CRAVO-DA-ÍNDIA

O cravo-da-índia, ou craveiro-da-índia, botão seco da flor de uma árvore conhecida pelo mesmo nome, é uma das especiarias mais apreciadas no mundo. Ele já era consumido na China, na Índia e no Egito, por volta de 600 antes de Cristo, e segundo algumas fontes, teria sido importado por europeus desde o século 4. Mas outros autores afirmam que isso só veio a acontecer depois que os portugueses conquistaram as Molucas, no século 15.

 

Na época, o cravo-da-índia e outras especiarias provocaram inúmeras lutas entre portugueses, espanhóis, franceses e holandeses, tendo estes últimos, em 1605, expulsado os lusos daquela região. Procurando manter o monopólio comercial dessa especiaria, os holandeses concentraram suas plantações numa área reduzida, destruindo sistematicamente as árvores dessa espécie encontradas fora daquela área. Todavia, eles não puderam impedir que ela fosse levada para outros lugares, e a partir daí o seu cultivo espalhou-se por terras da África, da Ásia e nas Guianas, surgindo plantações também em algumas regiões do Brasil.

 

Os chineses já usavam o cravo-da-índia como planta medicinal havia mais de dois mil anos porque acreditavam em seu poder afrodisíaco, mas hoje se sabe que seu óleo é um potente anti-séptico em virtude da presença do eugenol, composto aromático também encontrado na canela, no sassafrás e na mirra, e que tem propriedade bactericida e antiviral. Além disso, o eugenol também funciona como auxiliar no tratamento de náuseas, flatulências, indigestão e diarréia, servindo ainda como anestésico para o alívio de dores de dente, e como componente do cimento provisório e intermediário usado em determinados tipos de restaurações dentárias, já que funciona muito bem como isolante na substituição da dentina perdida pela cárie. O conteúdo oleoso do cravo-da-índia chega a 15%, e em sua composição a presença do eugenol oscila entre 70 e 80%.

 

A árvore que o produz, de copa bem verde, tem altura que ultrapassa os dez metros, e suas flores são pequenas, branco-amareladas, agrupadas em cachos terminais. Os frutos, de aroma forte e penetrante, são do tipo baga e de formato alongado, suculentos, vermelhos e comestíveis. Os cravos-da-índia usados na culinária são, na realidade, os botões florais (ainda não abertos) desta árvore. 

 

Os principais consumidores de cravo-da-índia, no mundo, são os habitantes da Indonésia, responsáveis pelo consumo de mais de 50% da produção mundial. Mas para eles, o principal uso desse produto não acontece na cozinha, e sim na fabricação de cigarros aromatizados, muito populares naquela região. Sobre essa preferência, o site charlespelomundo.com.br publica texto relatando que por suas tradições milenares, o cravo-da-índia introduzido no cigarro é algo recente. Hoje, uma das quase 50 marcas de cigarro de cravo-da-índia, o Gudang Garam, é bem conhecida no Brasil. A especiaria está presente em 90% dos cigarros produzidos na Indonésia, e esse alto consumo transformou o país em importador do produto, quando no passado o Ocidente é que ia buscá-lo com suas naus.

 

O texto mencionado também informa que em 1906 um conhecido curandeiro javanês recomendava aos seus pacientes asmáticos que junto com o fumo enrolado nas folhas de milho, adicionassem cravo-da-índia. A receita fez tanto sucesso que esse mesmo curandeiro veio a fundar, mais tarde, uma fabrica de cigarros desse tipo, que dizem estar funcionando ate hoje. Um guia local que esteve com o autor na Ilha de Flores, a leste do país, estava com gripe e tosse. Parou num boteco e disse que iria comprar um remédio para resolver o seu problema. Comprou um maço de cigarros de cravo-da-índia. Além disso, afiança o autor que todos os indonésios acreditam que o cigarro feito com a especiaria faz bem para a tosse de fumantes. E explica: na verdade, o cravo-da-índia funciona como um anestésico natural. Muitos países mundo afora pararam de importar cigarros com a especiaria da Indonésia alegando que os níveis de nicotina desses são altíssimos.

 

Sobre o cravo-da-índia, a revista Veja publicou matéria em 18/03/2010, na qual informava que “Cientistas espanhóis acreditam ter encontrado uma forma natural de conservar os alimentos e mantê-los saborosos sem o uso de químicos: cravo-da-índia. Devido a suas propriedades antioxidantes, o condimento já vem sendo tratado como o novo aliado da saúde, em uma descoberta que poderá trazer grandes implicações na indústria alimentícia. De acordo com o estudo, publicado na última edição da revista Flavour and Fragance, o cravo-da-índia é um excelente antioxidante pois possui altos níveis de fenol”.

 

Segundo a pesquisadora Juana Fernandez Lopez, da Universidade Miguel Hernández, “a oxidação da gordura é uma das principais razões para a deterioração dos alimentos, provocando uma ‘redução significativa de seu valor nutricional, assim como uma perda de sabor’. Os resultados (do estudo) mostram que o uso de antioxidantes naturais utilizados na dieta mediterrânea, ou seus extratos, são uma opção viável para a indústria alimentícia, já que as características do produto não são afetadas”. Para a realização dessa pesquisa foram comparadas as propriedades do orégano, do tomilho, do alecrim e da sálvia.

 

Na Europa o cravo-da-índia é muito usado para preparar carnes e salames, enquanto no Brasil seu emprego é mais direcionado para pratos doces, hábito adquirido, segundo consta, em conseqüência de nossa colonização portuguesa.