São Sebastião (na ilustração, óleo sobre tela, El Greco, 1610-14) nasceu entre 249 e 250, na cidade de Narbona, fundada ao sul da França em 118 antes de Cristo, e considerada como a primeira colônia romana além dos Alpes. Sua família mudou-se para Milão quando ele ainda era novo, e foi nessa cidade que o menino cresceu e se educou até alcançar a maioridade, época em que foi admitido nas legiões do imperador Deocleciano (245-313). Impressionado com sua figura imponente, sua bravura e sua prudência, o imperador romano nomeou-o chefe da primeira divisão dos pretorianos responsáveis por sua guarda pessoal.
Acontece que Sebastião provinha de uma família católica, havia sido batizado na infância, e não cessara de divulgar junto aos seus companheiros de armas os princípios da fé que professava, animando e consolando os condenados ao martírio, e transformando-se em benfeitor dos encarcerados em Roma. Essa atividade chegou ao conhecimento de Deocleciano, que tinha os cristãos como inimigos de sua autoridade, e por isso o jovem militar foi levado à sua presença. Foi quando tentaram de todas as formas convencê-lo a renunciar ao cristianismo, mas não o conseguiram.
Por isso ele foi condenado à morte e a ordem imediatamente cumprida pelos soldados romanos, que o levaram a um descampado próximo, amarraram-no a uma árvore e dispararam contra ele a quantidade de flechas que julgaram suficientes, abandonando-o em seguida nesse mesmo lugar, ferido, para que sangrasse até morrer. Acontece que durante a noite uma mulher foi ao local com a intenção de enterrar o corpo do executado, mas percebendo que ele ainda estava vivo, ela o desamarrou e o levou à sua casa, onde o escondeu até que se recuperasse totalmente. Restabelecido, o jovem voltou à presença do imperador decidido a censurá-lo pelas injustiças cometidas contra os cristãos, quando então foi novamente preso, espancado até a morte com pauladas e golpes de bolas de chumbo, e para que seu corpo não fosse venerado pelos cristãos, foi jogado no esgoto público de Roma, conhecido como Cloaca máxima. Isso aconteceu em 20 de janeiro de 288.
Inconformada com esse fato, uma outra mulher piedosa recolheu o cadáver de Sebastião e providenciou para que fosse sepultado nas catacumbas romanas. Muitos anos mais tarde, em 680, os ossos do mártir foram levados para Constantinopla e depositados em uma basílica construída pelo imperador bizantino Constantino IV. Na época, uma peste terrível que assolava Roma desapareceu com a transladação dos restos mortais do mártir, e por isso ele passou a ser venerado como protetor contra a peste, a fome e a guerra. Em duas outras ocasiões, repetiu-se o mesmo fato: em 1575, na cidade de Milão, Itália, e no ano de 1599, em Lisboa, Portugal, quando estas duas importantes localidades ficaram livres da peste pela intercessão do santo.
Próximo ao lugar aonde São Sebastião morreu espancado pelos soldados imperiais, junto à via Ápia, construíram depois uma basílica em sua honra, lugar que durante a Idade Média transformou-se em centro popular de devoção e peregrinação. No Brasil, ele é padroeiro de 144 paróquias, inclusive a da cidade do Rio de Janeiro, cujo nome canônico é São Sebastião do Rio de Janeiro, adoção essa justificada pelo fato de que a primeira grande vitória dos portugueses contra os franceses e os índios tamoios, na região onde hoje se situa a capital carioca (a batalha de Uruçumirim), ocorreu no dia 20 de janeiro, consagrado ao santo. Reza a lenda que durante essa batalha Sebastião foi visto de espada na mão entre os portugueses, mamelucos e índios, lutando contra os franceses calvinistas (na ilustração, O Martírio de São Sebastião, pintura óleo sobre tela de El Greco, 1580).
Protetor do recém-fundado povoamento do Rio de Janeiro, São Sebastião teve sua primeira igrejinha construída por Estácio de Sá. Ela foi erguida na pequena praia situada entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, área da atual fortaleza de São João, na Urca, mas com a transferência da cidade para o morro do Castelo, Salvador Corrêa de Sá, que era o seu governador na época, ali iniciou a construção de uma nova igreja dedicada ao padroeiro, inaugurando-a durante seu segundo governo, entre 1578 a 1598, e transladando para ela a lápide com os restos mortais de seu primo Estácio de Sá. Porém, quando o morro do Castelo foi demolido em 1922, a Igreja de São Sebastião mudou de endereço novamente, dessa vez para a rua Haddock Lobo, na Tijuca (Igreja de São Sebastião dos Frades Capuchinhos), que recebeu, também, em 1931, a lápide tumular de Estácio de Sá e o marco de fundação da cidade, até então depositados numa casa da praça Saens Peña, no mesmo bairro, onde anos depois se instalou uma farmácia, a Drogaria Granado.
A Igreja de São Sebastião é muito procurada pelos fiéis, e todo ano, no dia 20 de janeiro, festa do padroeiro, sai de lá uma procissão que atravessa o centro da cidade carioca, passando pela Catedral Metropolitana e indo até a Praça do Russel, na Glória, onde está a estátua do santo, junto à qual é representado o auto sobre a sua vida.