PAPAGAIO DO MAR

Papagaio-do-mar é o nome popular dado a uma família de aves só encontrada acima da linha do equador. Elas pertencem ao gênero Fratercula, que reúne três espécies: os papagaios-do-mar comuns (Fratercula arctica), também conhecidos como fradinhos, que vivem no oceano Atlântico; os papagaios-do-mar-de-chifres (Fratercula comiculata), cujo habitat é a região do oceano Pacífico, perto do estreito de Bering; e os papagaios-do-mar-de-topete (Fratercula cirrhata), do Pacífico Norte.

 

Eles não têm nada a ver com os papagaios verdadeiros, a não ser uma certa e nem sempre reconhecida semelhança existente entre os bicos que possuem. Por isso acabaram ganhando o nome,  papagaios-do-mar, pelo qual são comumente identificados. A altura dessas aves é de 30 centímetros, em média, o peso gira em torno de 400 gramas, e sua envergadura (distância da ponta de uma asa à outra) varia entre 47 e 63 centímetros. Seu tempo de vida pode chegar a 25 anos.

 

Como aves marinhas que são, alimentam-se à base de pequenos peixes, crustáceos e moluscos que capturam mergulhando no mar, indo muitas vezes a maiores profundidades em busca das presas de sua predileção. Para isso elas se valem dos pés, cujos dedos unidos por uma membrana funcionam nessas horas como se fossem pás de remo, e as asas curtas dotadas de músculos fortes, que usadas como nadadeiras lhes permitem avançar debaixo d’água com relativa velocidade. Para complementar essa sua estrutura física de excelente nadador e pescador, os papagaios-do-mar têm a parte superior do bico e a língua guarnecidos com pequenos espinhos voltados para trás, que prendem firmemente o peixe escorregadio e lhes permite apanhar vários peixes em um único mergulho.

 

Quando observados de longe, eles se assemelham a pingüins, pois também possuem o peito branco com asas negras, e cauda curta. O bico grande e triangular, com faixas em azul, amarelo e vermelho, lembram o nariz postiço dos palhaços. Muito sociáveis, os papagaios-do-mar costumam formar grandes grupos em alto-mar, oportunidade em que machos e fêmeas procuram seus respectivos parceiros, permanecendo juntos, então, pelo resto de suas vidas.

           

Na maior parte do ano os papagaios-do-mar do Atlântico vivem no mar, mergulhando para pegar peixinhos ou mariscos. Mas chegada a estação de acasalamento (entre os meses de março e maio), eles nidificam nos penhascos da costa dividindo o espaço com gaivotas grandes e pretas, que são vorazes predadoras. Por isso, para proteger seus ovos e filhotes eles fazem ninhos subterrâneos em tocas rasas: o casal cava a sua própria, ou senão aproveita e retoca a que foi abandonada por um coelho, para que nela a fêmea ponha um ovo. Em terra, é comum surgirem disputas entre as aves que defendem seus locais de nidificação na colônia, o que costuma ser acompanhado por uma multidão de espectadores curiosos.

 

Normalmente essas tocas são compridas e apresentam um espaço maior nos fundos, onde um ninho é preparado com penas, ramos e folhas. Nele o ovo será incubado tanto pelo macho como pela fêmea, que se alternam nessa tarefa colocando-o sob a asa, e quando o filhote finalmente nasce (totalmente cinzento, inclusive nas patas e bico) os pais o alimentam durante seis semanas, aproximadamente, ao fim das quais voltam para o mar.

 

Abandonado no ninho, a cria ali permanece sozinha por pouco mais de uma semana, dez dias no máximo, tempo suficiente para que sua fome se torne insuportável. Aí, então, ela sai da toca, e a partir desse momento aprende a voar, a nadar e pescar sozinho, condições essenciais para que possa garantir sua sobrevivência.

 

Durante o período em que o filhote depende  de seus cuidados para continuar vivo, pai e mãe também participam da estridente confusão de pássaros sobrevoando os penhascos em que construíram seus ninhos. Os papagaios-do-mar voam para baixo e para cima com vários peixinhos pendurados nos seus bicos triangulares, mas tendo de enfrentar, durante o percurso entre as tocas e a pescaria, as gaivotas pretas que vivem em busca de comida.  Estas são muito maiores e capazes de abocanhá-los em pleno vôo, e por isso, para se protegerem, eles voam em bandos, num vai e vem contínuo entre a terra e o mar. Mas essas idas e vindas não são tão acidentais como aparentam ser porque, ao sair do ninho, um papagaio-do-mar logo procura se juntar aos companheiros que voam para o mar. Intuitivamente, todos eles sabem que procedendo dessa forma diminuirão a possibilidade de serem apanhados em pleno ar pelas gaivotas. Esse é o motivo por que apenas os retardatários são apanhados.

 

Apesar de bons nadadores, os papagaios-do-mar são maus voadores, só conseguindo ganhar altura graças ao acelerado bater de suas asas. Como as suas pernas estão colocadas na parte posterior do corpo, seus pousos nem sempre são suaves como o dos outros pássaros, principalmente quando o vento está soprando com mais força. Eles passam quase toda a sua vida no mar, e vêm até a terra somente nas épocas de acasalamento.