A vodca é uma aguardente muito apreciada em alguns países do norte e leste europeu. Bebida incolor, praticamente sem sabor e com teor alcoólico oscilando entre 35 e 60%, conforme o lugar onde foi produzida, ela é consumida preferentemente pura em regiões européias de clima muito frio, como Rússia, Bielorrússia, Ucrânia, Polônia, Estônia, Suécia e outras mais. Produzida também em outras partes do mundo, embora em escala menor, a vodca teve seu consumo popularizado a partir da década de 1970, época em que diversos profissionais de bares (barman) começaram a usá-la em substituição a tradicionais destilados na preparação de coquetéis.
Ela é uma bebida destilada obtida a partir da fermentação da cevada, do milho, do trigo, centeio, ervas, figos ou batatas, matérias-primas que lhe conferem qualidade e sabores diferentes. Para produzi-la, procede-se da mesma forma como é feito com relação ao uísque, com a diferença de que para destilação deste (operação pela qual uma substância é convertida em vapor pelo seu aquecimento, e em seguida condensada novamente, voltando ao estado líquido), usa-se baixa temperatura, ao contrário do que acontece com a vodca, destilada sob temperaturas mais altas e depois submetida a filtragens químicas para neutralizar os aromas dos cereais.
O Clube da Vodka (www.clubedavodka.co.br) explica em seu site que o processo de fabricação da bebida é feito da seguinte forma:
"As destilarias de vodka obtêm o álcool de um líquido chamado mosto, formado durante a fermentação de uma mistura de grãos ou tubérculos e água. Portanto, o primeiro estágio na produção da vodka é a preparação deste líquido semelhante à cerveja, com baixo teor alcoólico. Os cereais ou a batata são triturados e misturados à água. Este produto é aquecido para converter o amido em açúcar, resultando num líquido fino e doce. Em seguida é adicionado o fermento, resultando num líquido com teor alcoólico entre 6% e 8%. Depois a destilação converte este líquido num destilado básico”.
"A concentração alcoólica do líquido pode ser aumentada porque o álcool e a água evaporam a diferentes temperaturas, 77ºC e 100ºC respectivamente. Entretanto, a água também evapora a 77ºC e seu vapor é misturado ao vapor do álcool. Assim, é necessário capturar várias vezes estes vapores, condensá-los e submeter o líquido à nova destilação. A primeira fração do destilado contém grande quantidade de impurezas enquanto a última fração possui muito vapor d’água. Portanto, estas frações costumam ser descartadas, retendo-se a fração intermediária, que depois é novamente destilada para se reduzir o grau de impurezas”.
Atualmente a vodca é destilada em um equipamento de destilação contínua, no qual o mosto inicial é aquecido e seus vários componentes evaporam a diferentes temperaturas. Este equipamento permite que a destilação separe todos os componentes num processo único (na ilustração ao lado, vodca polonesa).
Uma das grandes características da vodca é a sua pureza. Enquanto outros destilados mantêm o sabor e o aroma das matérias-primas de que foram feitos, isso não acontece com a vodca, o que o torna um destilado puro e o mais claro possível, pois a maioria das impurezas é removida pela destilação e retificação, Depois, quando a filtragem é realizada, o produto contém mínima quantidade de resíduos.
O leste europeu é o berço da produção mundial de vodca. No entanto, a indústria se desenvolveu em outros locais, e neles bebidas desse tipo, de boa qualidade, são produzidas, tanto puras como aromatizadas. O Brasil desenvolveu uma indústria moderna para produção de vodka em função do aumento crescente do consumo. São encontradas várias marcas no mercado, com várias delas produzidas a partir de grãos (milho e soja) e melaço.
O site www.vodkas.com.br esclarece que a vodca pura, ou neutra, como a conhecemos hoje, é o resultado de séculos de experiências, aperfeiçoamento de fórmulas, desenvolvimento de técnicas de purificação que estão intrinsecamente relacionadas com as características regionais, o clima, a história, os costumes, os hábitos alimentares e a cultura dos povos que a desenvolveram. Conforme palavras do historiador russo W. V. Pokhlióbkin, "Não tem a menor pretensão de ser atraente, de agradar. Não tem gosto nem cheiro particular – é neutra, incolor. Sua classe está na sensação de pureza que lava de vez todos os sedimentos e em seu poder de penetração que atinge a garganta, a cabeça e vai direto ao coração. É uma bebida para pessoas de vontade forte".
Já a aromatização, originalmente usada para ocultar sabores desagradáveis, desenvolveu um outro tipo de vodca tão apreciada quanto as neutras sem, no entanto, perder a identidade, ou seja, vodcas aromatizadas são tão legítimas quanto as neutras. Existe uma grande variedade de aromatizações, que vão desde frutas como pêra, limão, framboesa, de ervas e especiarias, como o lúpulo, e até de outros sabores menos comuns, como pimenta. Uma das mais famosas vodkas aromatizadas é a polonesa Zubrówka, que contém em cada garrafa um galho de uma planta que é o alimento favorito do bisão europeu.