KIWI

Fruto de uma trepadeira da família das acrinidáceas, o kiwi, por fora, parece ser um ovo marrom coberto por pêlos minúsculos, mas, por dentro, sua reluzente polpa de coloração esverdeada é salpicada por um anel de minúsculas sementes pretas. Ele possui um sabor diferente, meio azedo, que o distingue de outras frutas.

 

Originária do sul da China, onde cresce de forma silvestre nas margens dos rios e nas orlas sombreadas dos bosques, pode alcançar até 9 metros de altura. O gênero ao qual pertence tem mais de 50 espécies, das quais a maioria é composta por plantas ornamentais, e só algumas comestíveis.

 

A história da fruta kiwi na alimentação humana começa há mais de 700 anos no vale do rio Yang-tse, onde os povos daquela época consideravam-na uma iguaria refinada, e por isso mesmo destinada aos membros da corte imperial. Entre 1800 e 1900 o conhecimento de sua existência se espalhou por outros países, e em 1906 algumas sementes suas foram para a Nova Zelândia, cujos plantadores a rebatizaram com o nome de sua ave nacional. Anos depois, em 1962, os neozelandeses começaram a exportar parte de sua produção para os Estados Unidos.

 

O kiwi já foi considerado uma fruta exótica, mas agora é cultivado em diversos outros países, tornando-se, por isso, cada vez mais abundante. É colhido verde e pode ser armazenado em frigorífico por um período de seis meses, ou pouco mais, sendo encontrado, portanto, durante grande parte do ano. Quando maduro, pode ser comido em seu estado natural, inclusive com a casca, bastando que para isso dela sejam raspados os pêlos que possui.

 

No Brasil, tornou-se uma fruta consumida em larga escala a partir do início da década de 1990, o que incentivou o seu cultivo principalmente no interior do estado de São Paulo. Desde então passou a ser consumida também na forma de suco, e em seguida apareceram os sorvetes industrializados, muito apreciados durante a época de verão.  Por causa de seu belo aspecto visual as fatias de kiwi têm sido utilizadas para enfeitar tortas de frutas, assim como pequenos doces vendidos em padarias e confeitarias. Essa mesma característica transformou o kiwi em um ingrediente obrigatório nas saladas de frutas servidas em restaurantes.

 

O kiwi é rico em vitamina C, sendo considerado o fruto comercial com maior quantidade dessa substância orgânica. Uma fruta grande, com peso médio de 113 gramas, contém cerca de 100 miligramas de vitamina C, nutriente essencial para a vida. Além do mais, a boa combinação entre os níveis das vitaminas A e E que possui, pode diminuir o risco de doenças cancerosas e circulatórias, incluindo as coronárias, além de melhorar o desempenho do sistema imunológico. A vitamina B6 e a niacina, também conhecida como vitamina B3, vitamina PP ou ácido nicotínico, são encontradas em porções menores que as outras, mas ainda assim significativas.


Alguns dos seus elementos minerais, como o cálcio, o magnésio, o ferro e especialmente o potássio, contribuem para equilibrar a tensão arterial e aumentam as defesas do organismo na prevenção das gripes e resfriados. Fornece, também, quantidades razoáveis de fibras solúveis e pectina, que ajudam a controlar o nível de colesterol no sangue. Devido à sua riqueza em clorofila, é uma das poucas frutas que mantém a coloração verde quando madura.  

 

Apesar de seu estudo ter sido sistematizado recentemente, alguns adeptos da medicina natural já acreditam que o consumo de kiwi seja eficaz contra a aterosclerose, gota, reumatismo e alguns tipos de tumores. Além disso, atribui-se a ele uma ação laxativa e a capacidade de ajudar na prevenção de cálculos renais, mas essas propriedades ainda carecem de comprovação científica.

 

O kiwi contém actinidina, uma enzima que amacia naturalmente as carnes. Para que essa sua particularidade seja aproveitada, fatias da fruta devem ser colocadas sobre pedaços de carne por um período de 30 a 60 minutos antes de eles irem ao fogo para cozinhar, sem que com isso o seu sabor penetre na peça. A actinidina também impede a gelatina de endurecer, coagulando o leite e as sobremesas que contenham algum creme, e para que isso não aconteça deve-se escaldar a fruta antes de misturá-la a esses ingredientes, tomando-se o cuidado para não cozinhá-la demais, pois ela amole rapidamente.

 

A Itália é hoje o maior produtor mundial do fruto, seguida pela Nova Zelândia, Chile, França, Grécia, Japão e Estados Unidos da América. Embora a China seja a sua terra de origem, aquele país nunca conseguiu integrar a lista dos 10 maiores produtores mundiais.

 

O kiwi é uma cultura de introdução relativamente recente no Brasil. Os maiores produtores são os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Minas Gerais, mas apesar disso o país importa do Chile grande parte das suas necessidades. A produtividade em algumas propriedades de Santa Catarina chega a 25 toneladas por hectare, enquanto em outras regiões a média do resultado da colheita em área idêntica não fica muito abaixo desse total. Sua principal forma de consumo é ao natural, como fruta fresca ou aproveitada em sucos naturais, mas também são industrializadas em conservas, em polpa seca (passa), ou transformadas em sorvetes, geléias, vinagre, vinho e aguardente.