Movimento revolucionário que agitou o Maranhão em dezembro de 1838. Segundo o historiador Caio Prado Júnior, "na origem deste levante, vamos encontrar as mesmas causas que indicamos para as demais insurreições da época: a luta das classes médias, especialmente a urbana, contra a política aristocrática e oligárquica das classes abastadas, grandes proprietários rurais, senhores de engenho e fazendeiros, que se implantara no país”.
A revolta teve origem na luta travada entre dois partidos políticos: o dos liberais, ou bem-te-vis, nome tirado de um periódico por eles publicado, e o dos conservadores, ou cabanos. Uma das versões que a explicam diz que a causa acidental do problema foi a nomeação do presidente da província, dr. Vicente Pires de Figueiredo Camargo, que logo após ser empossado colocou-se ao lado dos conservadores, um dos grupos em luta política. Irritados, os liberais insuflaram Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, um mestiço vendedor de balaios e por isso mesmo conhecido como Ferreira Balaio, e também por Raimundo Gomes, que era um criminoso por eles protegido, a reunir um bom número de homens e invadir a vila de Manga, como forma de desafiar as autoridades. Tomando conhecimento do ocorrido o presidente Camargo mandou uma força composta por poucos soldados para desalojar os insurretos, mas estes já se haviam reunido na Vila do Brejo em número superior a mil, e por isso não se intimidaram.
Novo presidente foi nomeado para a província, o Dr. Manuel Felizardo de Souza Melo, que tão logo empossado tratou de atacar os revoltosos, mas sem obter nenhum resultado positivo. A partir daí o movimento rebelde engrossou, e ante a gravidade da situação a Regência enviou Luis Alves de Lima e Silva, mais tarde duque de Caxias, para ocupar a presidência da província e sufocar definitivamente a rebelião, que a essa altura já se alastrava pelas províncias do Piauí e Ceará, havendo mesmo alguns grupos chegado até Goiás. O novo presidente tomou posse em 7 de fevereiro de 1840, e ambos os partidos procuraram atraí-lo para a sua causa. Mas Caxias lançou uma proclamação em que se declarava mais militar que político, e asseverava ignorar os nomes dos partidos acaso existentes. E tratou de acossar os rebeldes por todos os lados, desbaratando-os de forma definitiva, dissolvendo o quilombo do Brejo, e anunciando em janeiro de 1841 que a província estava pacificada. Com o advento da Maioridade de D. Pedro II foi decretada a anistia a todos os rebeldes, e por isso Raimundo Gomes assinou termo de retirada do Maranhão por um período de oito anos e foi residir em São Paulo. A Balaiada, também chamada Revolução dos Balaios, teve seu nome derivado da atividade exercida por um dos seus líderes.
Mas esse episódio da história maranhense tem outra explicação. Segundo ela, o grupo bem-te-vi representava a população urbana contrária aos abusos dos proprietários de terras e aos comerciantes portugueses. Os conflitos entre bem-te-vis e cabanos agravaram-se após a votação da "lei dos prefeitos", pela qual os governantes locais, os prefeitos, passaram a ter poderes imensos, inclusive o de autoridade policial. Os cabanos, que estavam no poder, conseguiram maior controle da Província, nomeando seus partidários para o cargo de prefeitos, o que redundou em perseguição aberta aos bem-te-vis. No Maranhão, onde negros e mestiços constituíam a maior parte da população, a insatisfação social era grande, e por isso, conforme aponta o historiador Arthur César Ferreira Reis, milhares de negros fugidos escondiam-se nas matas, de onde saíam para rápidas e violentas incursões nas propriedades agrárias. Esse movimento de insubordinação logo escapou do controle das camadas dominantes, transformando-se num levante dos setores mais humildes da Província.
Os que apóiam esta segunda versão dizem que início da revolta ocorreu em dezembro de 1838, quando Raimundo Gomes passava pela vila da Manga levando uma boiada. Nessa ocasião, muitos dos homens que o acompanhavam foram recrutados (o recrutamento obrigatório não era visto com bons olhos pela população porque recaía basicamente sobre os menos favorecidos, obrigados a servir, a qualquer momento, nas forças policiais ou militares) e seu irmão aprisionado sob a acusação de assassinato. Inconformado com o que acontecera Raimundo invadiu a cadeia e libertou seu irmão e outros presos, sem que guarda reagisse. Ao contrário, aderiu. A partir daí o movimento expandiu-se celeremente, pois o insurreto foi reunindo mais e mais seguidores, inclusive os negros dos quilombos, e tornaram-se tão fortes que m 1839 os balaios tomaram Caxias, a segunda cidade mais importante da Província.
Alojados, os rebeldes organizaram um Conselho Militar, formaram uma Junta Provisória da qual participavam elementos bem-te-vis da cidade, e enviaram uma delegação a São Luís, levando ao presidente da Província sua proposta para pacificação: anistia aos revoltosos, revogação da "lei dos prefeitos", pagamento das forças rebeldes, expulsão dos portugueses natos e diminuição de direitos aos naturalizados, além da instauração de processo regular para os presos existentes nas cadeias. Diante disso o governo provincial solicitou ajuda ao Rio de Janeiro, e em 1840 o coronel Luís Alves de Lima e Silva, futuro Barão de Caxias, nomeado para a presidência da Província e acumulando o comando das armas, chegou com 8 mil homens, sufocando a rebelião em curto espaço de tempo. No ano seguinte, em 1841, um decreto imperial concedeu anistia aos revoltosos sobreviventes. Ao entregar o Governo do Maranhão a seu substituto, em 13 de maio de 1841, Caxias afirmou: "Não existe hoje um só grupo de rebeldes armados, todos os chefes foram mortos, presos ou enviados para fora da Província".
A repressão à Balaiada marcou o início da chamada "política da pacificação", pela qual Caxias sufocou as agitações que ocorreram durante o Império.