Existem duas definições para a palavra capicua, que é praticamente ignorada pela maioria dos brasileiros: a primeira delas tem ligação com o jogo de dominó e serve para denominar a pedra que ao ser deslocada para um ou outro lado, pode encerrar a partida e dar a vitória a um dos jogadores; a outra diz respeito ao número cuja leitura pode ser feita da direita para a esquerda, e vice-versa, apresentando sempre a mesma sucessão de algarismos, como aconteceu no dia 20 de fevereiro de 2002, por exemplo (20/02/2002).
Mas o professor Cláudio Moreno, em seu site www.sualingua.com.br, nos apresenta mais três: o par de selos impressos de tal forma que um está invertido em relação ao outro (que os franceses chamam pelo nome de tête-bêche); ou numa receita de grelhados (carne capicua), um espetinho com pedaços de carne, cebola, tomate, carne, cebola,...; ou ainda, como informa o Houaiss, uma forma politicamente incorreta (mas engenhosa) de nomear os bissexuais.
Na Grécia antiga essa disposição numérica era conhecida como palíndromos, da mesma forma como os palíndromos de linguagem (Ana, mirim, a droga da gorda, Roma me tem amor, e tantas outras mais), mas existe a versão de que foi em Barcelona, no final do século 19, que o vocábulo capicua, que na língua catalã (cap + i + cua) tem o significado aproximado de cabeça e cauda, passou a ser usada pelos naturais da região sempre que deparavam com um número desses, considerado por eles como indicativo de boa sorte principalmente quando se referia a datas (sem pontos ou traços).
Nesse particular, o dia 20 de fevereiro de 2002 (20022002) foi especial por alguns motivos que merecem registro especial:
1 - Primeiramente, porque representou a repetição de uma data capicua após a decorrência de mil anos, já que a última havia acontecido no dia 10 de janeiro de 1001 (10/01/1001).
2 - Depois, porque foi acrescida de quatro dígitos nos relógios digitais quando eles mostraram exatamente 20h:02m de 20/02/2002, ou seja, 200220022002, a mesma situação que acontecera às 10h:01m de 10/01/1001, ou 100110011001, época em que esses tipos de marcadores ainda não existiam.
3 - E finalmente, porque a oportunidade vindoura em que os números do relógio e calendário apresentarão a mesma seqüência numérica, tanto para lá como para cá, só ocorrerá às 21h:12m de 21/12/2112, ou 211221122112, mas nesse dia nenhum de nós estará vivo para poder comemorar a última data capicua na história da humanidade, já que pelo fato de o ano ter doze meses, isso torna impossível a repetição dessa coincidência.
Até hoje persiste a idéia de que os números capicuas, quando se referem a datas, estão associados à boa sorte e melhor agouro, e isso porque eles são tão raros que só aconteceram dez vezes a cada mil anos. Pena que o próximo esteja tão distante.
No dia 4 de maio de 2006, dois minutos e três segundos depois da uma hora da madrugada, as horas e data formaram a seguinte seqüência: 01.02.03 – 04.05.06. Na verdade, essa disposição numérica não corresponde a uma data capicua, mas sim a uma coincidência igualmente interessante, e por isso mesmo merecedora de registro.