SANTO INÁCIO DE LOIOLA - 31 DE JULHO

Fundador da Companhia de Jesus, Santo Inácio de Loiola nasceu no castelo de sua família, na Biscaia, Espanha, no dia 24 ou 25 de dezembro de 1491. A sua infância foi de menino da nobreza. Era um jovem atraente, de boa cultura e maneiras gentis, fidalgo autêntico de uma das cortes mais ricas da época. Aos 16 anos foi completar a sua educação em Arévalo, como pajem do tesoureiro real, levando nessa época uma vida mundana, em que buscava prestígio, honra e fama.

 

Aos 27 anos, a serviço do vice-rei de Navarra, tornou-se oficial do exército. Durante o cerco que os franceses fizeram à cidade de Pamplona, defendida por ele e mais algumas centenas de soldados, rejeitou a rendição, foi ferido com gravidade, nas duas pernas, pelos estilhaços de uma bala de canhão, e só então se entregou aos invasores. Durante sua convalescença foi tratado com atenção pelo inimigo, sendo levado por eles ao castelo de sua família, onde poderia receber melhor tratamento que numa região em guerra.

 

Dedicou-se, então, à leitura da vida dos santos, entusiasmando-se com o que aprendeu sobre a vida de São Francisco, e também de São Domingos. Isso lhe infundiu a decisão de modificar sua personalidade de “homem dado às vaidades do mundo, cujo principal prazer consistia nos exercícios de guerra, que praticava com o grande e fútil desejo de ganhar renome”, conforme confessou em sua autobiografia.

 

No final de fevereiro de 1522, dez meses depois da batalha em que fora ferido, ele já se encontrava restabelecido, embora manco, mas disposto a iniciar uma nova vida. Por isso deixou o castelo dos Loiola e dirigiu-se primeiramente ao Santuário de Aránzazu, para lá orar a Nossa Senhora de Vascongadas, e em seguida, já no mês de março de 1522, ao mosteiro beneditino em Montserrat, nos arredores de Barcelona. Durante três dias ele fez confissão completa, presenteou os religiosos com o cavalo em que chegara montado, depôs a espada e a adaga aos pés da Virgem, trocou suas roupas pelas de um mendigo que encontrara, e fez perante o altar o voto de castidade perpétua. Em seguida estabeleceu-se em Manresa, entregando-se à penitência no hospital da cidade e em uma gruta dos arredores, passando a viver de esmolas. Foi, para ele, um período de grandes tentações e dúvidas interiores, quando chegou até mesmo a pensar em suicídio. Nesta estada em Manresa começou a ajudar os que precisavam de atenção, cuidando dos doentes e necessitados porque era isso o que Jesus fazia.

 

Em 18 de fevereiro de 1523 deixou Manresa com a intenção de peregrinar à Terra Santa. Para realizar seu intento primeiramente dirigiu-se a Barcelona, onde conseguiu obter do comandante de um navio a passagem de graça até a Itália. No dia 29 de março chegou a Roma, em seguida, no mês de abril dirigiu-se a Veneza, e de lá, em 14 de julho, embarcou gratuitamente num navio mercante rumo à terra de Jesus, na qual desembarcou em 1º de setembro. Três dias depois desembarcou em Jerusalém. No longo e acidentado caminho de volta, ele perguntou a si mesmo que deveria fazer dali em diante, chegando à conclusão de que todo mundo necessita da luz de Jesus. Em janeiro de 1524, novamente em Veneza, convenceu-se de que se queria trabalhar por Deus, deveria dedicar um longo tempo aos estudos.

 

Foi o que fez até 1535, entregando-se ao aprendizado de Latim e Filosofia. Nesse período ele passou por cidades como Barcelona, Alcalá, Salamanca e Paris, tendo se unido, nesta última, a seis companheiros, aos quais depois se juntaram outros três. Foi nessa época que concebeu o plano da ordem religiosa que viria a fundar após ter sido ordenado sacerdote em Roma, no ano de 1537. A ordem tomou o nome de Companhia de Jesus e seus religiosos foram enviados para diversas partes do mundo, transformando a companhia numa verdadeira milícia e arma da Igreja na sua luta contra a Reforma e pela catequese. No Brasil, enquanto Inácio ainda vivia, dezenas de missionários jesuítas já estavam trabalhando na evangelização dos índios brasileiros.

 

Com a saúde debilitada pelas penitências e jejuns que fizera nos primeiros tempos de vida religiosa, o que se agravara devido a um problema de vesícula, Inácio não resistiu e acabou falecendo em 31 de julho de 1556, com 65 anos de idade. Quando começou a correr por Roma a notícia de sua morte, o povo exclamava consternado: “morreu o santo”.

 

Inácio de Loiola, padroeiro dos exercícios espirituais, permaneceu em Roma, onde fundou dois estabelecimentos de ensino: o Colégio Romano, em 1551, e o Colégio Germânico, em 1552, entregando-se a uma ingente tarefa de organização que tinha como meta a evangelização do mundo. Beatificado pelo papa Paulo V em 1609, e canonizado pelo papa Gregório XV, em 12 de março de 1622, juntamente com Francisco Xavier, Santo Inácio da Loiola é comemorado em 31 de julho, mesmo dia do seu falecimento.