NOZ-MOSCADA

A noz-moscada é uma especiaria proveniente da moscadeira (Myristica fragans), árvore que atinge de 10 a 15 metros de altura, com várias ramas dispostas ao longo do tronco principal. Os principais países produtores são a Indonésia, Índia, Nova Guiné, Ceilão, Zanzibar, Trinidad e Tailândia. Já os principais compradores são a Inglaterra, França, Canadá, Estados Unidos, Japão, China e Austrália. Na região Sul da Bahia a cultura ainda é pouca explorada, apesar das amplas possibilidades de ampliação do seu cultivo tendo em vista a excelente adaptação da planta às nossas condições de clima e de solo. Ela é largamente comercializada, principalmente na Europa, como condimento na indústria frigorífica, na indústria farmacêutica, na perfumaria e tabacaria.

 

Muitas plantas possuem compostos cujas estruturas químicas lembram o MDA (metilenodioxianfetamina). Entre estes, o sassafrás, a salsa, o açafrão, anis e a noz-moscada, pois assim como no MDA, suas estruturas lembram a anfetamina, a dopamina e a mescalina. Os seus efeitos também são parecidos com os destas drogas: algumas causam euforia e outras alucinações. Por isso, apesar de ser largamente aproveitada como tempero, no mundo inteiro, a noz-moscada também é utilizada como droga alucinógena. O consumo de uma delas inteira, ou 5g do seu pó, pode produzir efeitos de intoxicação como alucinações auditivas e visuais, descontrole motor e despersonalização. 

 

Ela já era empregada com fins medicinais, por médicos árabes, desde o sétimo século antes de Cristo. Entretanto, o primeiro relato de seu efeito psicotrópico (alteração de comportamento) foi feito em 1576, na descrição de uma senhora inglesa grávida que ingeriu a polpa de dez ou doze desses frutos e se sentiu em estado de delírio inebriante. Muitas pessoas já experimentaram a noz-moscada como alucinógeno (seu óleo contém vários compostos precursores sintéticos de drogas tipo MDA), tendo algumas delas relatado que inicialmente ficaram eufóricas. Mas o sintoma mais freqüente e significativo é o estado de dormência e entorpecimento que surge duas horas após a ingestão. Mesmo no dia seguinte as pessoas se sentem meio devagar.

 

A dose usual de 20 gramas de noz-moscada ralada (correspondente a cinco ou seis unidades) é suficiente para causar sérios efeitos psicológicos e fisiológicos em quem a ingeriu, variando estes conforme o indivíduo, a dose e procedência da planta. Algumas pessoas gostam, mas a maioria acha a experiência um tanto ruim. Muitos têm dificuldade de ingerir a droga (meio copo), ou têm náuseas e enjôos nos 45 minutos imediatos. Em seguida ocorre um estado de euforia e contentamento seguido de secura na boca, na garganta e avermelhamento dos olhos. Após um tempo a euforia passa e a maioria dos usuários se sente entorpecida devido ao forte efeito tranqüilizante da droga. Muitos não conseguem fazer outra coisa senão se jogar no sofá. Uma das melhores coisas que pode ser dita sobre a noz moscada é que a experiência é muito ruim para provocar o vício.


Até meados do século 19 as pequenas ilhas Banda, nas Molucas, Indonésia, eram as únicas fornecedoras da noz-moscada e do macis (na ilustração ao lado), que é a casca da polpa do fruto e também constitui uma especiaria. Para retirá-la, é necessário esperar alguns meses até que a noz seque, e depois deixá-la seca, também, para poder ser prensada. O maior consumo de macis ocorre na Índia e na China, tanto em pratos doces como em salgados. Na Europa, seu uso é freqüente em purê de batata, e na culinária itáliana, em diversas massas e pratos de carne.

 

Não se sabe ao certo se a noz-moscada já era conhecida dos antigos. Só alcançou a Europa no fim do século 12. Segundo registros da época, ela era vendida por mercadores árabes a comerciantes da República de Veneza, hoje território italiano, e depois revendida por estes a compradores na Europa, por preços exorbitantes. Quando os portugueses chegaram às ilhas Molucas em 1512 (e lhes deram o nome de ilhas das Especiarias), obtiveram o monopólio do comércio da noz-moscada, arrebatado posteriormente pelos holandeses. Anos depois a moscadeira foi plantada em possessões pertencentes a ingleses e franceses, o que determinou o fim do privilégio comercial até então vigorante.

 

Em meados dos anos 1500, a noz-moscada e o macis estavam incluídos entre as mais valorizadas especiarias, sendo usadas tanto como tempero e conservante na culinária, como na medicina. Já se conheciam, na época, suas propriedades estimulantes, afrodisíacas, anti-inflamatórias, digestivas e diuréticas. Sobre elas, algumas curiosidades merecem ser lembradas:

 

- Foi utilizada no princípio, para aromatizar cervejas.

- Na Itália, era usada para perfumar as ruas em dias de grandes comemorações.

- No início do século 18, chegou a ser avaliada como um super-medicamento, e por isso lhe era atribuída a função de cura para cerca de 140 doenças.

 

A noz-moscada deve ser moída, preferentemente, no momento em que for usada, pois seu sabor e aroma se perdem com facilidade.