Os maiores assassinos marinhos, os tubarões, encontram-se em seu atual estado de perfeição evolucionária há cerca de 63 milhões de anos. A uma distância de 1,6km, ou mais, ele pode ouvir e localizar precisamente sons de baixa freqüência que indicam uma agitação na água, como um peixe se debatendo. A cerca de 400m pode farejar baixas concentrações de sangue, ou outros fluidos corporais na água, e seguir o cheiro até a sua fonte (na ilustração ao lado, um tubarão-martelo).
Utilizando a fila de detectores ao longo dos lados de seu corpo, ele compara mínimas diferenças no fluxo da corrente e nada em direção a ela para localizar sua vítima. Seus olhos são dez vezes mais sensíveis à luz fraca que os dos homens e, mesmo na escuridão quase total, ele pode ver o movimento da presa a oito metros de distância. Quando está se dirigindo rapidamente para a superfície, pode desativar seu sistema de adaptação ao escuro e acostumar-se instantaneamente à claridade. Mas ao aproximar-se para o ataque, o tubarão nada quase cego, pois, conforme a espécie, seus olhos são cobertos por uma membrana ou desaparecem nas órbitas protetoras.
Nessa hora, um impressionante sentido assume o comando – o de detectar atividade elétrica. Através de receptores localizados em seu focinho o tubarão pode perceber insignificantes correntes elétricas causadas pela contração muscular - como a batida de um coração – no corpo da vítima. É o sentido máximo de ataque guiando-o em sua última arrancada em direção à presa. Isso talvez explique porque, algumas vezes, os tubarões atacam barcos. Eles não buscam seus ocupantes, mas são atraídos pelas fracas correntes elétricas produzidas pelas peças de metal imersas na água. Em resposta ao estímulo, o predador reage instintivamente - abre as suas mandíbulas e ataca a fonte dos sinais.
Esse sistema de percepção elétrica também é usado pelos tubarões-martelo para detectar presas escondidas, tais como arraias-lixa (na ilustração) e linguados enterrados na areia do fundo do mar. O formato curioso de sua cabeça é o segredo do sucesso desse caçador – sensores elétricos distribuem-se por toda sua testa com formato de um martelo e guiam-no precisamente até a presa escondida. A sensibilidade aos fracos sinais elétricos também pode explicar como um grupo de tubarões-martelo é capaz de se reunir todas as manhãs no mesmo recife, após caçar solitariamente durante a noite. Pensa-se, também, que eles conseguem localizar seu local de encontro ajustando-se ao campo geomagnético da terra.
Para algumas espécies de peixe, localizar a presa, matá-la, evitar obstáculos e comunicar-se com os vizinhos, são atividades que envolvem eletricidade. As arraias e seus parentes, os tubarões, têm receptores elétricos no focinho, com os quais detectam o alimento enterrado. Alguns peixes podem, inclusive, gerar a sua própria eletricidade. As arraias-torpedo dos mares tropicais e temperados, as enguias-elétricas sul-americanas, e os peixes silurídeos de água doce africanos, como o bagre, têm músculos modificados geradores de altas voltagens que atordoam e até matam sua presa.
Algumas espécies, como o peixe-elefante, conhecidas como peixes-elétricos fracos, para se orientarem nas águas escuras dos lagos e rios onde habitam geram uma fraca corrente elétrica em torno do corpo. Se o campo for interrompido eles sabem que há um obstáculo ou uma presa a ser capturada. Essa corrente lhe permite reconhecer amigos, inimigos ou comida nas águas lamacentas. As arraias-ixa usam sensores elétricos para detectar presas.
A fim de obterem maiores informações sobre o mesmo, algumas espécies, como o peixe-faca africano, podem direcionar seu sistema de percepção elétrica: enrolando a cauda nos objetos dentro d’água, concentrando neles o campo elétrico que geram, para interrogá-los. Esses peixes podem conversar entre si através de sinais elétricos. Cada espécie tem seu próprio padrão de sinais que contêm informações sobre sua identidade, sexo e idade, bem como a disponibilidade para acasalamento ou capacidade de defender um território. Durante as conversações, os níveis de pulso elétrico sobem violentamente, num padrão de ataque.
A primeira vez que os cientistas do Museu de História Natural de Londres receberam a pele seca de um ornitorrinco (ilustração acima), em 1799, acharam que se tratava de uma brincadeira. Também, não era de admirar – um animal com cauda de castor, pele de toupeira, pés espalmados de sapo e bico como o do pato, era realmente inacreditável. Mas o que eles não sabiam era que aquele mamífero ovíparo, ou monotremado, do leste da Austrália, tinha receptores elétricos e táteis ao longo do bico.
Quando anoitece, o ornitorrinco deixa a toca onde passa o dia, na margem do rio, e desliza para dentro d’água, a fim de caçar. Uma vez lá dentro, seus olhos, orelhas e nariz fecham-se, e ele nada efetivamente cego, usando o bico como uma sonda elétrica para vasculhar as margens do rio em busca de comida: minhocas, larvas de insetos aquáticos, pequenos camarões-de-água-doce, jovens lesmas d’água e, de vez em quando, um sapinho ou peixe nadando na água lamacenta.