Esse jogo foi o pretexto utilizado por João Batista Viana Drumond, o Barão de Drumond, para incentivar pessoas a visitarem o seu zoológico. Os ingressos eram numerados, cada número representando um animal, e no final do dia um deles era sorteado para dar o prêmio em dinheiro. Mas tempos depois o sorteio passou a ser realizado fora do jardim zoológico, sem o rato, o javali, a girafa, o tucano e a zebra.
A origem do jogo do bicho parece ser o Camboja, na Ásia, e seus problemas com a lei são tão complexos quanto às próprias matemáticas e interpretações sobre sua prática. Mas apesar disso ele está enraizado no imaginário popular há muito tempo, principalmente por ser uma modalidade que permite a aposta de qualquer quantia. Os animais e números correspondentes são os seguintes:
Grupo 01 - Avestruz - números 01, 02, 03, 04
Grupo 02 - Águia - números 05, 06, 07, 08
Grupo 03 - Burro - números 09, 10, 11, 12
Grupo 04 - Borboleta - números 13, 14, 15, 16
Grupo 05 - Cachorro - números 17, 18, 19, 20
Grupo 06 - Cabra - números 21, 22, 23, 24
Grupo 07 - Carneiro - números 25, 26, 27, 28
Grupo 08 - Camelo - números 29, 30, 31, 32
Grupo 09 - Cobra - números 33, 34, 35, 36
Grupo 10 - Coelho - números 37, 38, 39, 40
Grupo 11 - Cavalo - números 41, 42, 43, 44
Grupo 12 - Elefante - números 45, 46, 47, 48
Grupo 13 - Galo - números 49, 50, 51, 52
Grupo 14 - Gato - números 53, 54, 55, 56
Grupo 15 - Jacaré - números 57, 58, 59, 60
Grupo 16 - Leão - números 61, 62, 63, 64
Grupo 17 - Macaco - números 65, 66, 67, 68
Grupo 18 - Porco - números 69, 70, 71, 72
Grupo 19 - Pavão - números 73, 74, 75, 76
Grupo 20 - Peru - números 77, 78, 79, 80
Grupo 21 - Touro - números 81, 82, 83, 84
Grupo 22 - Tigre - números 85, 86, 87, 88
Grupo 23 - Urso - números 89, 90, 91, 92
Grupo 24 - Veado - números 93, 94, 95, 96
Grupo 25 - Vaca - números 97, 98, 99, 00
A perpetuação do jogo do bicho, no imaginário e na cultura, está ligada à idéia de contravenção, e não crime, para usar as palavras de um famoso bicheiro, o que dá um certo charme. E também por ser o jogo de azar mais democrático, uma vez que é permitido apostar qualquer quantia. No início do século 20, o jogo do bicho associou-se ao surto de loterias que começaram a pipocar em todos os cantos. Mais recentemente, os bicheiros vêm diversificando suas atividades com as famosas máquinas caça-níquel e o vídeo-pôquer. Não se distingue um bicheiro de um sambista, um compositor ou de qualquer outro arquétipo da boa-vida carioca. O bicheiro é o supra sumo da malandragem. O jogo e sua cultura - seu imaginário - não ficaram só no Rio de Janeiro, expandiram-se por toda a federação. Em vários países da América do Sul também se joga o bicho (Fonte: www.jangada.com.br).
Ao ser entrevistado, um conhecedor da arte do jogo do bicho - pois faz sua “fezinha” nele há mais de vinte anos - reconheceu que saber jogar corretamente não é para qualquer um, e afirmou que muitos jogadores não ganham porque tentam simplificar o que é complicado por natureza. "Por exemplo - disse ele - alguém sonha com um número e joga nele. Não é bem assim! O sonho com números e algarismos significa que vai dar águia, jacaré, porco ou veado". Em outros casos, na opinião do jogador, a coisa é mais difícil ainda: "O jogador as vezes sonha com um ônibus. Aí ele joga no elefante porque o elefante é grande, mas dá o peru. Tem que saber analisar se o ônibus é bonito, se é colorido, porque aí pode dar o pavão, ou a borboleta que é uma coisa linda. Agora, se sonhar que está viajando, joga no camelo que ele significa viagem". E emenda com uma outra dica: "A mesma coisa é sonhar com jogo, pode ser futebol, mega-sena ou qualquer outro, no bicho não vai dar o resultado que a pessoa viu no sonho. Não tem erro, se sonhar com jogo de azar ou não, dá é tigre".