CENOURA

A cenoura (originária do Afeganistão, país localizado no centro da Ásia e sem saída para o mar) tem uma história que começa há mais de dois mil anos. Com o correr do tempo ela passou a ser consumida e cultivada na região oriental do Mar Mediterrâneo (onde os povos que ali habitavam a cozinhavam em ensopados e a usavam na alimentação de doentes em recuperação), ao mesmo tempo em que se tornou também conhecida e apreciada tanto pelos gregos como pelos romanos. Mais à frente, já no século 12, popularizou-se em quase toda a Europa, e de lá, séculos depois, acabou chegando ao continente americano pelas mãos dos navegadores que desembarcavam nas novas terras em busca de riquezas ou qualquer outra coisa que pudessem levar em suas embarcações.

 

Planta da família Apiaceae, à qual também pertencem a salsinha, o aipo, o coentro, a erva-doce e o nabo, a cenoura, uma raiz tuberosa e sem ramificações, é fonte abundante de betacaroteno, antioxidante que o organismo humano converte em vitamina A, e que também é responsável pela coloração alaranjada característica do vegetal. Uma única unidade fornece mais que o dobro da RDA (Ingestão Dietética Recomendada) de vitamina A, nutriente essencial para a saúde dos cabelos, pele, olhos, ossos e membranas mucosas, além de ser valioso coadjuvante na prevenção de infecções no corpo. Mas além da vitamina A ela também contém as vitaminas B1 e B2, que beneficiam o sistema nervoso, e a C, que estimula as defesas orgânicas contra enfermidades, além de elementos minerais importantes como o cálcio, magnésio, ferro, cobre e iodo.

 

Quanto a este último, nosso organismo contém normalmente de 20 a 30mg do mesmo, com mais de 75% na glândula tiróide e o restante distribuído por todo o organismo, particularmente na glândula lactente mamária, na mucosa gástrica e no sangue. A única função conhecida do iodo é como parte integrante dos hormônios tireóideos, mas sua deficiência durante a gestação pode provocar na criança o cretinismo, a deficiência mental e o bócio.

 

Recentemente constatou-se em pesquisa que nos voluntários alimentados (entre outros ingredientes) com 200 gramas (aproximadamente uma xícara) de cenouras por dia, durante três semanas, ocorria uma redução média de 11% nos níveis de colesterol no sangue, o que, em conseqüência, diminui os riscos de problemas cardíacos. Apesar desse resultado, uma pesquisa adicional é necessária para validar tal estudo e identificar na cenoura a substância que diminui o colesterol, o que não impede, porém, que qualquer cidadão se alimente com uma quantidade moderada dessa hortaliça, já que ela não causa nenhum mal e pode conferir grandes benefícios na prevenção e luta contra dois grandes inimigos públicos: o câncer e doenças do coração.

 

Devido ao seu alto valor nutricional a cenoura é uma planta de consumo recomendado por médicos e nutricionistas. Elas podem ser consumidas in natura, raladas ou fatiadas em saladas frescas. Podem ser processadas para a produção de sucos, de tortas, ou misturadas com iogurte. Também são apreciadas cozidas, ensopadas, em suflês e outros pratos salgados. As indústrias de alimentos enlatados as oferecem cruas, na forma de mini-cenouras, em cubos, raladas, em rodelas ou processadas em seletas de legumes, alimentos infantis, rações e sopas.

 

As mais diversas espécies de animais domésticos e silvestres também apreciam a cenoura como alimento refrescante e saboroso, podendo ser citados, entre eles, os cavalos, suínos, ruminantes, coelhos, aves e até mesmo os cães.

 

As cenouras não previnem nem corrigem os problemas de visão mais comuns, como miopias e hipermetropia. Mas sua deficiência poderá causar a chamada cegueira noturna, ou nictalopia, condição na qual a pessoa tem dificuldade ou incapacidade de enxergar com pouca luz. A vitamina A associa-se à proteína opsina nas células da retina, formando então a substância rodopsina, de que os olhos necessitam para oferecer uma boa visão à noite. O consumo de apenas uma cenoura por alguns poucos dias, em períodos não muito espaçados, fornecerá a quantidade de vitamina A suficiente para prevenir ou superar esse problema.

 

Naturalmente doces, as cenouras constituem um alimento ideal, com alto teor de fibras e poucas calorias. Mas elas não devem ser descascadas, pois a parte mais nutritiva está justamente perto da superfície. Basta, portanto, lavá-las e raspá-las. Curiosamente, o cozimento aumenta, de fato, o seu valor nutritivo porque quebra as fortes membranas que envolvem o betacaroteno. Para convertê-lo em vitamina A o corpo necessita de pelo menos uma pequena quantidade de gordura, porque essa vitamina se dissolve nela, e não em água. Servir cenouras cozidas com uma pequena quantidade de manteiga, ou margarina, assegura que o corpo seja capaz de assimilar completamente esse nutriente.

 

As cenouras também possuem um alto teor de carotenóides, pigmentos amarelos que são a fonte do betacaroteno, razão porque seu consumo excessivo pode dar à pele de quem se excedeu uma coloração amarelada chamada carotenemia, mas que desaparece em poucas semanas de consumo reduzido da hortaliça.

 

Fonte: www.jardineiro.net.