Tato é a faculdade que os homens têm de perceber e conhecer sensações como as de dor, pressão, forma, temperatura, seco, molhado e outras mais, através de diversas células sensoriais que recebem o nome de sentidos cutâneos. O toque nos faz sentir o tato através da pele, revestimento externo do corpo que tem grande sensibilidade devido à existência de incontáveis receptores neurológicos localizados bem na superfície, em toda a sua extensão.
Entre os animais o sentido do tato também está presente. As toupeiras que habitam a América do Norte, Europa e Ásia, onde vivem no subsolo, enterradas em tocas e galerias, têm sensores táteis nas duas extremidades do corpo – uma adaptação lógica para arrastar-se por túneis escuros. Devido ao modo como vivem, elas são cegas (total ou parcialmente), e por isso os pêlos que lhes guarnecem o focinho e arrematam a cauda são embutidos em células receptivas de tato. Qualquer movimento desses pêlos - seja por vento ou por toque - alerta o animal da aproximação de perigo ou de uma fonte de comida, como um verme, por exemplo. Quando ela se movimenta no túnel, mantém a cauda ereta para que os pêlos toquem o teto, pois isso, ao que parece, lhe dá informações sobre o tamanho e a forma do local onde está.
O rato-toupeira-pelado, única espécie do seu gênero, só é encontrado no leste africano (ilustração acima). Ele possui sangue frio, tem o corpo cor-de-rosa, abriga-se sob o solo e é um mamífero escavador praticamente careca, muito mais assemelhado a uma salsicha enrugada que a um rato ou toupeira. Os poucos fiapos duros e sensíveis ao toque que possui no corpo, servem para guiá-lo ao longo do caminho nos túneis escuros de seu habitat. Os olhos cegos desse animal são sensíveis a correntes de ar, sendo usados por ele para encontrar túneis danificados e refazer o caminho desse deslocamento de ar pelos buracos.
Quanto aos peixes, eles têm um sexto sentido que lhes permite detectar a presença de outros animais aquáticos antes de qualquer contato visual ou físico. Essa capacidade lhes é proporcionada por um órgão chamado linha lateral, que sente mudanças de pressão causadas por movimento na água a uma distância de até cinco vezes o tamanho do seu corpo. O sistema é composto por uma fileira de receptores de pressão embutidos em um tubo que corre pelos dois lados do corpo do peixe. Esses receptores possuem um canal de comunicação com o meio externo, são ligados internamente ao sistema nervoso, e suas funções relacionam-se com os sentidos, tal como detectar movimentos na água (de predadores ou presas), auxiliar na locomoção em ambientes de pouca visibilidade e com obstáculos, permitindo aos peixes que nadam em cardumes efetuarem as mudanças de direção sincronicamente, e outros mais. Por esse meio o peixe pode perceber os movimentos de uma presa, de predadores ou parceiros em potencial, e também sentir a direção do fluxo da corrente.
A linha lateral é de enorme importância para os peixes com visão fraca. Os pulmonares (como a pirambóia, o pirarucu e o peixe elétrico) quase não percebem a forma ou movimento e reagem basicamente à luz e ao escuro, mas em compensação, são muito sensíveis ao cheiro, à pressão, à vibração e ao toque. As linhas laterais, com complexos padrões conforme cada espécie, cobrem sua cabeça e captam mensagens na água. Os peixes pulmonares africanos e sul-americanos também são munidos com barbatanas longas e esguias que eles movimentam o tempo todo, mas embora elas não sirvam para impulsioná-los na água, funcionam como uma bengala de cego, ajudando-os a perceber o caminho à sua volta.
A pele da maioria dos animais é sensível ao toque; só as partes mais duras, como as conchas e chifres, são insensíveis a tudo. Mesmo animais simples, como as lesmas-do-mar, têm essa sensibilidade. Na verdade, elas não contam com muito mais que a sua pele para perceber o mundo à sua volta, pois sua audição e visão são mínimas. As células receptivas de um animal concentram-se, em geral, nas partes sensíveis do corpo, como a ponta da tromba do elefante, e são normalmente estimuladas por pêlos que se curvam a uma influência externa, como uma brisa.
Mas nos primatas (homens, gorilas e macacos), as mãos, os pés e a língua, que não têm pêlos, é que são especialmente sensíveis. Na ponta da língua humana há cerca de 200 células de toque concentradas numa área com um quarto de tamanho de um selo postal. Devido a essa concentração, a língua pode facilmente sentir duas pontas de lápis separadas a uma distância de apenas meia cabeça de alfinete. Mas na mucosa detrás da língua, onde há menos células de toque, as pontas parecem fundir-se, mesmo quando distantes cerca de 6,5cm, uma da outra.
Os primatas usam, sobretudo, a ponta dos dedos para sentir. A sensibilidade das mãos humanas permitiu ao homem conceber e usar instrumentos, assim como manipular alimentos, mas apesar dessa importância, as pontas dos dedos só têm a metade dos receptores de toque existentes na língua, que embora sejam demasiado sensíveis, não resistem ao contato áspero. Os macacos selvagens têm um monte de receptores de toque nas pontas dos dedos, que os ajudam na tarefa delicada que é a da limpeza dos pêlos (ilustração acima).
Alguns macacos, como o sul-americano, têm uma pequena área sem pêlos, de pele sensível, na parte inferior da cauda preênsil (que agarra). Esse quinto membro é tão sensível ao toque como as mãos e os pés do animal, e consegue pegas objetos pequenos como amendoins.