1944 - FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA - FEB

A FEB, Força Expedicionária Brasileira, foi enviada pelo Brasil à Europa para lutar ao lado dos Aliados, contra o Eixo, na Segunda Guerra Mundial. Constituída em agosto de 1943 e entregue ao comando do general-de-divisão João Batista Mascarenhas de Morais, ela adotou como emblema uma cobra fumando, em alusão àqueles que diziam que era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil participar da guerra.

 

Durante a fase de estruturação da FEB diversos oficiais brasileiros foram enviados aos Estados Unidos para se familiarizar com os métodos militares norte-americanos. No final de 1943, ficou decidido que o destino do corpo expedicionário brasileiro seria o teatro de operações do Mediterrâneo, razão pela qual o 1º Escalão da FEB, chefiado pelo general Zenóbio da Costa e composto de aproximadamente cinco mil homens, desembarcou na Itália em julho de 1944. Pouco depois, em setembro, foi a vez dos 2º e 3º Escalões, comandados, respectivamente, pelos generais Osvaldo Cordeiro de Farias e Olímpio Falconière da Cunha. Até fevereiro de 1945 ainda chegariam à Itália mais dois escalões, além de um contingente da Força Aérea Brasileira (FAB) com cerca de quatrocentos homens, sob o comando do major-aviador Nero Moura. Ao todo, o Brasil enviou à Itália pouco mais de 25 mil homens.

 

As forças brasileiras integraram-se ao 5º Exército norte-americano, comandado pelo general Mark Clark, que por sua vez fazia parte do 10º Grupo de Exércitos Aliados. O objetivo maior dos Aliados na Itália, naquele momento, era manter o exército alemão sob pressão, de modo a não permitir que seus comandantes deslocassem tropas para a França, onde se preparava a ofensiva final das forças aliadas no ocidente.

 

As primeiras vitórias da FEB ocorreram em setembro de 1944, com a ocupação de Massarosa, a tomada de Camaiore e a queda de Monte Prano. No início de 1945 as tropas brasileiras participaram da conquista de Monte Castelo, Castelnuovo e Montese, mas em 2 de maio as hostilidades cessaram em terras italianas, em virtude da capitulação do último corpo de exército alemão Logo depois, em 8 de maio, a guerra chegou ao fim na Europa, com vitória dos Aliados e a rendição definitiva da Alemanha. Regressando ao Brasil, os pracinhas da FEB foram recepcionados com grande entusiasmo popular. A volta dos brasileiros que combateram na Itália sem dúvida precipitou a queda de Vargas e o fim do Estado Novo, inaugurando uma nova fase de redemocratização na história do país.

 

Exatamente sete meses e 19 dias foi quanto durou a campanha da FEB na Itália. De 16 de setembro de 1944, quando um batalhão do 6° Regimento de Infantaria iniciou a marcha que redundaria nas conquistas de Camaiore e Monte Prano, até 2 de maio de 1945, dia em que a ordem de cessar fogo foi expedida pelo comando do 4° Corpo do 5º Exército americano, ao qual a Força Expedicionária era subordinada, os soldados brasileiros se empenharam em várias batalhas. Eles lutaram em duas frentes. A primeira, na região do rio Serchio durante o outono de 1944, e a segunda no vale do rio Reno, em plena cordilheira apenina. Aí, e por mais de dois meses, os integrantes da FEB enrentaram um inverno rigoroso sob o fogo constante do inimigo, mas mesmo assim alcançaram seus maiores feitos: as conquistas de Monte Castelo, em 22 de fevereiro de 1945, a de Montese, em 14 de abril, além do aprisionamento, em 28 de abril, da 148ª Divisão Alemã, de remanescentes de uma Divisão de Infantaria Italiana e de forças blindadas do Afrika Korps.

 

A missão mais importante que coube a FEB foi, sem dúvida, a tomada de Monte Castelo. A elevação, dominada pelos alemães, era uma posição estratégica que impedia ao 4º Corpo de Exército o prosseguimento de sua marcha até Bolonha, objetivo maior do comando das Forças Aliadas na Itália. No dia 24 de novembro de 1944 foi feita a primeira ofensiva. Depois de se apoderarem do monte Belvedere, ao lado de Castelo, os brasileiros sofreram uma violenta contra-ofensiva alemã que os obrigou a abandonar as posições já conquistadas. No dia 29 os Aliados iniciaram a segunda ofensiva a Monte Castelo, igualmente barrada pelos regimentos de infantaria alemães. No dia 12 de dezembro iniciou-se o também frustrado terceiro assalto dos expedicionários brasileiros a Monte Castelo, que não durou mais de cinco horas. Mesmo assim, as vanguardas da FEB conseguiram chegar além da metade do caminho programado.

 

O dia 19 de fevereiro de 1945 foi a data estabelecida pelo comando do 5º Exército para o início de nova ofensiva, que ficaria conhecida como Operação Encore. Nela seriam empregadas todas as forças do 4º Corpo de Exército, visando expulsar o inimigo do vale do rio Reno e persegui-lo até o vale do rio Panaro. A missão dos brasileiros seria desalojar os alemães de Castelnuovo de Vergato, do Monte Soprassasso e, mais uma vez, de Monte Castelo. A grande vitória finalmente ocorreu em 21 de fevereiro.

 

Do início de março a meados de abril de 1945, houve um período de menor número de operações. O comando aliado organizava, então, o plano final da campanha da Itália, a chamada Ofensiva da Primavera, destinada a levar com rapidez à derrota definitiva as forças alemãs e italianas. Foi estabelecido que caberia à FEB seguir na direção de Vignola, o que veio a acarretar os vitoriosos ataques a Montese e Zocca. A partir dessas vitórias iniciou-se a perseguição aos alemães que batiam em retirada. Seguiram-se o cerco a Colecchio, Fornovo di Taro, a rendição de divisões inimigas e a corrida para o vale do Pó. Prosseguindo em direção a Turim, os brasileiros ocuparam a cidade de Alessandria, em 30 de abril.

 

De 8 de maio - data da rendição da rendição da Alemanha e portanto do fim da guerra na Europa - até 3 de junho a FEB foi empregada na ocupação militar do território conquistado e começou a preparar seu retorno ao Brasil, l. Quando o 1° Escalão regressou ao Brasil, em 18 de julho de 1945, 454 mortos, ficaram enterrados no cemitério brasileiro localizado na cidade de Pistóia, perto de Florença.

 

Fonte: Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro CPDOC – Fundação Getúlio Vargas