Em certo país os caçadores não cansavam de falar do unicórnio, uma criatura misteriosa que eles não sabiam como classificar. Por isso, quando dois ou mais desses homens se reuniam por algum motivo, a dúvida que não lhes saía da cabeça era sempre colocada como motivo de discussão, de debate, mas permanecia invariavelmente sem resposta, deixando-os a cada dia mais curiosos, mais intrigados.
- Será que ele é um animal? E se for um espírito?
E eles tinham razão. Porque, na verdade, o estranho cavalinho que trazia um chifre espetado bem no meio da testa, aparecia ora em um lugar, ora em outro, sempre de surpresa, sem que jamais alguém, por mais experiência que tivesse nesse tipo de captura, conseguisse apanhá-lo. Daí os comentários:
- Ele é estranho. E feroz - arriscou um dos caçadores. – Chego a pensar que seja um enviado do inferno que está aqui só para nos prejudicar.
- Não, ele é bonito demais para ser um mau espírito. Deve ser um anjo com alguma missão a cumprir - retorquiu um outro.
Ali perto, uma jovem sentada à sombra de uma árvore ouvia tudo em silêncio, mas com um sorriso lhe brincando nos lábios. Isso porque ela não só conhecia o unicórnio, mas também o tinha como amigo, sabia tudo sobre ele. E de fato, quando os homens foram embora, o animal saiu detrás da moita cerrada de arbustos que o mantivera escondido até aquele momento, e correu para junto da moça. Deitou-se a seu lado, apoiou a cabeça em seu colo, olhou-a com expressão de amor e em seguida encostou o focinho em seu rosto, como se estivesse querendo lhe dar um beijo. Infelizmente, foi essa demonstração de afeto que causou sua ruína.
Porque os caçadores que haviam retornado ao local por puro acaso, sem serem notados, perceberam o que estava acontecendo e se prepararam para tirar proveito dessa situação. Então eles passaram a vigiar a jovem de forma despistada, sempre de tocaia, sem que ela desconfiasse do que acontecia, e foi assim que dias depois eles finalmente conseguiram capturar o inocente unicórnio.
Moral da história: Presta atenção no que acontece à tua volta ,porque os mal-intencionados estão sempre de prontidão.
Baseada em uma fábula de Leonardo da Vinci