CAÇADOR DE ONÇA, O

O fazendeiro estava pagando R$ 300 para quem conseguisse pegar a onça que estava comendo os bezerros da fazenda. Apresentou-se o mineirinho Bastão, pobre, necessitado, precisando ganhar uns “cobres” mais que qualquer outra coisa, e se ofereceu para fazer o serviço. O fazendeiro olhou para aquele tipo magrinho, pés no chão, chapéu e cigarro de palha, ficou desconfiado e perguntou:- Você dá conta do serviço?

 

- Mas é claro, patrão.

 

- Você já matou alguma onça?


- Umas quatro, si não esqueci de alguma.


- Verdade?


- E eu tenho cara de contador de lorota, patrão.


 O fazendeiro hesitou, pensou um pouco, mas como estava precisando de um caçador acabou concordando:


- Então vai lá e pega esse bicho.


E lá se foi o Bastião mata adentro, levando na mão a foice de roçar, e na cintura a garrucha de dois canos. Procurou daqui, procurou dali, até que em certa hora deu de cara com a pintada. Mas ela estava muito perto para que ele pudesse planejar o ataque, e o pior é que quando a “malvada” o viu, logo partiu em sua direção. Sem outro recurso, Bastião largou a foice de lado e danou a correr o mais que podia, direto pra fazenda. E a onça atrás.


O fazendeiro estava sentado na varanda, aguardando o cair da tarde, quando o “caçador” chegou ofegante, quase sem fôlego, com a fera nos seus calcanhares, a pouco mais de um metro de distância. E justamente na hora em que ela deu o bote o Bastião tropeçou numa pedra, caiu esparramado no chão, a onça passou por cima dele e foi parar pertinho da varanda, diante do fazendeiro. .Nisso o mineirinho levantou-se de um pulo e gritou bem alto, enquanto corria para o outro lado::

 

- Segura essa, patrão, porque eu estou indo buscar mais uma!

...