Vivendo em florestas da América do Sul, do leste da Colômbia até o norte de Argentina e Paraguai, a anta, ou tapir, maior mamífero terrestre do Brasil, é um animal forte, mas de temperamento pacífico. Tímida, seu costume é o de ficar escondida na floresta durante o dia, só saindo à noite para alimentar-se com frutos, folhas, caules, brotos, plantas aquáticas, cascas de árvores e grama que encontra nas margens dos rios, mas invadindo, também, sempre que as encontra, as plantações existentes em áreas ribeirinhas (arroz, milho, soja, etc), causando sérios prejuízos aos agricultores. Não se conhece com exatidão até onde vai a longevidade de uma anta em seu ambiente natural, mas em cativeiro, nos zoológicos, elas podem alcançar os 29/30 anos.
O formato do seu corpo não tem similar entre as outras espécies animais, pois a aparência é a de um porco com pés de rinoceronte, a cauda e olhos são pequenos, crina sobre o pescoço, orelhas móveis como as do cavalo, couro resistente e forte, cascos de boi, e pequena tromba móvel no focinho, lembrando a dos elefantes, que lhe permite farejar, apalpar e arrancar ramos e folhagens, ajudando-a a alimentar-se. Seu peso médio alcança os 250 quilos, o comprimento é de 2,20m (nas fêmeas) e 2,00m (nos machos), e a altura de 1,10m.
Quanto à reprodução, a anta atinge a maturidade sexual entre os dois e três anos de idade: uma vez fecundada, a fêmea atravessa um período de gestação que dura de 390 a 400 dias, ao final do qual ela busca um refúgio apropriado para parir sua única cria, que possui, ao nascer, uma coloração diferente da dos adultos: são malhados, isto é, ornados com quatro ou cinco linhas longitudinais, paralelas, um pouco tremidas, além de apresentar traços intermediários e manchinhas irregulares nas pernas e na cabeça. Só depois do sexto mês, quando a anta nova já tem mais de um metro de comprimento, o colorido se torna uniforme.
Os filhotes são aleitados pela mãe até o final da lactação, e aos dezoito meses de idade já têm a aparência dos adultos. Esse ciclo reprodutivo se repete a cada dezoito meses. Durante os períodos de acasalamento os machos atraem as fêmeas com assobios estridentes, e a cópula entre os dois pode ocorrer tanto dentro, como fora da água. Depois, cada um vai para o seu lado.
A anta possue visão muito fraca e normalmente percebe apenas objetos em movimento. Em compensação, sua audição e olfato são muito desenvolvidos, o que faz com que os seus sistemas de percepção e comunicação sejam baseados nos sinais acústicos e nos odores que flutuam no ar. Quando surpreendida ou ameaçada, a anta normalmente mergulha na água ou se esconde entre arbustos fechados, mas sendo um animal de força extraordinária, pode, ao se sentir acuada, atravessar na corrida o mato mais trançado: ao ser perseguida pelos cães ela avança em carreira desabalada pela vegetação à dentro, levando de roldão tudo o que se interponha em seu caminho de fuga. Outra característica sua é que nada muito bem, conseguindo andar no fundo de rios e lagoas tal como fazem os hipopótamos africanos.
Texto sobre ela, publicado em www.animalivre.uol.com.br, diz que “a anta vive nas matas, nas proximidades de rios e lagoas, é vegetariana, alimentando-se de frutas e folhas. Tem quatro dedos na mão e três no pé. Sua gestação dura 14 meses(...) A anta antigamente indicava pessoa sagaz, esperta, mas depois, na concepção popular, o vocábulo passou a ser sinônimo de tolo, como aconteceu a quem habitava a aldeia, o aldeão.
E com relação aos que moravam na vila, o vilão, serviu para indicar o covarde, a quem o herói sempre vence, porque é mais astucioso do que ele e luta no lado certo no clássico e eterno combate entre o bem e o mal. Pobrezinha da anta! Boba, ela não é! Mas com a urbanização do Brasil, caipiras e matutos que conviviam com a anta no meio rural, passaram a ser concebidos como incapazes intelectualmente. E para isso, quem os ofendia, não se sabe bem por quais razões, passou a associá-los às antas. Mas pode-se dizer que ela, também conhecida como tapir, ainda arranjou tempo - entre tantos percalços e sobressaltos na luta pela própria sobrevivência - para dar sua contribuição à engenharia brasileira: várias de nossas estradas seguiram o traçado de seus caminhos”.
Muito embora ainda não se possa considerar como ameaçada de extinção, a anta vem perdendo cada vez mais espaço em suas áreas de sobrevivência, em virtude, principalmente, da devastação incontrolada que acontece nas florestas brasileiras, sob os olhares complacentes das autoridades. E para piorar as coisas, ela também é vítima de predadores naturais, como a onça e a sucuri, ou então do homem, que por apreciar a sua carne saborosa costuma sair à sua procura, para matá-la. Isso quando não o faz simplesmente por esporte, por prazer ou por sadismo estúpido, para depois mostrar aos amigos, como troféu, a fotografia do animal indefeso abatido pela bala mortífera da arma de fogo usada pelo inconseqüente.