O camaleão é um réptil conhecido por sua propalada capacidade de mudar de cor para se adaptar a um ambiente ou a uma situação, estratégia essa que o ajuda a se proteger de potenciais predadores, não sendo percebido por eles. Na verdade, o que ocorre é que o camaleão tem sob a sua pele externa transparente, duas camadas de células especializadas que influenciam a cor da luz refletida; então, a mudança na coloração da pele é decorrente do seu estado de humor, da luz ou da temperatura ambiente, podendo ajudá-lo, realmente, a confundir-se com os objetos do meio em que vive (mimetismo). Mas essa não é uma ocorrência freqüente, e sim ocasional.
Sendo assim, embora famosos pela sua difundida capacidade de mudar de cor, eles não devem ter essa particularidade exagerada, pois não sendo incolores, possuem uma cor básica que varia conforme seu habitat, podendo ser modificada por influência da luz ou pelas sensações do próprio animal. Um camaleão esfomeado, por exemplo, pode mudar sua coloração de marrom para preto, alteração essa provocada pela atuação do sistema nervoso sobre as células de pigmento; da mesma forma como a presença de outro exemplar em seu território, mesmo sendo uma fêmea, desencadeia reação idêntica, pois ele é um animal solitário que só abandona esse seu sistema de vida na época de acasalamento.
É certo que não será fácil encontrar quem já tenha encarado um camaleão bem de frente, olho no olho, mas se por acaso alguém tiver feito isso, terá descoberto que esse lagarto pertence a uma espécie privilegiada pela natureza, porque se trata de uma das poucas criaturas que conseguem realizar a façanha de mover os seus órgãos de visão em direções diferentes, o que lhe permite enxergar adiante e atrás (ilustração), em cima e em baixo, tudo isso ao mesmo tempo.
Assim, ele pode usar o seu olho do lado direito para procurar insetos com que se alimentar, enquanto o do lado esquerdo permanece atento e vigilante, observando cuidadosamente a possível aproximação de inimigos cheios de segundas intenções, como uma ave de rapina, por exemplo. Mas tão logo o camaleão localiza alguma coisa viva que lhe possa servir de refeição imediata, seus dois olhos giram e passam a fixar a presa justapondo seus campos de visão e formando uma imagem tridimensional exata. Quando essa presa está a uma distância de tiro, como se costuma dizer na gíria, o camaleão dispara a sua língua longa e viscosa para capturá-la, mas se ela estiver fora de alcance, o lagarto faz um desvio e aproxima-se sorrateiramente na direção correta, mesmo que não a esteja vendo, até alcançar a posição ideal para o ataque. Isso acontece porque uma das muitas habilidades desse caçador emérito é justamente a de lembrar-se da posição exata em que se encontra a iguaria a ser incluída no cardápio do dia, a fim de que nenhuma oportunidade de alimentação seja desperdiçada. Além do mais, o camaleão também está equipado com uma língua que pode ter de 17 a 25 centímetros de comprimento, tamanho quase igual ao da extensão de seu corpo, e dessa peça não é qualquer bichinho que consegue escapar com facilidade.
Os camaleões-anões da África do Sul são tão precisos nessa arte de caçar alimentos, que chegam a direcionar a língua além do inseto que está sendo caçado, levando em consideração uma possível e desesperada tentativa de fuga da vítima enquadrada na sua alça de mira. Entre as habilidades desse lagarto está a de subir em árvores com facilidade, quando costuma enrolar a cauda para melhor se agarrar nos galhos e ramos. Além disso, corre rápido pelo chão e é bom nadador e mergulhador, podendo ficar submerso por longo tempo. Ao se sentir acuado prefere fugir com rapidez, mas se por qualquer motivo não puder fazer isso, defende-se com dentadas e chicoteia com a cauda. O que não o impede de também empregar um artifício maroto quando se vê em situação difícil: se a sua capacidade de vigiar todos os lados não evitar a presença próxima de um predador, ele pode se fingir de morto, caindo de lado com as pálpebras fechadas e as pernas duras, numa representação tão convincente que quase sempre convence o caçador e permite a sua fuga. De hábito diurno, o camaleão costuma caçar todo o tipo de insetos, como gafanhotos e outros artrópodes, mas complementa sua alimentação diária com grandes quantidades de folhas verdes e de frutos.
Existem cerca de oitenta espécies de camaleão, e a maior parte delas é encontrada na África, ao sul do Saara. O camaleão é um lagarto imponente que pode viver de 4 a 5 anos. Donos de uma bela crista que vai da nuca até a cauda (mas também aparecendo no papo), os exemplares machos são normalmente mais coloridos e com ornamentações proeminentes na cabeça. Contudo, tanto o macho quanto a fêmea são agressivos. Esses répteis de 60 centímetros, aproximadamente, (alguns exemplares chegam a medir um metro) costumam viver a maior parte do tempo nas florestas, aparentemente em um mesmo lugar. No continente americano ele é encontrado do México ao Brasil Central, vivendo aqui não só na floresta amazônica, mas também nas matas dos cerrados e nas caatingas. Sua maturidade sexual é atingida em um ano, e uma vez alcançada, os machos descem dos arbustos nos períodos reprodutivos, para encontrar uma companheira. A espécie é ovípara, com postura variando entre 30 e 40 ovos depositados no solo, onde permanecem de oito a nove meses, tempo em que se completa a incubação.
Em todo o ocidente o termo camaleão é usado na linguagem figurada como sinônimo de uma pessoa volúvel e maleável, que adapta seu comportamento e características conforme o ambiente. Nem sempre o termo tem conotação negativa (de falsidade), podendo também significar flexibilidade. Na simbologia de algumas tribos africanas o camaleão é um animal sagrado, visto como o criador dos primeiros homens. Nunca é morto, e quando é encontrado no caminho, tiram-no com precaução, com medo de maldições. Na Amazônia, encontrar um camaleão é bom sinal: estes animais indicam boa sorte, e matá-los traz mal agouro. Ainda assim, há quem ignore as lendas e mate os camaleões da Amazônia para comê-los.