PEIXE-ESCORPIÃO

O peixe-escorpião pertence à família dos Scorpaenidae, que abrange cerca de 350 espécies distribuídas pelos gêneros Pterois, Parapterois, Dendochirus e outros, encontrados em zonas de clima tanto tropical como temperado. Entre eles, os mais conhecidos são o peixe-leão, também identificado como peixe-dragão, o peixe-peru e o mangangá, que em algumas regiões brasileiras recebe o nome de peixe-pedra, camaleão-do-mar e ninquim-de-pedra.

 

Seus olhos e boca grandes, suas barbatanas irregulares e o corpo revestido de espinhos ameaçadores, não lhe dão aparência agradável. Em compensação, possui a capacidade de passar despercebido a olhos menos vigilantes graças à facilidade com que se confunde ao ambiente em que vive, e é assim que consegue afastar de si não só a atenção das presas que deseja capturar, mas também o dos predadores que possam pretender fazer o mesmo com ele.

           

Essa habilidade tem importância fundamental no seu desempenho de caçador de peixes ainda em fase de crescimento, pequenos crustáceos e cefalópodes: ele permanece parado no fundo mar, imóvel, até que uma presa desatenta se aproxime o suficiente para permitir-lhe abocanhá-la em uma única e certeira investida, e engoli-la inteira em fração de segundo, sem que a vitima consiga ao menos esboçar uma tentativa de fuga.

 

Quando o recurso de confundir-se com o ambiente em que vive não funciona a contento, o peixe-escorpião (assim como muitos de seus parentes) utiliza contra os predadores aquela que é a sua defesa natural: os espinhos que possui ao longo do corpo e nas barbatanas, e que liberam veneno quando pressionados por algum agressor. Dessa forma, ao se sentir ameaçado ele eriça essa sua armadura espinhenta e demonstra agressividade, o que na maioria das vezes é suficiente para afastar os mal-intencionados que dele se aproximam.

 

O peixe-escorpião não ataca o homem, mas se este for ofendido por ele será porque o encurralou, tentou pegá-lo com as mãos ou então não o viu e lhe deu uma pisada. Ao ser picado por um desses animais o ser humano sofre uma reação dolorida, ou de dormência, que atinge seu ponto crítico no máximo em duas horas, mais ou menos, e se prolonga por até doze horas. Depois, mesmo abrandada, essa sensação desconfortável pode permanecer por mais alguns dias, não sendo descartada a hipótese de que o local do ferimento se transforme em ferida, acompanhada de edema.

 

Apesar da maioria dos peixes da família Scorpaenidae ter fecundação interna, sua reprodução varia de conformidade com a espécie. E essa tanto pode ser ovovivípara (animais como escorpiões, tubarões e cobras venenosas, que retêm os ovos dentro do corpo até a eclosão, e os embriões também se alimentam das reservas nutritivas presentes nos ovos), como ovípara (animais cujo embrião se desenvolve dentro de um ovo em ambiente externo sem ligação com o corpo da mãe) e até mesmo vivípara (nesse caso o embrião depende diretamente da mãe para a sua nutrição, que ocorre por meio de trocas fisiológicas entre ela e feto. Não existe casca isolando o ovo. Como regra, o desenvolvimento embrionário se completa dentro do corpo materno e os indivíduos já nascem formados. Pertencem a essa categoria os mamíferos placentários, como é o caso da espécie humana).

 

Apesar do peixe-escorpião não ser agressivo, só atacando o ser humano quando se sente em perigo, todo cuidado ainda é pouco quando alguém desejar tocá-lo – ou mesmo para evitar pisar em algum deles em seu habitat natural – pois seus espinhos liberam veneno tal e qual uma seringa, assim que são pressionados. Além disso, o muco que lhe cobre a pele também é venenoso, podendo causar problemas quando transmitido até mesmo através de um simples arranhão.

 

Embora esse peixe não seja causador de grande número de acidentes, é recomendável que os mergulhadores, principalmente os de fim de semana, estejam sempre atentos quanto aos lugares em que vão apoiar as mãos ou os pés. Mas quando o imprevisto acontece, a primeira reação sentida pelo indivíduo picado é geralmente a de dor ou dormência no local atingido, com duração que em determinados casos pode chegar até mesmo a algumas horas, quase sempre acompanhada de sintomas como náuseas, tontura, fraqueza muscular, respiração ofegante e dor de cabeça.

 

A potência desse veneno varia de conformidade com o tamanho e espécie do peixe, sendo recomendada, como primeiros socorros, a imersão da região ofendida em água quente durante meia-hora, mais ou menos. Além disso, procurar socorro médico com a presteza possível.