"Estrela que cai", é como as pessoas geralmente se referem à risca luminosa que vez ou outra aparece no céu, momento em que, segundo a crença popular, um pedido deve ser feito pelo observador, porque é quase certo que esse desejo irá se realizar. Essa superstição existe desde tempos imemoriais, pois os homens e mulheres de antigamente acreditavam que aquele traço brilhante que viam percorrer o espaço num piscar de olhos, era parte do reino dos deuses que caíra por acidente quando eles abriam buracos na abóbada celeste, para espiar o nosso mundo. Assim, as estrelas cadentes seriam indícios de aberturas ao mundo das entidades divinas, e por isso mesmo um pedido lhes poderia ser formulado. Mas o avanço do conhecimento vem alterando progressivamente os conceitos que herdamos do passado, e por isso existe hoje a versão de que essas estrelas são artefatos de outros mundos que caem no nosso por acidente (os objetos voadores não identificados - ovnis), enquanto seres extraterrestres nos visitam ou espiam.
Durante muito tempo as estrelas cadentes foram interpretadas como corpos atmosféricos misteriosos que anunciavam efeitos maléficos, mas os gregos sabiam que eles não eram estrelas reais - que são fixas e se encontram a longas distâncias - embora não encontrassem explicação para os rastros luminosos no firmamento. Por isso, o antigo medo do céu cair nas nossas cabeças não é de todo descabido de razão (que o diga o personagem Abracurcix, chefe da audeia gaulesa de Asterix e Obelix, criados pelos franceses A. Uderzo e R. Goscinny), já que o espaço interplanetário está repleto de partículas de poeira que irrompem na nossa atmosfera, ardem, e na maior partes das vezes vaporizam-se. Por vezes alguns blocos maiores atravessam o invólucro gasoso do nosso planeta e se chocam com a superfície. Há pouco mais de duzentos anos a ciência, que já previa com precisão eclipses e traçava os movimentos celestiais, considerava os relatos de pedras caindo do céu pura superstição. Hoje, porém, se sabe que esse fenômeno é produzido pela entrada na atmosfera terrestre de meteoróides que surgem quase simultaneamente e parecem provir da mesma região do espaço, dando a impressão de uma chuva de estrelas. São pequenos corpos, não maiores que uma ervilha, que ao atingirem a atmosfera terrestre em grande velocidade tornam-se incandescentes pelo atrito com as moléculas de ar, reduzindo-se a maioria a pó antes de alcançar o solo. Os maiores, resistindo ao calor da fricção, conseguem chegar até o chão: são os meteoritos, que podem ser admirados nos museus de História Natural. Tais eventos ocorrem aproximadamente 150 vezes por ano sobre toda a superfície terrestre.
Dos corpos celestes que nos alcançaram, alguns despertam a atenção. O de maior tamanho foi descoberto em 1920 na localidade de Grootdontein, Namíbia, África. Trata-se do Hoba West (ilustração), com 2,7m de comprimento, 2,4m de largura, 59 toneladas de peso e com sua localização inalterada. O maior em exibição em museus (Museu de História Natural em Nova York, Estados Unidos), é o Cabo York, encontrado perto de Cabo York, na Groelândia, em 1897, com peso de 30 toneladas. Já no Brasil, o Bendengó, descoberto em 1784 às margens do ribeirão Bendengó, no alto sertão baiano, com 5.360 quilos e em exposição no Museu Nacional do Rio de Janeiro, é o maior meteorito encontrado em nosso país. No entanto, 52 outros de menor tamanho (relação abaixo) já foram catalogados. São eles:
|
No |
Nome |
UF |
Data |
Tipo |
|
1 |
Angra dos Reis |
RJ |
*1869 |
Acondrito |
|
2 |
Angra dos Reis II |
RJ |
(?) |
Siderito |
|
3 |
Avanhandava |
SP |
*1952 |
Condrito |
|
4 |
Balsas |
MA |
1974 |
Siderito |
|
5 |
Barbacena |
MG |
1918 |
Siderito |
|
6 |
Bendengó |
BA |
1784 |
Siderito |
|
7 |
Blumenau |
SC |
? |
Siderito |
|
8 |
Bocaiúva |
MG |
1961 |
Siderito |
|
9 |
Campos Sales |
CE |
*1991 |
Condrito |
|
10 |
Casimiro de Abreu |
RJ |
1947 |
Siderito |
|
11 |
Conquista |
MG |
*!965 |
Condrito |
|
12 |
Cratheús |
CE |
1909 |
Siderito |
|
13 |
Governador Valadares |
MG |
*1958 |
Marciano |
|
14 |
Ibitira |
MG |
*1957 |
Acondrito |
|
15 |
Iguaraçú |
PR |
*1977 |
Condrito |
|
16 |
Indianópolis |
MG |
1989 |
Siderito |
|
17 |
Ipiranga |
PR |
*1972 |
Condrito |
|
18 |
Ipitinga |
PA |
1989 |
Condrito |
|
19 |
Itapicuru-Mirim |
MA |
*1879 |
Condrito |
|
20 |
Itapuranga |
GO |
1977 |
Siderito |
|
21 |
Itutinga |
MG |
? |
Siderito |
|
22 |
Macau |
RN |
*1836 |
Condrito |
|
23 |
Mafra |
SC |
*1941 |
Condrito |
|
24 |
Maria da Fé |
MG |
1982 |
Siderito |
|
25 |
Marilia |
SP |
*1971 |
Condrito |
|
26 |
Minas Gerais |
MG |
1888 |
Condrito |
|
27 |
Morro do Roccio |
SC |
1928 |
Condrito |
|
28 |
Nova Petropolis |
RS |
1967 |
Siderito |
|
29 |
Pará de Minas |
MG |
1934 |
Siderito |
|
30 |
Parambú |
CE |
*1964 |
Condrito |
|
31 |
Paranaiba |
MT |
*1956 |
Condrito |
|
32 |
Patos de Minas I |
MG |
1925 |
Siderito |
|
33 |
Patos de Minas II |
MG |
? |
Siderito |
|
34 |
Patrimônio |
MG |
*1950 |
Condrito |
|
35 |
Piedade do Bagre |
MG |
1922 |
Siderito |
|
36 |
Pirapora |
MG |
1950 |
Siderito |
|
37 |
Putinga |
RS |
*1937 |
Condrito |
|
38 |
Quijingue |
BA |
1980 |
Palasito |
|
39 |
Rio Negro |
PR |
*1934 |
Condrito |
|
40 |
Rio do Pires |
BA |
? |
Condrito |
|
41 |
Sanclerlândia |
GO |
1971 |
Siderito |
|
42 |
Santa Barbara |
RS |
*1873 |
Condrito |
|
43 |
Santa Catarina |
SC |
1875 |
Siderito |
|
44 |
Santa Luzia |
GO |
1925 |
Siderito |
|
45 |
São João Nepomuceno |
MG |
? |
Siderito |
|
46 |
São José do Rio Preto |
SP |
*1962 |
Siderito |
|
47 |
Serra de Magé |
PE |
*1923 |
Acondrito |
|
48 |
Sete Lagoas |
MG |
*1908 |
Condrito |
|
49 |
Soledade |
RS |
1982 |
Siderito |
|
50 |
Uberaba |
MG |
*1903 |
Condrito |
|
51 |
Uruaçu |
GO |
1986 |
Siderito |
|
52 |
Veríssimo |
GO |
1965 |
Siderito |