BANANA

 A banana é conhecida pelo homem desde tempos remotos, precedendo mesmo o milenar cultivo do arroz. Segundo o historiador Plínio (23-79), os gregos que viajaram com Alexandre Magno por volta de 350 antes de Cristo, admiravam-se com uma estranha fruta que encontraram na Índia, a banana, dizendo dela que era de extraordinária virtude. Oriunda do sul da Ásia oriental, mas encontrada hoje em todos os países de clima quente e úmido, a bananeira é uma planta que não pode ser cultivada em climas mais frios porque sua tolerância a temperaturas próximas a zero grau é baixa. É por essa razão que as geadas castigam duramente as plantações.

 

A banana chegou ao continente americano em 1516, vinda da África para São Domingos, na ilha Espanhola, Caribe (hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana), sendo introduzida no Brasil por portugueses que a trouxeram da Guiné. Na América ela encontrou condições climáticas mais favoráveis que em suas zonas de origem, assumindo enorme importância econômica no continente. Os indígenas americanos a adotaram como alimento, e assim as zonas tropicais do Novo Mundo rapidamente se recobriram de bananeiras. No Brasil, sua cultura se distribui hoje por quase todo o país, excetuando-se as regiões mais áridas no nordeste e as mais frias do sul. Seus tipos mais conhecidos - como a nanica, prata, maça e ouro – são da família Musa paradisíaca, grupo que possui 80 espécies, nem todas comestíveis.

 

Existem outras famílias que possuem variedades ornamentais usadas em jardins e praças públicas, além da Musa textilis, conhecida pelos nomes de cânhamo-de-manila, ou bananeira-de-corda, que mesmo não sendo comestível tem maior importância econômica porque fornece importante matéria-prima para a cordoaria: com suas fibras são feitos os cabos usados em todo o mundo para amarrar os navios nos portos, preferência devida não só à sua enorme capacidade de resistência à tensão, mas também porque dificilmente se deterioram sob ação da água doce ou salgada.

 

A banana é uma planta herbácea de grandes dimensões. Seu caule subterrâneo (rizoma) se desenvolve horizontalmente, saindo dele, e para cima, de dez a trinta folhas cujas bainhas vão se sobrepondo e formando o pseudocaule, ou tronco da bananeira, que pode ter de 2 a 6 metros de altura, com folhas enormes, facilmente dilaceradas pelo vento. Quando o pé de banana floresce, surge do pseudocaule um ramo com numerosas flores, cujos ovários se transformam em frutos independentemente da fecundação e formação de sementes. Isso acontece com as que estão mais próximas da base da inflorescência, porque as mais distantes não desenvolvem seus ovários e acabam caindo. As pequenas manchas escuras encontradas bem no centro do fruto são restos de óvulos não fecundados. De três a quatro meses após o aparecimento das flores os cachos já estão maduros.

 

A reprodução da bananeira não pode ser feita por meio de sementes, visto que elas não existem. Todavia, o rizoma subterrâneo presta-se à multiplicação, e pedaços dele que contenham uma ou mais gemas (onde surgem os brotos) podem servir para a reprodução assexuada da planta.

 

Embora não seja um alimento de alto valor energético, a banana é de fácil digestão, rica em sais minerais e constitui uma boa fonte de vitaminas. Quando madura, contém 74% de água, 20% de carboidratos (açúcares), 1,5% de gorduras e 2% de proteínas. Em estado natural é adequada à alimentação de pessoas de saúde delicada, podendo ser ingerida de várias formas: cozida, assada, seca, em compota, em doce. É aproveitada também na forma de farinha e flocos obtidos pela moagem da fruta seca.

 

Saudáveis, nutritivas e saborosas, as bananas são um dos melhores lanches naturais. A fruta é colhida ainda verde, e quando conservada em temperatura ambiente, amadurece em alguns dias. Entretanto, o processo pode ser acelerado se colocada em um saco plástico ou papel, junto com uma maçã. Por serem leves, fáceis de digerir e dificilmente causarem alergia (só 2% das pessoas podem tê-la), são indicadas como um dos primeiros alimentos para bebês.

 

As bananas são superadas apenas pelos abacates (ricos em gordura) como fontes frutíferas de potássio, um mineral que contribuiu para a função muscular adequada. Os pacientes que usam medicamento diurético para combater a pressão alta, geralmente são aconselhados a comer duas ou três bananas por dia, para ajudar a repor esse mineral eliminado na urina. Fonte relativamente boa de vitamina B6, uma banana média (115g) fornece um terço das necessidades diárias recomendadas de potássio, e 10%, ou mais, de vitamina C e ácido fólico, vitamina do complexo B que atua na produção e manutenção das células, sendo importante nos períodos em que ocorra rápida divisão celular, tais como na infância e na gestação.

 

No Brasil são cultivadas e consumidas mais de 30 espécies de bananas, sendo que as mais conhecidas são a banana-prata e a banana-d’água. A primeira é muito saborosa sendo consumida madura e crua, enquanto a segunda é mais apreciada quando adicionada ao cozido de carne com legumes, um prato de origem portuguesa, muito popular em nosso país. Outras espécies conhecidas são a banana-nanica, a banana-ouro, a banana-maçã, a banana-figo e a banana-da-terra, ou plátano. Quando assada, frita ou servida como guarnição, esta última também fica deliciosa em sopas, cozidos e com carne.

 

Segundo dados de 2003 da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, entre os países produtores de banana os mais importantes (em relação à tonelagem exportada) são a Índia, Equador, Brasil, China e Filipinas. Segundo o engenheiro agrônomo João Caetano Fioravanço, pesquisador da Fepagro – Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária, no Rio Grande do Sul, "o grande volume de banana comercializada nos mercados mundiais pode ser explicado por vários fatores, entre os quais destacam-se: a possibilidade de produção continuada durante todo o ano; o elevado rendimento por hectare e ciclo reduzido de cultura; a facilidade de manejo e armazenamento da fruta verde; e a simplicidade e rapidez do armazenamento. Além disso, análises recentes mostraram que a banana está se convertendo cada vez mais em uma mercadoria intensamente intercambiável  em alguns mercados, como o europeu, por exemplo”.