Uma das deusas de maior projeção e de sentido mais espiritual da mitologia grega, Atena (Minerva, para os romanos) teria nascido da seguinte maneira: Zeus (Júpiter), seu pai, um dos mais importantes deuses míticos da antiga Grécia, fora avisado de que a criança que deveria nascer dele e de Metis, sua primeira esposa, acabaria sendo mais forte que ele e o destronaria. Então, querendo evitar que esse mau agouro se realizasse, Zeus engoliu sua mulher, já então grávida de Atena Pouco mais tarde, Hefesto (Vulcano) partiu a cabeça de Zeus com um machado, ou porrete, e da fenda aberta surgiu Atena, já mulher feita e completamente armada.
Em poemas de Homero, poeta grego que teria vivido no século 8 a.C., Atena aparece como deusa do bom conselho, ou da sabedoria na guerra, bem como na qualidade de senhora das artes e das prendas femininas. Além disso, era também considerada protetora das cidades gregas, quando então, e ao mesmo tempo, exercia as funções de deusa da guerra e da paz: da guerra, para defender-lhes as populações e as riquezas; e da paz, para assegurar-lhes prosperidade através da agricultura e do comércio. Em Hinos, o poeta louva a deusa da seguinte forma: “Canto agora a Palas Atena, protetora das cidades, / a terrível deusa que com Ares se dedica / aos trabalhos da guerra, à pilhagem das cidades / e aos clamores guerreiros. / Protege os soldados quando partem e quando tornam. / Saúde, Deusa! Dá-nos sorte e felicidade”.
Em “Mitologia Greco-Romana”, Márcio Pugliese revela que uma das lendas mais famosas sobre Atena, ou Minerva, é a sua desavença com Posseidon (Netuno), para dar nome a uma nova cidade. Os doze deuses que funcionaram como juízes nesse conflito de interesses divinos, haviam deliberado que os dois postulantes deveriam produzir alguma coisa que fosse útil à localidade, sendo declarado vencedor aquele cuja criação fosse considerada como de importância mais relevante para os humanos moradores da mesma. Netuno foi o primeiro a se apresentar aos árbitros, quando então, com um só golpe de seu tridente, fez sair da terra um belo e fogoso cavalo; logo depois foi a vez de Minerva, que produziu a oliveira, e com ela o direito de batizar a nova povoação. Indicou, então, o nome Atenas, que permanece até hoje.
Atena permaneceu virgem, tendo recebido muitas prerrogativas de Zeus. Segundo o mesmo autor, era ela que, entre outras coisas, “concedia o espírito da profecia; prolongava os dias dos mortais; obtinha a felicidade depois da morte; tudo o que autorizava com um sinal de cabeça tornava-se irrevogável, pois a sua promessa era infalível”. Foi ela, também, que fez construir o navio dos argonautas segundo o seu desenho, colocando na proa o carvalho falante que dirigia a rota, apontando os perigos aos navegantes e indicando os meios de evitá-los.
Pugliesi diz, ainda, que “Nas suas estátuas e imagens, a beleza de Minerva é simples, descuidada, modesta, com um ar grave pleno de nobreza, de força e de majestade. Representam-na, geralmente, com um capacete na cabeça, lança em uma das mãos, um escudo redondo e a égide (couraça) sobre o peito. A maior parte das vezes está sentada, mas quando de pé mantém atitude resoluta de uma guerreira, ar meditativo e olhar volvido para altas conjecturas. O animais consagrados a Minerva eram o mocho e a coruja. Algumas versões pretendem, ainda, o hipotético dragão”.
Entre os principais feitos de Atena, no capítulo das utilidades tendentes a beneficiar de uma ou outra maneira a criatura humana, figuram a invenção do arado, da flauta e dos barcos de guerra; a formação de parelhas de bois para trabalho no campo; a produção da primeira árvore de oliveira, na Acrópole, em Atenas; as artes da forja, de fazer sandálias e a da tecelagem. Quanto aos principais episódios em que ela é mencionada, estão o da ajuda que prestou a Beloforonte para dominar o cavalo Pégaso, e também a Perseu, no seu ataque às Górgonas e subseqüente decapitação da Medusa. Quanto aos nomes pelos quais Atena foi venerada no mundo mitológico grego, figuram o de Palas (a Virgem) e Areia (a Guerreira) em Atenas;. O seu mito passou da Grécia à Itália, onde passou a ter a denominação de Minerva.
Certa feita uma mortal, Aracne, se atreveu a concorrer com a deusa. Era uma donzela que atingira tal perfeição na arte de tecer e bordar, que um dia resolveu desafiar Atena. Esta, tomando a forma de uma velha, procurou a moça e a aconselhou: “Desafia os mortais como tu, mas não te atrevas a competir com uma deusa. Ao contrário, aconselho-te a pedir-lhe perdão pelo que disseste, e como a deusa é misericordiosa, talvez te perdoe”. Mas Aracne respondeu irritada: “Trata de dar conselho a tuas filhas e servas. Quanto a mim, sei o que dizer e o que fazer. Não tenho medo da deusa. Que ela mostre sua habilidade, se se atrever. Na mesma hora, livrando-se do disfarce, Minerva respondeu: “Ela está aqui”.
E assim as duas iniciaram a competição. Bordaram o tempo necessário, e quando terminaram, os quatro cantos do trabalho de Atena mostravam incidentes em que mortais presunçosos haviam descontentado os deuses ao pretenderam concorrer com eles, uma advertência à sua rival no sentido de que desistisse, antes que fosse demasiadamente tarde. Por sua vez, o de Aracne procurava mostrar, em várias cenas, os enganos e erros das divindades, e eram tão bem feitos que Atena não pôde deixar de admirá-los. Mas também se sentiu indignada com o insulto, agravado pela presunção demonstrada pela autora, e por isso investiu contra o tecido, rasgou-o em pedaços, e em seguida, encostando a mão na fronte da moça, fê-la sentir o peso da sua culpa, e de tal forma que ela, não suportando a vergonha, enforcou-se.
Compadecida por vê-la morta, Minerva ordenou: “Viva, mulher culpada! E para que seja conservada a lembrança dessa lição, continuarás pendente, tu e toda a tua descendência, por todos os tempos futuros”..Aspergiu-a com o suco do acônito, uma erva venenosa, e imediatamente seus cabelos caíram, desapareceram o nariz e as orelhas, seu corpo encolheu-se e sua cabeça tornou-se ainda menor, os dedos colaram-se aos flancos, transformando-se em patas. Todo o restante dela mudou-se no corpo, do qual ela tece seu fio, suspensa na mesma posição em que se encontrava quando Atena a tocou e a metamorfoseou em aranha.