro I, que renunciara e voltara a Portugal. A guerra inicia-se entre maio e junho de 1832, com os levantes de Antônio Timóteo de Andrade, em Panelas de Miranda, no agreste pernambucano, e João Batista de Araújo, na praia de Barra Grande, hoje povoado do município de Maragogi, Alagoas”.
“Em 26 de Outubro de 1832, tropas provinciais matam em combate, no reduto do Feijão, o líder Antônio Timóteo de Andrade, enquanto o Almirante Tamandaré prende o líder João Batista de Araújo em sua casa, na praia de Barra Grande. Entre novembro de 1832 e Janeiro de 1834, a chefia da guerra passa para as forças populares, sendo o comandante geral Vicente de Paula líder supremo da Insurreição Cabana. Unificou a chefia insurrecional e buscou apoio dos negros Papa-Méis, que viviam fugidos da escravidão nas matas. Iniciou os ataques aos engenhos-de-açúcar para libertar os negros escravos. Por um curto período teve o apoio dos índios kariri, das aldeias de Jacuipe, dos índios fulniô de Águas Belas, dos índios Xucuru de Palmeiras dos Índios, dos índios Garanhuns e dos índios de Escalas”.
“Os primeiros arraiais guerrilheiros são erguidos nas matas de Imbiras, Barra de Piabas e Piabas. Os cabanos, numa manobra guerrilheira tentam tomar o povoado da Barra Grande, mas são postos em fuga pelas tropas provinciais acantonadas ali. E recuam sob forte tiroteio até o povoado de Gamela (hoje cidade de Maragogi), e de lá chegam à praia de São Bento, onde cabanos feridos se curavam dos ferimentos à bala. Ocorre então a matança de São Bento, tendo as tropas provinciais morto à bala e à facada todos os cabanos encontrados. Os negros papa-méis (assim chamados os negros escravos que fugiam da escravidão dos engenhos e se escondem nas matas) aderem à insurreição e mudam os rumos da guerra: lutam os cabanos agora pela libertação dos escravos, atacando inclusive os engenhos de açúcar e ocupam terras onde constroem seus arraiais guerrilheiros. A guerra termina em Janeiro de 1850, quando foi preso Vicente de Paula nas matas do Mato Frio pelas tropas provinciais e enviados ao presídio de Ilha de Fernando de Noronha. Morreu no engenho Marvano, em Jacuipe”.