O município de Sabará pertence à Região Metropolitana de Belo Horizonte, sendo composto, além da sede, pelos distritos de Ravena, Carvalho de Brito e Mestre Caetano. Segundo o Censo de 2010, feito pelo IBGE, cerca de 126.219 pessoas residem nos 302 quilômetros quadrados de área territorial da cidade que possui notável acervo de igrejas setecentistas de Minas Gerais, além de um sem número de construções antigas – como A Casa da Ópera, atual Teatro Municipal, e o Museu do Ouro, na antiga Casa de Intendência e Fundição do Ouro da Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará – que mantêm vivas as lembranças do passado faustoso da antiga Sabarabussu.
Marcelo JB de Rezende, em www.idasbrasil.com.br, diz que a cidade, localizada em um majestoso vale no encontro do rio das Velhas com o rio Sabará, desperta o interesse de turistas e estudiosos do barroco. Nela é possível perceber as várias fases experimentadas por este movimento artístico que encontrou em Minas sua mais pura e autêntica tradução. Todo este acervo se encontra muito bem preservado, dando uma idéia precisa da transformação acarretada pela descoberta do ouro. Tamanha era a quantidade do metal que não seria exagero imaginar que seus rios tinham fundo dourado. De repente tudo mudou. As matas deram lugar ao casario; das pedras arrancadas das montanhas foram calçadas ruas e estradas; da fé vieram as igrejas, e do poder se extraiu a vaidade, a arte e a traição. Visitar Sabará é viver na realidade o que um dia foi lenda.
Que são muitas, por sinal. Uma delas refere-se à atual Lagoa da Reta, antiga lagoa do Poço da Bomba, situada no Campo de Santo Antônio, um patrimônio natural do município de Sabará. Conta-se que no local onde ela se encontra erguia-se antigamente a sede de uma grande propriedade rural cujo dono era muito apegado às coisas do mundo material, e que, certamente por isso, entregava-se freqüentemente ao desfrute dos prazeres que a vida lhe oferecia. Certa feita, num dia de sexta-feira santa, uma festa animada acontecia naquela propriedade, com alguns homens e mulheres bebendo, cantando e dançando no jardim que se estendia da frente da casa até a estrada que saía da cidade e passava acompanhando a divisa dianteira da fazenda, na direção de outras paragens.
A manhã ainda estava em seu começo, mas o dia já era bem claro porque àquela altura o sol se encontrava quase à meia-altura do horizonte que os alegres participantes do folguedo tinham à sua frente. Naquele momento, uma Procissão do Senhor Morto passou pelo local, o que serviu de motivo para o deboche e zombaria dos que se encontravam farreando no jardim da fazenda. Indignado com o desrespeito, o sacerdote que acompanhava a procissão aproximou-se dos manifestantes e os recriminou pela heresia, sem merecer, no entanto, a menor atenção. Ele insistiu em seu pedido de respeito à procissão, mas tendo recebido em troca apenas sorrisos e palavras irônicas dos que o ouviam, retornou para junto dos fiéis que compunham o cortejo religioso e deu prosseguimento ao trajeto que deveria percorrer.
Desse ponto em diante ninguém pode dizer com exatidão o que realmente ocorreu naquele lugar. Segundo a lenda - que por sinal é a voz do povo contada em prosa e verso pelos cronistas da cidade - aconteceu que em determinado momento o terreno da sede da fazenda afundou sem qualquer aviso, levando junto com ele a casa imponente, seu desrespeitoso dono, os criados que lá trabalhavam e todos quantos participavam da festa em seu jardim bem cuidado. Nenhum deles voltou a ser visto porque o enorme buraco aberto por aquele misterioso movimento de terra para baixo foi imediatamente tomado pela água brotada do solo de repente, transformando-se em pouco tempo no reservatório natural que logo ganhou o nome de Lagoa do Poço da Bomba, mais tarde trocado para o de agora – Lagoa da Reta.
A lenda também diz que nela ninguém pode se banhar, pois se fizer isso será sugado por ela e desaparecerá para sempre.
Francisco Dario dos Santos, o Chiquinho, produtor do documentário intitulado Lendas, causos e mitos de Sabará, diz que sua cidade é “terreno incrivelmente fértil para o surgimento de lendas”. Há pouco tempo divulgou-se a informação de que ele criara enredo para a dramatização dessas narrativas populares, contando com a colaboração de sabaraenses como participantes. O noticiário a respeito também esclarece que entre as mais curiosas está a da Lagoa da Reta, para cuja existência é apresentada por ele uma outra versão: um clube inteiro teria sido afundado durante uma quarta-feira de cinzas porque o barulho dos foliões atrapalhava uma procissão; os peixes que hoje nadam na lagoa seriam as pessoas que estavam lá dentro.