1930 - DEPOSIÇÃO DE WASHINGTON LUIS

A questão sucessória (relativa à presidência da República) só fez agravar a situação a partir de 1929, na medida em que Washington Luís, pretendendo assegurar a continuidade de sua política econômico-financeira, demonstrava interesse em escolher para substituí-lo o paulista Júlio Prestes. Reagindo às intenções continuIstas do Catete, Minas Gerais aproximou-se do Rio Grande do Sul, sugerindo o lançamento de uma candidatura gaúcha.

 

As negociações se estenderam de janeiro a junho de 1929. Getúlio Vargas (no centro da foto), presidente do estado do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Fazenda de Washington Luís, era cogitado por mineiros e gaúchos para candidatar-se à presidência da República. Embora não desautorizasse as articulações oposicionistas em torno de seu nome, tentava a todo custo obter do governo federal o endosso à sua indicação. Contudo, face à insistência de Washington Luís em manter a candidatura de Júlio Prestes, Minas e o Rio Grande firmaram um pacto secreto no dia 17 de junho de 1929, concertando o apoio a Vargas.

 

Em seguida, tentaram obter a adesão de Pernambuco, Bahia e do estado do Rio de Janeiro, oferecendo-lhes em troca a vice-presidência. A proposta foi finalmente aceita pela Paraíba, e em 20 de setembro de 1929 realizou-se no Distrito Federal a convenção que fundou a Aliança Liberal, lançando as candidaturas de Vargas e do presidente paraibano João Pessoa à presidência e à vice-presidência da República.

 

Entre outros pontos, o programa da Aliança Liberal incluía o voto secreto e a anistia, questões que suscitaram considerável mobilização popular. A campanha iniciou-se em São Paulo, e após um grande comício realizado na esplanada do Castelo, no Rio de Janeiro, uma caravana percorreu o Norte e o Nordeste, sendo recebida com ruidosas manifestações.

 

Paralelamente às negociações de caráter eleitoral, os "tenentes" oriundos dos levantes da década de 1920 e elementos mais radicais das dissidências oligárquicas articulavam-se visando desencadear um novo movimento revolucionário. Com a aproximação das eleições, realizadas em 1º de março de 1930, a idéia da revolução foi deixada de lado. Entretanto, Vargas foi derrotado nas urnas, e candidatos paraibanos e mineiros à Câmara foram "degolados", isto é, não tiveram sua eleição reconhecida. Diante de tais fatos, os entendimentos entre políticos e "tenentes" foram retomados e intensificados.

 

A impossibilidade de contar com dois dos principais líderes tenentistas, Luís Carlos Prestes que, exilado em Buenos Aires, rompeu com a Aliança Liberal em maio de 1930, e Siqueira Campos, morto em um acidente no mesmo mês, provocou uma retração no movimento, que só foi reativado depois que João Pessoa foi assassinado por João Dantas em Recife, no dia 26 de julho.

 

Durante os meses de agosto e setembro, preparou-se o movimento nos diversos estados, foram escolhidas as lideranças e a chefia do estado-maior da revolução foi entregue ao tenente-coronel Góis Monteiro. Nesse período, conseguiram-se várias adesões importantes à causa revolucionária, inclusive a de Borges de Medeiros que, em seguida às eleições de março, concedera uma entrevista à imprensa reconhecendo publicamente a derrota da Aliança Liberal.

 

Após ter sido marcada para agosto e setembro e depois cancelada, a revolução finalmente eclodiu no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais às cinco e meia da tarde do dia 3 de outubro, hora escolhida por Osvaldo Aranha em função do fim do expediente nos quartéis, o que facilitava a ação militar e a prisão dos oficiais em suas casas. O Rio Grande do Sul foi rapidamente dominado pela insurreição, e grandes contingentes ultrapassaram a divisa do estado, tomando em poucos dias Santa Catarina e o Paraná e estacionando às portas do estado de São Paulo.

 

Em Minas Gerais, apesar da resistência oferecida pelo 12º Regimento de Infantaria, sediado em Belo Horizonte, e de alguns núcleos na região da Mantiqueira, o movimento foi amplamente vitorioso, e forças revolucionárias mineiras se deslocaram para o Espírito Santo, ocupando Vitória. No Nordeste, um equívoco em relação à hora marcada para o início do movimento possibilitou a organização da defesa governista em algumas cidades, dificultando as ações, iniciadas apenas na madrugada do dia 4. Ainda assim, em pouco tempo os revolucionários conseguiram controlar os estados de Pernambuco e Paraíba, marchando depois na direção da capital da República.

 

Em meados de outubro, a revolução já era vitoriosa em quase todo o país, restando apenas São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pará sob o controle do governo federal. As tropas legalistas instalaram seus quartéis-generais na Bahia e em São Paulo, na tentativa de deter o avanço dos revolucionários vindos do Nordeste e do Sul. Entretanto, no dia 24 de outubro Washington Luís foi deposto da presidência da República, instalando-se no poder uma junta governativa composta pelos generais Tasso Fragoso e João de Deus Mena Barreto, e pelo almirante Isaías de Noronha. Desse modo, cessou toda a resistência, que era mais forte na região de Itararé, divisa entre Paraná e São Paulo (acima, gaúchos no obelisco do Rio de Janeiro).

 

No dia 28 de outubro, chegaram ao Rio de Janeiro Osvaldo Aranha e Juarez Távora, a fim de conferenciar com a junta sobre a composição do novo governo. No mesmo dia, as forças gaúchas e paranaenses entraram no estado de São Paulo, enquanto parte do comando militar revolucionário chegava à capital paulista. Na madrugada do dia 31, o chefe supremo da revolução, Getúlio Vargas, desembarcava no Rio de Janeiro, onde foi alvo de inúmeras homenagens. Em 3 de novembro de 1930, um mês após a eclosão do movimento revolucionário, Getúlio Vargas chegava ao poder, como chefe do Governo Provisório da República.

 

 Fonte:- CPDOC – Fundação Getúlio Vargas